domingo, 13 de dezembro de 2009

O que significa a palavra “Amém”?


O Amém

Escrito por Mário Moreno Qui,

.O que significa a palavra “Amém”?

O cristianismo consagrou esta palavra que é uma das mais ditas em todo o mundo com o significado de “Assim seja”, com o sentido de uma confirmação ao que foi dito anteriormente por alguém. Muitos no mundo ainda julgam que o significado da palavra seja este...

Vamos entrar um pouco no sentido verdadeiro desta palavra a fim de descobrirmos o seu verdadeiro significado nas Escrituras e no judaísmo.

Origem
Esta palavra originou-se na língua hebraica como um acróstico (os acrósticos são formas textuais onde a primeira letra de cada frase ou verso formam uma palavra ou frase. Podem ser simples, com frases ou palavras que não tenham ligação entre si ou podem mesmo ser o encerramento de uma poesia) da frase "El melech ne emam" que significa "D-us meu Rei é fiel".

Desta forma percebemos que a palavra "AMEM" é muito mais profunda do que aquilo que julgávamos crer que ela fosse, pois agora se trata de uma afirmação da fidelidade do Eterno para com seus filhos.

Na raiz desta palavra temos o temor hebraico "emuna" que significa "confiança"; significa também "confirmar aquilo eu está escrito".

A palavra amém em hebraico é composta de três letras (alef, mem e num) e sua guematria (método hermenêutico de análise das palavras bíblicas "somente" em hebraico, atribuindo um valor numérico definido a cada letra) é 91, sendo:

Alef = 1
Mem = 40
Num = 50
Quando fazemos a redução de 91 temos: 9 + 1 = 10. Este valor é equivalente na tradição judaica a keter (coroa). E ainda sabemos que este valor é o mesmo da soma de dois dos nomes do Eterno:

IHVH = 26
Adonai = 65
Isso nos leva a duas conclusões: quando falamos acerca do amém estamos falando sobre "receber uma coroa", pois o Eterno é fiel para cumprir tudo aquilo que nos prometeu, e sendo assim a coroa que receberemos d´Ele é justamente aquela da qual mais necessitamos no momento. Uma outra possibilidade é que o Eterno está se manifestando a nós de duas formas: como o IHVH e também como Adonai. Quando ele se manifesta como IHVH Ele está se manifestando como Aquele que se torna aquilo que precisamos que Ele se torne para nós (Este é o significado do tetragrama). E também se manifesta como “Adonai” que significa “Senhor”, mostrando assim que independente de qualquer situação Ele é o Senhor de nossas vidas e a conduzirá de tal forma que o Seu Nome seja sempre glorificado!

Então o “AMEM” está intimamente interligado à Pessoa do Eterno em todos os sentidos e com isso esta palavra sela aquilo que está sendo dito! Podemos até mesmo afirmar que o AMEM é uma pessoa!

Situações onde o AMEM está presente
Louvor ao Eterno – exaltação
E bendito seja para sempre o seu nome glorioso; e encha-se toda a terra da sua glória. Amém e Amém”Sl 72:19

"E Esdras louvou ao IHVH, o grande Deus; e todo o povo respondeu: Amém, Amém! levantando as suas mãos; e inclinaram suas cabeças, e adoraram ao IHVH, com os rostos em terra"Ne 8:6.

"Porque dele e por ele, e para ele, são todas as coisas; glória, pois, a ele eternamente. Amém"Rm 11:36.

"E todos os anjos estavam ao redor do trono, e dos anciãos, e dos quatro animais; e prostraram-se diante do trono sobre seus rostos, e adoraram a Elohim, dizendo: Amém. Louvor, e glória, e sabedoria, e ação de graças, e honra, e poder, e força ao nosso Elohim, para todo o sempre. Amém"Ap 7:11-12.

"E os vinte e quatro anciãos, e os quatro animais, prostraram-se e adoraram a Elohim, que estava assentado no trono, dizendo: Amém. Aleluia!"Ap 19:4.

Este termo é usado para terminar quase todos os livros da Brit Hadahsa, com as exceções de: Atos, Efésios e Tiago. A palavra aparece 51 vezes na versão em português da Brit Hadasha; já na versão em hebraico aparece 141 vezes!

Como promessas do Eterno
Amém vos digo que, até que o céu e a terra passem, nem um jota ou um til se omitirá da lei, sem que tudo seja cumprido”Mt 5:18

"E Ieshua disse-lhes: Amém vos digo que vós, que me seguistes, quando, na regeneração, o Filho do homem se assentar no trono da sua glória, também vos assentareis sobre doze tronos, para julgar as doze tribos de Israel”Mt 19:28

"Amém, Amém vos digo que, se alguém guardar a minha palavra, nunca verá a morte"Jo 8:51

"Amém, Amém vos digo que aquele que crê em mim também fará as obras que eu faço, e as fará maiores do que estas, porque eu vou para meu Pai"Jo 14:12

"E ele lhes disse: Na verdade vos digo que ninguém há, que tenha deixado casa, ou pais, ou irmãos, ou mulher, ou filhos, pelo poder soberano de Elohim, que não haja de receber muito mais neste mundo, e na idade vindoura a vida eterna”Lc 18:29-30

"Eis que vem com as nuvens, e todo o olho o verá, até os mesmos que o traspassaram; e todas as tribos da terra se lamentarão sobre ele. Sim. Amém"Ap 1:7

"Então disseram: Restituir-lhes-emos, e nada procuraremos deles; faremos assim como dizes. Então chamei os sacerdotes, e os fiz jurar que fariam conforme a esta palavra. Também sacudi as minhas vestes, e disse: Assim sacuda Elohim todo o homem da sua casa e do seu trabalho que não confirmar esta palavra, e assim seja sacudido e vazio. E toda a congregação disse: Amém! E louvaram ao IHVH; e o povo fez conforme a esta palavra”Ne 5:12-13

Quando conferimos estes textos veremos que alguns deles foram alterados quando foi feita a tradução de nossas Bíblias. Mais ao final deste artigo falaremos sobre isso.

Juízo do Eterno
"E ele, respondendo, disse: Amém vos digo que vos não conheço"Mt 25:12.

"Amém vos digo que todos os pecados serão perdoados aos filhos dos homens, e toda a sorte de blasfêmias, com que blasfemarem; qualquer, porém, que blasfemar contra o Espírito o Santo, nunca obterá perdão, mas será réu do eterno juízo"Mc 3:28-29

"Porque eu testifico a todo aquele que ouvir as palavras da profecia deste livro que, se alguém lhes acrescentar alguma coisa, Elohim fará vir sobre ele as pragas que estão escritas neste livro; e, se alguém tirar quaisquer palavras do livro desta profecia, Elohim tirará a sua parte do livro da vida, e da cidade santa, e das coisas que estão escritas neste livro. Aquele que testifica estas coisas diz: Certamente cedo venho. Amém. Ora vem, Adonai Ieshua" Ap 22:18-20

Benção e maldição
"E esta água amaldiçoante entre nas tuas entranhas, para te fazer inchar o ventre, e te fazer consumir a coxa. Então a mulher dirá: Amém, Amém"Nm 5:22

Estas palavras ditas por Moshe fariam com que a mulher envolvida num caso de suspeita de adultério fosse julgada pela água. Caso fosse culpada, morreria; porém caso fosse inocente seria abençoada com cura e com fertilidade.

Percebemos então que o AMEM é na realidade uma pessoa! O livro de Apocalipse nos fala sobre isso dizendo: “E ao anjo da igreja que está em Laodicéia escreve: Isto diz o Amém, a testemunha fiel e verdadeira, o princípio da criação de Elohim"Ap 3:14. Por esta passagem sabemos que o AMEM é Ieshua; foi Ele que esteve no princípio da Criação com Elohim e é Ele que se torna a figura central do livro de Apocalipse.

Então quando alguém diz “AMEM” esta pessoa está dizendo aquela palavra com o aval de Ieshua que confirma e faz cumprir aquela palavra dita anteriormente.

Um exemplo disso está em uma passagem da Torah que diz: “E estes estarão sobre o monte Ebal para amaldiçoar: Rúben, Gade, e Aser, e Zebulom, Dã e Naftali. E os levitas testificarão a todo o povo de Israel em alta voz, e dirão: Maldito o homem que fizer imagem de escultura, ou de fundição, abominação ao IHVH, obra da mão do artífice, e a puser em um lugar escondido. E todo o povo, respondendo, dirá: Amém”Dt 27:13-15. Neste caso as maldições que virão a seguir no texto são “seladas” com um AMEM; com a bênção isso não acontece!

Conclusão
Quem mais proferiu a palavra AMEM foi Ieshua, que é o próprio AMEM em carne!

Em todas as Bessorot – boas novas – onde aparece a frase “EM verdade”, no original em hebraico ali está o AMEM.

Quando Ieshua diz AMEM – sendo Ele a testemunha fiel e verdadeira – sela diante dos homens tanto as promessas quanto os juízos e a partir deste momento Ele tem o direito de testemunhar contra ou a favor do mundo; pois Ele deixou Sua Palavra para que o homem fizesse a escolha.

O AMEM é pouco usado na Tanach e na Brit Hadasha, e isso é sinal de que as pessoas naquela época tinham consciência da força daquela palavra.

Nunca diga AMEM sem saber o que será dito ou se você não entender o que foi dito – como por exemplo, alguém falando numa língua estrangeira – e não diga AMEM para qualquer coisa que está sendo dita.

Sha´ul diz o seguinte: “De outra maneira, se tu bendisseres com o espírito, como dirá o que ocupa o lugar de indouto, o Amém, sobre a tua ação de graças, visto que não sabe o que dizes?”1 Co 14:16

Agora podemos revelar que a palavra AMEM sela nos céus e na terra aquilo que é dito: “Amém vos digo que tudo o que amarrares na terra será amarrado no céu, e tudo o que soltares na terra será solto no céu. Também vos digo que, se dois de vós concordarem na terra acerca de qualquer coisa que pedirem, isso lhes será feito por meu Pai, que está nos céus. Porque, onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, aí estou eu no meio deles”Mt 18:18-20

Que possamos estar conscientes para aquilo que estamos dizendo!

AMEM!

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Pastor Ouriel de Jesus - profeta ou charlatão?


SEJA A BÍBLIA VERDADEIRA E O TEI MENTIROSO


Publicado em 5/10/2004

Pr. Antonio Donizeti Romualdo - adorocristo@yahoo.com - Co-pastor na Assembléia de Deus em Tampa, Florida
JesusSite

Nos seus vinte séculos de história, não só as perseguições foram ameaças à sobrevivência da Igreja de Cristo. Os modismos teológicos também foram terríveis obstáculos à sua caminhada. Frente a essas heresias que se arvoraram contra a ortodoxia da Palavra de Deus, o Espírito Santo levantou os Pais da Igreja, também conhecidos como apologistas, que defenderam a fé cristã, fazendo-a prevalecer.

Todavia, hoje vemos um panorama diferente. A Igreja, cheia de recursos teológicos e apologéticos, conhece os seus inimigos externos, sabe como refutá-los, porém se manifesta temerosa e insegura, quando este inimigo está no seu interior, sutilmente disfaçado em sobrenaturalismo ou algum tipo de avivamento.

No último semestre de 2003, a igreja evangélica de língua portuguesa nos Estados Unidos foi abalada pelas aberrações teológicas descritas no livro "O Triunfo Eterno da Igreja", que neste artigo será identificado como TEI, de autoria do Pr. Ouriel de Jesus e um grupo de obreiros da World Revival Church em Boston, Massachussets, que segundo estes, foi traduzido no Paraíso, numa suposta "Sala das Escrituras". Conforme o relato dessas pessoas, eles estiveram nesse "paraíso" em "arrebatamento de sentidos". A reação do Concílio Geral das Assembléias de Deus dos Estados Unidos, ao qual o Pr. Ouriel de Jesus era filiado, foi imediata. Assim que detectaram sérios desvios das Escrituras através da leitura e análise do livro, o Concílio da denominação, como medida cautelar, decidiu radicalmente em desfiliar esse pastor do seu rol de membros e dissolver o Distrito de Língua Portuguesa. Além do jornal "Mensageiro da Paz", órgão oficial das Assembléias de Deus no Brasil, edição de outubro, e da excelente revista "Ultimato", que na edição de novembro de 2003, publicou refutação sobre essa fantasia escatológica, Flávio Costa, membro da World Revival Church, também produziu um sério estudo apologético sob o título "O Triunfo Eterno da Igreja à Luz das Escrituras", onde foi a fundo, refutando com firmeza e autoridade bíblica os ensinos heréticos contidos nessa pseudo-revelação. Antes do lançamento do livro, essa Igreja já era centro de algumas controvérsias doutrinárias relacionadas com "manás invisíveis" que os crentes recebiam e testemunhavam dos seus "sabores", as visões de anjos, alguns jamais encontrados na Bíblia. Depois dessa "angelomania" vieram os contatos com mortos que partiram com o Senhor que enviavam mensagens para os seus entes queridos vivos, algo que podemos definir como uma "mediunidade" disfarçada de evangélica. Comunicação com mortos, mesmo com aqueles que morreram no Senhor, é comunicação com demônios ( 1 Sm 28.7-14; 2 Rs 21.6; Is 8.19; Lc 16.26-31).

Dr. Erwin Lutzer, pastor da Igreja Moody Memorial, de Chicago apresenta na pág.84 do seu excelente livro "A Cruz de Hitler" a seguinte declaração "a Bíblia proibe qualquer tipo de contato com o mundo dos espíritos por uma boa razão: os demônios se disfarçam de anjo de luz, na tentativa de enganar tantos quantos puderem. É claro que existem 'mestres', ou inteligências não-humanas, na expectativa de uma oportunidade de entrar em contatos com seres humanos. Viabilizar essa transformação de consciência é exatamente o que o maligno deseja". Ao escrever este trabalho, reitero minha confiança de que o lema da Reforma Protestante do Século XIV,"Sola Scriptura", não mudou. A Bíblia, só ela é o singular livro de Deus através dos séculos e é detentora da completa revelação divina para a humanidade. Por isso, afirmo que todas as asseverações do Pr. Ouriel nesse livro refletem algum tipo de paranóia e que suas visões e revelações recebidas não encontram qualquer sustentação bíblica quando confrontadas à luz das Sagradas Escrituras. Ultimato descreveu com propriedade o comportamento desse líder, como "suicídio do bom senso"

O TEI pretende ser uma revelação do livro selado do Profeta Daniel, das palavras inefáveis que Paulo viu no Paraíso, do livrinho que João engoliu e de um "Avivamento do Tempo do Fim" cujo "patrocínio", Deus só entregou para Ouriel de Jesus e seu Grupo dos 15, da World Revival Church, em Boston (TEI prólogo).

Devemos aceitar passiva e cegamente as afirmações de Ouriel de Jesus, sem passá-la no filtro das Escrituras? Jamais!!! Até o apóstolo Paulo passou por este teste em Beréia (At 17.11) e devido a esse comportamento, os crentes da Igreja de Cristo naquela cidade foram chamados de "nobres", porque filtravam biblicamente todo o ensino que recebiam, repudiando-o se necessário fosse. Contudo, o Pr. Ouriel prega que os seus ensinos tem que ser aceitos cegamente sem questionamentos pela razão ou pelo intelecto humano (pág.42) e os que se aventuram a fazê-lo, são por ele denominados de incrédulos ou de fé poluída, contaminada e se arriscam a perder a salvação!!! Exalta os novos convertidos, visto que segundo ele, estes ainda não foram contaminados ( não foram discipulados!!!). Se o TEI é verdadeiro, do que o Pr. Ouriel tem medo? A verdade não tem medo de questionamentos. Ela não teme ser exposta. Quem precisa mascarar ou justificar o que afirma é porque teme a luz. E quem teme a luz do discernimento é porque está nas trevas! A Carta do Apóstolo aos Romanos 13:12 adverte-nos " deixemos portanto as obras das trevas" !!!

I. Uma ênfase excessiva na vida e no caráter do fundador.

Todos os movimentos heréticos que apareceram durante a história da Igreja, procuraram destacar excessivamente a personalidade dos seus fundadores, naquilo que conceituamos como "culto à personalidade". A honra que o Islamismo concede a Maomé, chega a deificá-lo; o Mormonismo presta a Joseph Smith um culto quase divino; o Adventismo concede à sua fundadora Ellen Gold White, a honra de uma profeta infalível; os seguidores da Santa Vovó Rosa, atribuem à ela poderes idênticos ao Espírito Santo; os adeptos do coreano Sun Young Moon, afirmam ser ele o verdadeiro Messias enviado por Deus. O TEI não poderia deixar por menos, quando refere-se ao seu líder. Vejamos algumas declarações sobre o Pr. Ouriel de Jesus contidas no livro: Apóstolo do Avivamento, qualidades e virtudes testificadas pelo Espírito Santo, incomum humildade, quebrantamento, espírito pacífico, sabedoria e determinação, profunda intimidade com Deus, descomprometimento com sistemas, títulos e posições, pronto a pagar o preço que for necessário e a aceitar os desafios para tapar as brechas que foram abertas desde a morte dos últimos apóstolos; homem que aceitou o desafio para liderar o grande e último Avivamento; líder que será dirigido pelo Deus Filho e pelo Deus Espírito Santo que conduzirá esse Avivamento em dimensão tal que alcançará os quatro cantos da terra. Esse líder saberá discernir as astutas ciladas do adversário....". E há uma aberração ainda maior, na página 338 do livro, Ouriel de Jesus é chamado pelo Profeta Daniel, de "Anjo de Fogo", devido à autoridade, fé, coragem, ousadia e unção que ele receberá do Altíssimo!!! E o "profeta Daniel" continua descrevendo o caráter espiritual desse "ser glorioso": introduzirá a obra do tempo do fim sem se preocupar com o preço a ser pago, com as renúncias que terá que fazer e com as perdas de amizade que terá ao se apresentar voluntariamente para introduzir e ver realizar-se a obra do tempo do fim. Essas qualidades encontradas nas páginas do TEI e atribuídas ao Pr. Ouriel não o apresentam como um simples homem, nem um anjo, mas como um "semi-deus". É a manifestação da "Síndrome de Herodes".

II. Arrogância e Superioridade Espiritual

O motivo do aparecimento de muitas seitas através da História é que os seus fundadores "descobriram" que a Igreja tinha falhado no seu propósito e que eles eram a restauração da Igreja Neotestamentária. Foi assim com Joseph
Smith, quando fundou o Mormonismo, Charles Taze Russel, quando fundou a Sociedade Torre de Vigia (Testemunhas de Jeová), Ellen G. White, quando fundou o adventismo, Rev. Moon, o "Messias Coreano", fundador da Igreja da Unificação Mundial, entre outros. A leitura do livro apresenta mesmo que veladamente, uma superioridade dos ensinos da WRC em relação a outras denominações quando afirma na página 93 : "Assim como Deus separou e elegeu uma nação, um povo, dentre os demais e, dessa nação, Ele separou uma tribo para Lhe oferecer louvor e adoração e cuidar do sacerdócio, assim Ele escolheu e separou uma igreja (World Revival Church) para ser o berço do último Avivamento, oficializando-a e destacando-a para que, através dela, seja introduzido esse Avivamento do tempo do fim até os confins da terra".
A arrogância espiritual do Pr. Ouriel de Jesus chega ao cúmulo de etiquetar os que estão arraigados na Palavra e se habilitam a combater os seus ensinos, afirmando que esses possuem uma fé poluída e contaminada. O grande apologista da fé cristã do séc. XX Francis Schaeffer, chamava de super-espiritualidade a tendência de alguns avivados em desprezar o intelecto, a apologia, o corpo e a cultura, para enfatizar o espetacular e o extraordinário.

III. Síndrome de Perseguição.

Como na história dos fundadores de seitas e heresias, Ouriel de Jesus também apresenta antecipadamente no livro, a síndrome da perseguição, quando confrontado com a verdade bíblica. No sétimo parágrafo do capítulo entitulado "Considerações do Pastor Ouriel de Jesus", está escrito: "Voce será caluniado. Vão tentar excluí-lo de sua denominação e vão persegui-lo muito e os seus próprios amigos o chamarão de hereje".
No capítulo 1, pág. 47, primeiro parágrafo diz: "Dessa forma, a Igreja dos últimos dias (a World Revival Church?), será alvo de perseguições daqueles que terão ficado para trás, presos nas suas próprias mazelas". Essa síndrome é muito comum dentro de um movimento sectário ou controvertido. Jim Jones, líder do Templo do Povo, levou sua comunidade da California para a Guiana, porque se sentia perseguido aqui nos Estados Unidos. E lá aconteceu a tragédia do suicídio em massa.

IV.Similaridades com outros Movimentos Heréticos

Quase todas as seitas heréticas tiveram a sua origem em visões espetaculares. O islamismo, a maior religião do mundo depois de Cristianismo é fruto das visões de Maomé por volta do ano 600. A mariolatria católica romana repousa em grande parte sobre as visões de Lourdes (1858), Fátima (1918) e Meljugorje (1981).

O TEI (ver Considerações do Pastor Ouriel de Jesus) afirma que no dia 14 de setembro de 2001 às 14:30 hs, quando o Pr. Ouriel de Jesus e o seu grupo de oração da WRC oravam, "o céu se abriu e nós vimos e ouvimos o Pai dizendo ao Filho: É hora de a Igreja ser tirada da Terra pois não está conseguindo cumprir sua missão e Jesus com um olhar de preocupação não respondia palavra. Foi quando pudemos ver o Espírito Santo interceder pela Igreja pedindo ao Pai que lhe fosse dada mais uma oportunidade". O Livro de Mórmon também faz uma afirmação quase semelhante. Joseph Smith Jr, "preocupado com questões religiosas dos seus dias", orou pedindo orientação a Deus sobre qual denominação era a verdadeira igreja. Então, na primavera de 1820 ele teve uma visão do Pai e seu Filho Jesus Cristo, que lhe disseram que todas as igrejas tinham apostatado e que seus credos era uma abominação. Em 1832, veio a segunda visão. Um anjo chamado Moroni contou a Joseph Smith a respeito de um livro de placas de ouro que se encontrava no Monte Cumorah , em Palmyra, N.York e lhe entregou umas lentes especiais chamadas Urim e Tumim, com as quais poderia decifrar e traduzir a nova revelação de Deus para a humanidade que estava naquele livro.

O TEI em "Considerações do Pr. Ouriel de Jesus"afirma que "ficamos impressionados ao ver que do meio do Livro sai uma luz que resplandece muito intensamente. Essa luz é uma espécie de sinalização no processo de leitura e tradução do Livro". Outra similaridade é que o Mormonismo revelou o anjo Moroni e o Ourielismo, uma nova saga angélica com Mestre, Jadiel e Elifelete. Mera coincidência, plagialismo sectarista ou trevas em dose dupla?!?!

V. Distorções Doutrinárias

Apoiado pela revelação histórica da Palavra de Deus, a Reforma Protestante declarou no Séc. XVI a famosa expressão em latim "Sola Scriptura". Essa afirmação era a síntese de todo o movimento: só a Bíblia, nenhuma outra revelação, mesmo que fosse entregue por um anjo. O TEI, segundo as fantasias espirituais do Pr. Ouriel e seu grupo foi traduzido do original que está no Paraíso (outro plágio do mormonismo???). Apesar de afirmarem que "este livro não tem o propósito ou a pretensão de se comparar ou substituir a Bíblia Sagrada...", pretensiosamente ou inocentemente, eles já colocam as Escrituras em desvantagem e inferioridade, pois a Palavra de Deus foi escrita aqui no planeta Terra em um período de 1600 anos por aproximadamente 40 escritores humanos, não tem nenhuma cópia original e nenhum dos seus escritores está vivo!!! A audácia do Pr. Ouriel e do seu grupo chega ao extremo até de mudar o nome das Escrituras, de Bíblia para Livro Eterno, nome este que foi estabelecido pelos Pais da Igreja nos primeiros séculos da História Cristã.

"Arrebatamento de sentidos" é outra declaração suspeita de Ouriel. Se é o mesmo um tipo de arrebatamento bíblico, vamos checá-lo com a experiência pessoal do Apóstolo Paulo (2 Co 12:1-10). Paulo não soube explicar direito o que aconteceu ("se no corpo ou fora do corpo, não sei, Deus o sabe) , não se expôs demasiadamente (conheço um homem que...), não teve a menor pressa em relatar o ocorrido (há catorze anos), não entrou em detalhes sobre o que viu ou ouviu (palavras inefáveis, as quais não é lícito ao homem referir), não omitiu a providência tomada por Deus para que ele não se ensoberbecesse (foi me posto um espinho na carne).

"...O céu se abriu e nós vimos e ouvimos o Pai dizendo ao Filho: É hora de a Igreja ser tirada da Terra pois não está conseguindo cumprir sua missão e Jesus Cristo, com um olhar de preocupação, não respondia palavra. Foi quando pudemos ver o Espírito Santo interceder pela Igreja pedindo ao Pai que lhe fosse dada mais uma oportunidade...Foi no momento dessa experiência sobrenatural que eu disse a Deus Pai, Deus Filho e Deus Espírito Santo que eu estava disposto a pagar o preço que fosse necessário" (TEI, pág. 21). Não é preciso ser um profundo estudioso das Escrituras para detectar sérios problemas doutrinários nessa afirmação do Pr. Ouriel:

1. Ele declara, que junto com o seu grupo "viu o Pai, o Filho e o Espírito Santo". Ora, a Bíblia afirma terminantemente que "ninguém jamais viu a Deus, e nem pode ver: aquele que tem, ele só, a imortalidade e habita na luz inacessível; a quem nenhum dos homens viu nem pode ver; ao qual seja honra e poder sempiterno. Amem (I Tm 6:16, Jo 1:18, Ex 33:20).

2. A revelação dada a Ouriel diz que a " Igreja de Cristo não está cumprindo com a sua missão", em outras palavras, a Igreja falhou.

3. Vejo uma profunda blasfêmia e muita audácia do Pr. Ouriel de Jesus nesta declaração, pois faz pouco caso da obra do Espírito Santo na Igreja e audaciosamente se coloca como um substituto da "obra inacabada". Faltou pouco para se equiparar com Sun Young Moon, que afirma ser o verdadeiro Messias, pelo fato de Jesus "falhar em não se casar e morrer em uma cruz". Não precisamos de nenhum outro e presunçoso "messias" seja ele Bar Kohba, Sun Young Moon, Inri Cristo ou Ouriel de Jesus ou alguém mais que se levantar, pois o preço já foi pago e homem nenhum foi capaz de suportá-lo a não ser o glorioso "Filho de Deus", que sofreu a afronta e o vitupério da Cruz por cada um de nós. O preço dos cravos, da afronta, das chicotadas e da alienação total, como Mel Gibson monstrou magistralmente em seu filme "A Paixão do Cristo", só foi pago por Ele, nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo.

4. Segundo esse relato, Deus o Pai está falando em desistir de um dos seus propósitos em relação à Igreja, depois reflete melhor e decide dar uma outra oportunidade, porque aparece "um homem" disposto a pagar o preço ( ele mesmo, Ouriel!!). Que tamanho disparate em relação à soberania de Deus! Um dos atributos de Deus apresentados pela Palavra de Deus é a sua imutabilidade (Ml 3.6). Não há Nele nenhuma mudança ou variação (Tg 1.17b).

VI. Falso Profeta

O Pastor Ouriel afirma que o último e grande avivamento começou em 14 de setembro de 2001. Se ele é realmente a pessoa escolhida para ser o líder mundial do último avivamente é de se estranhar que ele não esteja executando ainda "os milagres, maravilhas, sinais e prodígios que estarão acontecendo nos últimos dias" (pág.109). Esse fato caracteriza-se uma falsa profecia. Convém lembrar as palavras das Escrituras sobre o falso profeta. Deuteronomio 18.22 diz: "...quando tal profeta falar em nome do Senhor, e tal palavra não se cumprir, nem suceder assim, esta é a palavra que o Senhor não falou; com soberba o falou tal profeta; não tenhas temor dele".

Causas:

1. Abandono da Bíblia
Quando a Bíblia deixa de ser canônica para o crente é porque este já abandonou a verdade, se acercou do erro e pôs sua esperança em fábulas originadas na concupiscência do homem ou nas obras das trevas. Daí, onde caem nas armadilhas de certos líderes que se arvoram de super-espirituais e portadores de uma revelação exclusiva e definitiva de Deus. Deus lhes falou, ou lhes revelou a verdadeira liturgia (tais como aprenda comigo a verdadeira adoração, não tenho culpa se até agora você aprendeu errado....) ou uma novidade que esteve oculta desde a antiguidade ( as palavras seladas do tempo do fim, o livrinho comido por determinado apóstolo, e blá, blá, blá, blá, blá,blá....).

2. Sobrenaturalismo exagerado
O líder da WRC sempre foi conhecido por um misticismo exagerado, povoado de visões de anjos e revelações de mistérios sobrenaturais. Fruto da cultura brasileira, sincretista, mística, e carregada de mistério e magia, enraizada em obreiros que por serem desprovidos de conteúdo bíblico-teológico, não conseguem fazer uma separação adequada entre o real e o irreal, o pagão e o santo Se o esoterismo da Nova Era alcançou até líderes com alguma formação bíblica e teológica, imagine-se com aqueles desprovidos dessas qualificações!

3. Fragilidade teológica e ausência de reflexão bíblica...
Na página 21 no capítulo "Considerações do Pr. Ouriel", esse pastor fez essa asseveração, da qual parece até orgulhar-se: "...o grupo escolhido e usado por Deus para realizar esta obra não tem qualquer formação acadêmica e, alguns, sequer teológica". Essa afirmação prova que o movimento da WRC enfatiza o subjetivismo, enaltece a ignorância e mostra aversão à reflexão teológica. Rejeitar a reflexão teológica é negar a teologia bíblica, porque ela parte do pressuposto de que a fé cristã está condicionada à razão exarada nas Sagradas Escrituras.

Conclusão

O TEI é um ensino distorcido da verdade que violenta a pureza das doutrinas fundamentais pregada com tanto zelo pela Igreja durante séculos. É um "evangelho" de interesses mesquinhos que manipula a consciência e a emoção dos seus seguidores, aliena-os da realidade da vida com fantasias e visões espetaculares, intimida-os os que não aceitam esse ensino afirmando que estão blasfemando contra o Espírito Santo, oferece falsas promessas de prosperidade material, acrescenta ensinos distorcidos às Escrituras e subtrae doutrinas fundamentais cristãs. Enfim, oferece um evangelho sem cruz, sem sacrifício, só de prosperidade e saúde. Se realmente o TEI fosse de origem divina, e traduzido sem erros, ele jamais contrariaria os ensinos das Escrituras Sagradas. Este estudo apologético, não esgota todo o conteúdo herético do livro, fixando-se somente em algumas distorções O objetivo é alertar a Igreja de Cristo para os "mercenários" astutamente disfarçados de pastores, levando as ovelhas para o "engodo do maligno", para os "falsos mestres" que oferecendo "coisas pervertidas", iludem seus seguidores com filosofias malignas, verdadeiros paradigmas do inferno. Atentemos para o conselho deixado pelo Apóstolo Paulo à Igreja da Galácia: "...mesmo que um anjo do céu vos anuncie outro evangelho além do que já vos tenho anunciado, seja anátema" (Gl 1.8) e também para Timóteo , "se alguém ensina alguma outra doutrina e se não conforma com as sãs palavras de nosso Senhor Jesus Cristo e com a doutrina que é segundo a piedade, é soberbo e nada sabe, mas delira acerca de questões e contendas de palavras, das quais nascem invejas, ruins suspeitas, contendas de homens corruptos de entendimento e privados da verdade, cuidando que a piedade seja causa de ganho. Aparta-te dos tais" (I Tm 6:3-5). Tomemos uma firme posição contra aqueles que, dentro da igreja visível, negam a autoridade da Bíblia ou distorcem a fé original anunciada por Cristo ou pelo apóstolos, repudiando seus ensinos, anatematizando-os.


Pr. Antonio Donizeti Romualdo
Co-pastor na Assembléia de Deus em Tampa, Florida
B.A. in Theology , Latin American Advanced School of Theology
E-mail: adorocristo@yahoo.com

Morris Cerullo: Homem de Deus ou uma fraude?


Nota do Tradutor:
Leitor, traduzo este artigo, não visando atacar o Morris Cerullo. Fui intérprete dele em duas ocasiões e acompanho o ministério dele desde 1962. Participei também de uma conferência em San Diego, Ca. em 1971. Mas, desde então, o homem, ao que parece, mudou!

Morris Cerullo é pastor das Assembléia de Deus e pregador de cura divina. A mansão onde mora está localizada numa das áreas mais caras de um subúrbio da América do Norte protegida por dois grandes portões e está valorizada em 12 milhões de dólares. É propriedade dele. Apenas ele e sua esposa vivem ali, e afirmam que vivem setenta por cento do tempo no campo missionário.. . Que desperdício do dinheiro de Deus.

O jatinho particular de Cerullo, um Gulstream G4 é avaliado em 50 milhões de dólares. Ele emprega dois pilotos tempo integral e uma comissária de bordo que afirmou que o avião é ornado com um painel de ouro. Ele já possuiu três aeronaves similares.

Ele se diz um produtor de milagres, mas está sendo investigado pela forma como levanta dinheiro. John Paul Warren, executivo que trabalhou para Morris Cerullo entrou com uma ação na justiça contra a organização, depois de confrontar a Morris Cerullo quanto a “maneira antiética e as técnicas que ele usa para recolher ofertas do povo”. Esta é a segunda ação judicial contra Cerullo. Warren, um respeitado pastor da terceira geração de assembleianos moveu a ação em maio de 2000 na corte superior do condado de San Diego. A ação foi aceita pelos procuradores Dean Broyles e Tim Rutherford de San Diego e Hunter Lundy, da Lousiana. Este último foi o que obteve sucesso em sua ação contra o tele evangelista Jimmy Swaggart em 1991 que resultou na condenação de Swaggart.

Cerullo se apresenta como “Dr. Cerullo” mesmo sem graduação universitária ou merecimento do título, afirma Lundy. “Ele é o chefe principal dos escritórios do MCWE – Morris Cerullo World Evangelism – o centro do controle missionário, mas não serve como pastor nem é membro de nenhuma igreja local ou congregação”. Cerullo levantou milhões de dólares para comprar a propriedade do tele evangelista Jim Bakker, quando este caiu em pecado e foi condenado e enviado a uma prisão federal por fraude.

Cerullo afirma que teve um encontro com Deus aos oito anos de idade. A partir daí as experiências divinas se sucedem, afirma Lundy. “Ele afirma que foi conduzido para fora de um orfanato judeu por dois seres celestiais; transportado aos céus e viu a Deus face a face. Consegue prever o futuro, curar os enfermos e prende seu auditório pedindo que todos olhem pra ele, porque olhando pra ele veem o próprio Deus. Ele usa expressões como: “Entreguem-me suas carteiras de dinheiro”. “Olhem para o profeta de Deus”.

Conforme Broyles, o alvo principal de Cerullo é levantar milhões de dólares em nome de Deus para poder manter seu estilo de vida esbanjador tanto nos Estados Unidos como no além-mar.

“As vítimas das táticas de Morris Cerullo e a fonte de seus milhões de dólares são os idosos, as viúvas e os pobres aqui dos Estados Unidos e também de pessoas desesperadas de outras nações”. Broyles afirma que as táticas de Cerullo para levantar dinheiro incluem solicitações diretas, conferências de oração, a venda de vídeos, comerciais televisivos e campanhas por cartas, e usa de todos os meios para oferecer às pessoas falasas promessas.

Warren que conhece a fundo a organização diz que “Cerullo faz muitas promessas aos seus contribuintes, promessas que ele sabe não poder cumprir. Levanta dinheiro para projetos populares, consegue contribuições, mas nunca leva adiante os projetos e fica com o dinheiro”. Warren afirmou que assim que chegou a San Diego para assumir a direção dos escritórios da organização que Cerullo usava o status de filantropia da MCWE para ganhos pessoais. “Cerullo mercadeja o evangelho para fins de enriquecimento pessoal”, afirma Warren. Ele já pediu a Cerullo que se arrependa dessas práticas e que devolva o dinheiro para seus patrocinadores, mas este se recusa fazê-lo.

David, filho de Morris Cerullo dirige a rede PTL (Praise the Lord – Glória a Deus), que agora é conhecida como INSP – Inspiration – com sede na Carolina do Norte, que serve como mídia para enviar e solicitar os pedidos de Cerullo e angariar novos patrocinadores. “Nem o MCWE ou a rede de inspiração (Inspiration Network) prestam contas a qualquer organização” afirma Rutherford. “De fato, Cerullo, sua esposa e seu filho Davi são todos membros diretores da mesma organização a MCWE.”

Os procuradores de Warren afirmam que, segundo suas fontes, 70% da receita de Cerullo vem de atividades comerciais da organização, o que bate de frente com a atividade filantrópica que lhe dá isenção de impostos.

“Cerullo vive numa mansão confortável de doze milhões de dólares na área mais cara do Ranch Santa Fé, próxima a San Diego. A organização MCWE possui e controla várias propriedades, carros de luxo e um jatinho particular decorado a ouro. Ele declarou que seus bens valem hoje mais de cem milhões de dólares. Será que isto é admissível como estilo de vida de um pregador do evangelho?”, pergunta Lundy.

Os procuradores afirmam que Cerullo sempre arrumou problemas em sua organização. Muitos ex-empregados entraram com ação por violação de direitos na América. Ele também está impedido de pregar na televisão da Inglaterra a menos que prove que realizou aqueles milagres. Cerullo se protege com o argumento de que a constituição americana não permite que um ministro do evangelho mova uma ação contra outro ministro. A sentença sairá nos próximos meses.

John Paulo Warren quer que a comunidade cristã da América conheça a verdade sobre Cerullo. Ele disse que durante dois anos pediu ao Cerullo que se submetesse à liderança de uma igreja para poder ser corrigido, mas Cerullo sempre rejeitou. Ele disse que viajou com Cerullo pelo mundo todo e é testemunha ocular de primeira mão. Por isso decidiu levar seu ex-chefe à Corte.

A corte de apelação do Estado da Califórnia declarou em 3 de janeiro de 2002 que a organização do Cerullo, com base em San Diego está imune de litígios sob a Primeira Emenda, que orienta as cortes a não se envolverem em disputas internas de grupos religiosos.

“Você entregaria sua carteira totalmente nas minhas mãos, pergunta o Senhor. Sim, obedeça a minha ordem” (Palavra impressa da Conferência de Vida Profunda, Março de 1982 p 15).

A seguir, na reportagem estão as ações de quinze pessoas contra Morris Cerullo, o que não será necessário traduzir.

A principal acusação é de que Morris Cerullo se alimenta de um altar de ouro!


Fonte: http://www.cephas- library.com/ evangelists/ evangelist_ morris_cerullo_ fraud.html

Pastor João A. de Souza Filho
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quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Fui à praia e fui duramente criticado


Fui à praia e fui duramente criticado

Recentemente fui duramente criticado por ir a praia. Qual sua opinião sobre o assunto?

Wagner

Resposta:

Irmão Wagner,

Que o Espírito do Senhor Deus, o Todo Poderoso que vivifica, ilumine o seu entendimento e o de muitos outros que ainda mantém este tipo de dúvida.

Meu irmão,

Estas questões acerca do que se pode ou não fazer, são o que algumas denominações chama de "doutrinas" de usos e costumes. Este seu caso é mais um de abuso espiritual (Veja mais AQUI).

Dentro da lei da igreja (a forma correta do nome doutrina aplicada ao caso) o que pode e o que não se pode fazer está determinado pelos seus líderes e muitas vezes chegam a se contrapor aos ensinamentos bíblicos.

A Bíblia em nenhum texto impõem qualquer modelo para os usos e costumes. Toda a Bíblia trata de questões do ser humano em seu contexto histórico-cultural, deixando apenas princípios a serem observados.

Todos nós precisamos de limites. Deus estabelece limites, o Estado, as empresas, as organizações públicas e privadas, as associações, a família etc. Qualquer relação entre pessoas precisa de limites claros. A falta de limites gera o caos, a desordem, o abuso. Nossa natureza carnal não aceita limites, ela é transgressora, insaciável. E quanto a esta atitude a Bíblia é muito clara: Não devemos utilizar nossa liberdade cristã para dar ocasião à carne.

Nunca haverá consenso e unanimidade quando o assunto é usos e costumes na igreja, principalmente nas igrejas pentecostais tradicionais, mas, tendo como parâmetros os princípios bíblicos da boa conduta, comportamento e convivência, a posição e o entendimento da maioria (liderança, membros e congregados) deve prevalecer. O grande problema é que muitas vezes a norma é imposta sem discussão, sem participação e encobre em algumas ocasiões interesses escusos.
Se a Palavra de Deus fosse tomada como Regra de Fé e PRÁTICA, de verdade, então seriam seguidos os exemplos como os abaixo mencionados:

"Então, se reuniram os apóstolos e os presbíteros para examinar a questão. [...] E toda a multidão silenciou, passando a ouvir a Barnabé e a Paulo, que contavam quantos sinais e prodígios Deus fizera por meio deles entre os gentios. Depois que eles terminaram, falou Tiago, dizendo: Irmãos, atentai nas minhas palavras: [...]." (At 15.6, 12, 13) "Então, pareceu bem aos apóstolos e aos presbíteros, com toda a igreja, tendo elegido homens dentre eles, enviá-los, juntamente com Paulo e Barnabé, a Antioquia: foram Judas, chamado Barsabás, e Silas, homens notáveis entre os irmãos, [...]." (Atos 15.22) "Pois pareceu bem ao Espírito Santo e a nós não vos impor maior encargo além destas coisas essenciais:" (At 15.28)

O fato, é que na grande maioria das vezes os membros e congregados não participam das discussões. Se você voltar a ler o texto verá que até na escolha de um apóstolo a congregação participava.

"Naqueles dias, levantou-se Pedro no meio dos irmãos (ora, compunha-se a assembléia de umas cento e vinte pessoas) e disse: [...]. É necessário, pois, que, dos homens que nos acompanharam todo o tempo que o Senhor Jesus andou entre nós, começando no batismo de João, até ao dia em que dentre nós foi levado às alturas, um destes se torne testemunha conosco da sua ressurreição. Então, propuseram dois: José, chamado Barsabás, cognominado Justo, e Matias. E, orando, disseram: Tu, Senhor, que conheces o coração de todos, revela-nos qual destes dois tens escolhido para preencher a vaga neste ministério e apostolado, do qual Judas se transviou, indo para o seu próprio lugar. [...] E os lançaram em sortes, vindo a sorte recair sobre Matias, sendo-lhe, então, votado lugar com os onze apóstolos. (At 1.15, 21-26)

O fato é que os "irmãos", em muitos lugares, vivem num regime de talibã, ditatorial, opressor, onde as decisões são impostas pelo alto clero (ou por seu sumo-pontífice), os questionamentos são vistos como atitudes rebeldes, e a mínima desobediência é punida com um "apedrejamento de palavras e ações exemplares". E são execrados publicamente sendo até envergonhados. Não há participação nas decisões, nem nas assembléias.

É interessante notar que o aumento do número de Igrejas, inclusive algumas de "gosto e ações questionáveis", o cristão passou a poder escolher onde melhor se adapta, sem se preocupar em estar ferindo as leis da sua antiga denominação.

"Portanto, quer comais, quer bebais ou façais outra coisa qualquer, fazei tudo para a glória de Deus." (1 Co 10.31).

P.S.: Jesus foi à praia chamar pescadores para serem seus discípulos e em muitas ocasiões ele estava na praia, pregando, andando e até comendo segundo o texto bíblico. E ademais, a praia também é criação do Senhor, não vejo mal algum em se frequentar uma praia. Paulo escreveu à Tito: "Tudo é puro para os que são puros, mas para os corrompidos e incrédulos nada é puro; antes tanto a sua mente como a sua consciência estão contaminadas." (Tito 1.15). Descanse no Senhor.
Postado por Márcio Melânia às 18:30 Marcadores: Abuso Espiritual, Legalismo, Religiosidade

Postado por Márcio Melânia

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Solidão Pós-Moderna


Solidão Pós-Moderna

por

Rubem Martins Amorese


O Século XXI é mutante. Isso não chega a ser novidade, se pensarmos que o homem sempre esteve, digamos, evoluindo. A ciência e a tecnologia estão aí, dando saltos imensos, em frentes que vão da microbiologia e seus transgênicos à busca do deslindamento da história do universo, através das lentes de poderosos telescópios.

Somos mutantes, no entanto, no sentido de que nossa humanidade se perde nessas mudanças. Elas são em número e velocidade acima de nossa capacidade de absorção. Alienação passa a ser um antiácido a ser ingerido juntamente com a salada de frutas de informação que temos que deglutir todo dia.

Nossa desumanização começa, por exemplo, quando abrimos mão da casa paterna para tentar a vida em uma outra cidade ou país — e nunca mais voltamos. Nossos pais ficam sem netos e nossos filhos sem avós e tios. E nossa história, nossos valores, ideais, referenciais e heróis; nosso patrimônio simbólico, enfim, se perde na distância.

Longe da família e da igreja de origem, buscamos formar uma nova família. Uma família plasmada na correria da vida, na superficialidade, na sensualidade e na urgência oriunda de uma crescente carência afetiva. Tentamos reter na memória a nossa velha humanidade, mas já não nos sentimos à vontade abrindo o coração, falando do mundo interior, de sonhos, de ideais, de projetos de vida que, eventualmente, possam ser vividos a dois. "Ficamos" até onde for possível.

No ambiente de trabalho, as relações são cordiais o suficiente para esconder a luta encarniçada estabelecida pela competição: somente os mais adaptados sobrevivem. Os encontros, festas, almoços e jantares de negócio são o que resta dos laços cálidos e duradouros dos companheiros da infância.

Para sobreviver nesse ambiente hostil e exigente, pai e mãe precisam trabalhar. Para serem alguém, algo mais que simples "mão-de-obra" , precisam de toda a energia disponível para tocar uma carreira de sucesso. Precisam vencer na vida. E essa vitória não comporta filhos. Pelo menos não do jeito antigo: filhos para serem amados em um convívio extenso e intenso. Agora eles são "curtidos" nos finais de semana em que não estejamos viajando a serviço. Durante a semana, terão uma boa educação numa creche ou numa escola de tempo integral. Desmamados cedo, eles aprendem a ser independentes.

Quando o divórcio vem (a carreira pode exigir), eles passam a viver ora com o pai, ora com a mãe — e com seus meio-irmãos, oriundos do novo casamento do pai e da mãe.

Não tenhamos pena desses nossos filhos. Eles se adaptarão. Sobreviverão e serão parecidos conosco. Não, serão melhores. Serão mais fortes e resistentes às distâncias, indiferenças e separações. Serão adaptados a um mundo onde não se olha para dentro, para a alma; aprenderão a ligar a televisão para não ouvir o silêncio; aprenderão a se ligar às pessoas sem chegar perto; aprenderão a confiar desconfiando e a não esperar misericórdia; aprenderão a fazer amor sem amar; aprenderão a viver no Século XXI. São mutantes.

Alguns deles, um dia, numa praça, numa esquina, ouvirão dizer que "Cristo salva". E pensarão: "não estou morrendo". Outros, no entanto, compreenderão que nEle lhes é possível uma nova e antiga humanidade — a humanidade original, na qual o colo do pai, da mãe, de tios e avós lhes é restaurado no mistério da igreja; no milagre da regeneração de seu próprio interior. Salvação. Nossos filhos mutantes, perdidos e órfãos ouvirão: "assim, já não sois estrangeiros e peregrinos, mas concidadãos dos santos, e sois da família de Deus" (Ef 2, 19)— e crerão.

Sobre o autor: Rubem Amorese é presbítero na Igreja Presbiteriana do Planalto - IPP em Brasília. Agradecemos ao autor pela autorização escrita para publicarmos os seus artigos no Monergismo.com. Outros artigos do autor podem ser acessados em http://www.amorese. com.br/.

Os Anjos, Satanás e os Demônios - Wayne Grudem


Os Anjos, Satanás e os Demônios

Wayne Grudem

• Que são anjos?

• Por que Deus os criou?

• Como os cristãos devem considerar atualmente Satanás e os demônios?


1.EXPLICAÇÃO E BASE BÍBLICA

A.Que são anjos?

Podemos definir anjos da seguinte maneira: Anjos são seres espirituais criados com juízo moral e alta inteligência, mas sem corpos físicos.

1. Seres espirituais criados.

Os anjos não existem desde sempre; else são parte do universo que Deus criou. Em uma passagem que se refere aos anjos como o “exército” dos céus, Esdras diz: “Só TU és o SENHOR. Fizeste os céus, e os mais altos céus, e tudo o que neles há, a terra e tudo o que nela existe, os mares e tudo o que neles existe. Tu deste vida a todos os seres, e os exércitos dos céus te adoram” (Ne 9.6; cf. Sl 148.2,5). Paulo nos diz que Deus criou todas as coisas “visíveis e invisíveis” por meio de Cristo e para ele, e a seguir inclui especificamente o mundo angélico com a frase “sejam tronos ou soberanias, poderes ou autoridades” (Cl 1.16).

Os anjos exercem juízo moral, como podemos perceber pelo fato de que alguns deles pecaram e caíram de seu estado original (2Pe 2.4; Jd 6) . Sua alta inteligência é vista por toda a Escritura à medida que else falam com as pessoas (Mt 28.5; At 12.6-11; etc.) e cantam louvores a Deus (Ap 4.11; 5.11).

Como os anjos são “espíritos” (Hb 1.14), ou criaturas espirituais, efetivamente else não possuem corpos físicos (em Lucas 24.39, Jesus diz: “um espírito não tem carne nem ossos, como vocês estão vendo que eu tenho”). Portanto, normalmente else não podem ser vistos por nós a menos que Deus nos dê a capacidade espiritual para vê-Los (Nm 22.3 1; 2Rs 6.17; Lc 2.13). Em suas atividades ordinárias de nos guardar e nos proteger (Sl 34.7; 91.11; Hb 1.14), bem como de se juntar conosco para a adoração de Deus (Hb 12.22), else são invisíveis. Contudo, em certas ocasiões anjos tomaram forma corporal para aparecer a várias pessoas na Escritura (Mt 28.5; Hb 13.2).

2.Outros nomes para os anjos.

A Escritura às vezes USA outros termos para os anjos, como “filhos de Deus” ( Jó 1.6; 2.1); “Santos” (Sl 89.5,7); “espíritos” (Hb 1.14),”sentinelas” (Dn 4.13,17,23), “tronos”, “soberanias”, “poderes”, “autoridades” (Cl 1.16) e”governos”(Ef 1.21).

3.Outras espécies de seres celestiais.

Existem outros três tipos específicos de seres celestiais mencionados na Escritura. Tanto se pensarmos neles como tipos especiais de “anjos” (no sentido mais amplo do termo) ou como seres celestiais distintos dos anjos, else são de qualquer forma seres espirituais criados que servem e adoram a Deus.

A. Os “Querubins”.

Aos querubins foi dada a tarefa de guardar a entrada do Jardim do Éden (Gn 3.24), e é dito que o próprio Deus está entronizado entre os querubins ou que viaja com os querubins como sua carruagem (Sl 18.10; Ez 10.1-22). Sobre a arca da aliança no AT estavam duas figuras douradas de querubins com suas asas estendidas acima da arca, e foi Ali que Deus prometeu vir morar entre o seu povo: “Ali, sobre a Tampa, no meio dos dois querubins que se encontram sobre a arca da aliança, eu me encontrarei com você e lhe darei todos os meus mandamentos destinados aos israelitas” (Êx 25.22; cf. V. 18-21).

B.Os “Serafins”.

Outro grupo de seres celestiais, os Serafins, é mencionado somente em Isaías 6.2-7, onde else continuamente adoram ao Senhor e dizem uns aos outros: “Santo, Santo, Santo é O SENHOR dos Exércitos, a terra inteira está cheia da sua glória” (Is 6.3)

C.Os seres viventes.

Tanto Ezequiel como Apocalipse falam-nos de outras espécies de seres celestiais conhecidos por “seres viventes” ao redor do trono de Deus (Ez 1.5-14; Ap 4.6-8). Parecidos com um leão , um boi , um homem e uma águia , são os representantes mais poderosos das várias partes da totalidade da criação de Deus (animais selvagens, animais domesticados, seres humanos e pássaros) e adoram a Deus continuamente: “Santo, Santo, Santo é o Senhor, o Deus todo-poderoso, que era, que é e que há de vir” (Ap 4.8).


4.Posição e ordem entre os anjos.

A Escritura indica que há uma hierarquia e ordem entre os anjos. Um anjo, Miguel, é chamado “arcanjo ” em Judas 9 , título que indica governo ou autoridade sobre outros anjos. Ele é chamado “um dos príncipes supremos” em Daniel 10.13. Miguel também parece ser o líder do exército angelical: “Houve então uma guerra nos céus. Miguel e seus anjos lutaram contra o dragão, e o dragão e os seus anjos revidaram. Mas estes não foram suficientemente fortes, e assim perderam o seu lugar nos céus” (Ap 12.7,8). E Paulo diz-nos que o Senhor retornará do céu “dada a ordem, com a voz do arcanjo” (lTs 4.16). Se essa menção se refere a Miguel, o único arcanjo mencionado, ou se há outros arcanjos, a Escritura não nos diz.

5. As pessoas possuem anjo da guarda pessoal?

A Escritura menciona claramente que Deus envia os seus anjos para a nossa proteção: “Porque a seus anjos ele dará ordens a seu respeito, para que o protejam em todos os seus caminhos; com as mãos eles o segurarão, para que você não tropece em alguma pedra” (Sl 91.11,12). Mas algumas pessoas vão além dessa idéia de proteção geral e pensam que Deus dá um “anjo da guarda” específico para cada indivíduo no mundo, ou ao menos para cada cristão. As palavras de Jesus a respeito dos pequeninos têm servido de apoio para essa idéia: “Pois eu lhes digo que os anjos deles nos céus estão sempre vendo a face de meu Pai celeste” (Mt 18.10). Contudo, nosso Senhor pode estar dizendo que os anjos designados para a tarefa de proteger as criancinhas têm pronto acesso à presença de Deus. (Para usar uma analogia esportiva, os anjos podem valer-se da marcação “por zona” em vez da marcação “homem a homem”.) Quando os discípulos em Atos 12.15 dizem que o “anjo” de Pedro devia estar batendo à porta, isso não implica necessariamente na crença do anjo da guarda individual. Poderia ser que um anjo estivesse guardando ou tomando conta de Pedro naquela situação específica. Parece não haver, entretanto, qualquer apoio convincente para a idéia de “anjos da guarda” individuais no texto da Escritura. Mas cremos que os anjos em geral têm a tarefa de proteger o povo de Deus.

6. O poder dos anjos.

Aparentemente os anjos têm poder muito grande. Eles são chamados “anjos poderosos, que obedecem à sua palavra” (Sl 103.20),”governo” (Ef 1.21) e ainda “poderes” e “autoridades” (Cl 1.16). Os anjos são aparentemente “maiores em força e poder” que os seres humanos rebeldes (2Pe 2.11; cf. Mt 28.2). Ao menos durante o tempo de sua existência terrena, a raça humana foi feita “um pouco menor do que os anjos” (Hb 2.7). Embora o poder dos anjos seja grande, ele não é certamente infinito, mas é usado para batalhar contra os poderes demoníacos do mal que estão sob o controle de Satanás (Dn 10.13; Ap 12.7,8; 20.1-3). Não obstante, quando o Senhor retornar, seremos elevados à posição mais alta que a dos anjos (lCo 6.3).

B. O lugar dos anjos no propósito de Deus

1. Os anjos mostram a grandeza do plano de Deus e de seu amor por nós.

Os seres humanos e os anjos são as únicas criaturas morais e altamente inteligentes que Deus criou. Portanto, podemos entender muita coisa a respeito do plano de Deus e de seu amor por nós quando nos comparamos com os anjos.

A primeira distinção a ser observada é que nunca é mencionado que os anjos foram criados a imagem de Deus, ao passo que diversas vezes é dito que os seres humanos foram criados à imagem de Deus (Gn 1.26,27; 9.6). Já que ser criado à imagem de Deus significa ser igual a Deus, parece justo concluir que somos mais parecidos com Deus que os anjos.

Isso é apoiado pelo fato de que Deus algum dia nos dará autoridade sobre os anjos, para julgá-los: “Vocês não sabem que haveremos de julgar os anjos?” (1 Co 6.3). Embora o ser humano tenha sido feito “um pouco menor do que os anjos” (Hb 2.7), quando a nossa salvação se completar seremos exaltados acima dos anjos e dominaremos sobre eles. De fato, mesmo agora os anjos já nos servem: “Os anjos não são, todos eles, espíritos ministradores enviados para servir aqueles que hão de herdar a salvação?” (Hb 1.14).

A capacidade dos seres humanos de gerar filhos iguais a si mesmos (“Adão gerou um filho à sua semelhança, conforme a sua imagem” Gn 5.3) é outro elemento de nossa superioridade sobre os anjos, que certamente não podem gerar filhos (cf. Mt 22.30; Lc 20.34-36).

A existência dos anjos também demonstra a grandeza do amor de Deus por nós, porque os anjos pecaram e nunca foram salvos. Pedro nos diz que “Deus não poupou anjos que pecaram, mas os lançou no inferno, prendendo-os em abismos tenebrosos a fim de serem reservados para o juízo” (2Pe 2.4). Judas diz que “quanto aos anjos que não conservaram suas posições de autoridade mas abandonaram sua própria morada, ele os tem guardado em trevas, presos com correntes eternas para o juízo do grande Dia” (Jd 6). E lemos em Hebreus: “Pois é claro que não é a anjos que ele ajuda, mas aos descendentes de Abraão” (Hb 2.16).

Vemos, portanto, que Deus criou dois grupos de criaturas morais inteligentes. Entre os anjos, muitos pecaram, mas Deus decidiu não remir nenhum deles. Foi perfeitamente justo Deus agir assim, e nenhum anjo pode jamais reclamar de ter sido tratado injustamente por Deus. Contudo, embora todos os seres humanos tenham pecado contra Deus e se apartado dele, Deus decidiu fazer muito mais que meramente satisfazer as demandas da sua justiça; ele decidiu salvar alguns seres humanos pecadores. De fato, ele decidiu redimir uma grande multidão da raça pecaminosa, que homem nenhum pode contar, “de toda tribo, língua, povo e nação” (Ap 5.9). Esse é um ato de amor e misericórdia incalculáveis, muito além de nossa compreensão. Tudo isso é favor imerecido; tudo isso é graça. O contraste notável com o destino dos anjos deixa clara essa verdade para nós.


2. Os anjos são prova de que o mundo invisível é real.

Exatamente como nos dias de Jesus os saduceus diziam que não havia ”ressurreição nem anjos nem espíritos” (At 23.8), muitas pessoas em nossos dias negam a realidade de qualquer coisa que não se possa ver. Mas o ensino bíblico sobre a existência dos anjos é a lembrança constante para nós de que há o mundo invisível que é muito real. Foi somente quando o Senhor abriu os olhos do servo de Eliseu para a realidade desse mundo invisível que o servo viu “as colinas cheias de cavalos e carros de fogo ao redor de Eliseu” (2Rs 6.17; esse era um grande exército angelical enviado a Dotã para proteger Eliseu dos arameus). O salmista também mostra a consciência do mundo invisível quando encoraja os anjos: “Louvem-no todos os seus anjos, louvem-no todos os seus exércitos celestiais” (Sl 148.2). O autor de Hebreus nos lembra de que, quando adoramos, vamos à Jerusalém celeste para nos reunir “aos milhares de milhares de anjos em alegre reunião” (Hb 12.22), a quem não vemos, mas cuja presença nos encherá de temor e alegria. O mundo incrédulo pode desprezar o tema dos anjos, considerando-os mera superstição, mas a Escritura oferece essas afirmações como a percepção da realidade tal qual ela é.


3. Os anjos são exemplos para nós.

Tanto na obediência como na adoração, os anjos proporcionam exemplos úteis para que os imitemos. Jesus nos ensina a orar: “ Seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu” (Mt 6.10). No céu a vontade de Deus é feita pelos anjos imediatamente, com alegria e sem qualquer questionamento. Devemos orar todos os dias para que a nossa obediência e a obediência dos outros seja igual à dos anjos no céu. O prazer deles é ser servos humildes de Deus, cada um realizando a tarefa, grande ou pequena, que lhe foi designada, com fidelidade e alegria. Nosso desejo e oração devem ser para que nós e todos os demais na terra façamos o mesmo.

Os anjos também servem como exemplo para nós na sua adoração a Deus. Os serafins perante o trono de Deus vêem Deus em sua santidade e continuam a clamar: “Santo, santo, santo é o SENHOR dos Exércitos, a terra inteira está cheia da sua glória” (Is 6.3). João vê ao redor do trono de Deus um grande exército angelical: “Então olhei e ouvi a voz de muitos anjos, milhares de milhares e milhões de milhões. Eles rodeavam o trono, bem como os seres viventes e os anciãos, e cantavam em alta voz: ‘Digno é o Cordeiro que foi morto de receber poder, riqueza, sabedoria, força, honra, glória e louvor!”' (Ap 5.11,12). Como os anjos encontram a sua mais alta alegria em louvar a Deus continuamente, não deveríamos também nos deleitar cada dia no cântico de louvor a Deus, considerando esse o mais alto e o mais digno uso de nosso tempo e nossa maior alegria?


4. Os anjos executam alguns dos planos de Deus .

A Escritura vê os anjos como servos de Deus que executam alguns de seus planos na terra. Eles trazem as mensagens de Deus às pessoas (Lc 1.11-19; At 8.26; 10.3-8,22; 27.23,24). Eles executam alguns dos juízos, trazendo pragas sobre Israel (2Sm 24.16,17), ferindo os líderes do exército assírio (2Cr 32.21), trazendo a morte ao rei Herodes porque ele não dera glória a Deus (At 12.23), ou derramando as taças da ira de Deus sobre a terra (Ap 16.1). Quando Cristo retornar, os anjos virão com ele como um grande exército acompanhando o seu Rei e Senhor (Mt 16.27; Lc 9.26; 2Ts 1.7).

Os anjos também patrulham a terra como representantes de Deus (Zc 1.10,11) e guerreiam contra as forças demoníacas (Dn l0.13;Ap 12.7,8). João,em sua visão, viu um anjo descendo do céu, e ele registra que o anjo “prendeu o dragão, a antiga serpente, que é o Diabo, Satanás, e o acorrentou por mil anos” (Ap 20.2,3). Quando Cristo retornar, um arcanjo proclamará a sua vinda (lTs 4.16; cf.Ap 18.1,2,21; 19.17,18; etc.).


5. Os anjos glorificam a Deus diretamente.

Os anjos também servem em outra função: eles ministram diretamente a Deus ao glorificá-lo. Assim, em adição aos seres humanos, há outras criaturas morais inteligentes que glorificam a Deus no universo.

Os anjos glorificam a Deus pelo que ele é em si mesmo, por sua excelência: “Bendigam o SENHOR, vocês, seus anjos poderosos, que obedecem à sua palavra” (SI 103.20; cf. 148.2).

Os serafins continuamente louvam a Deus por sua santidade (Is 6.2,3), assim como fazem os quatro seres viventes (Ap 4.8).

Os anjos também glorificam a Deus por seu grande plano de salvação à medida que o vêem revelado. Quando Cristo nasceu em Belém, uma multidão de anjos louvou a Deus dizendo: “Glória a Deus nas alturas, e paz na terra aos homens aos quais ele concede o seu favor” (Lc 2.14; cf. Hb 1.6) . Jesus nos diz: “há alegria na presença dos anjos de Deus por um pecador que se arrepende”(Lc 15.10), indicando que os anjos se regozijam cada vez que alguém se volta de seus pecados e confia em Cristo como Salvador.

Quando Paulo proclama o evangelho de forma que pessoas de diversas origens raciais, judeus e gregos, sejam trazidas à igreja, ele vê o plano sábio de Deus para a igreja como demonstração diante dos anjos (e demônios): “A intenção dessa graça era que agora, mediante a igreja, a multiforme sabedoria de Deus se tornasse conhecida dos poderes e autoridades nas regiões celestiais” (Ef 3.10). Pedro nos diz que “os anjos anseiam observar” (lPe 1.12) as glórias do plano de salvação enquanto ele se realiza na vida dos crentes individuais cada dia. Além disso, o fato de que na adoração da igreja as mulheres devem “ter sobre a cabeça um sinal de autoridade” pelo fato delas serem mulheres e “por causa dos anjos” (1 Co 11.10), indica que os anjos testemunham a vida dos cristãos e glorificam a Deus por nossa adoração e obediência.

C. Nossa relação com os anjos

1. Devemos estar cônscios dos anjos na vida diária.

A Escritura deixa claro que Deus quer que estejamos conscientes da existência de anjos e da natureza de sua atividade. Não devemos, portanto supor que seu ensino a respeito dos anjos não diga respeito à nossa vida hoje. Ao contrário, há diversas formas pelas quais nossa vida cristã será enriquecida por termos consciência da existência e ministério dos anjos no mundo, mesmo nos dias presentes.

Quando comparecemos diante de Deus em adoração, não nos juntamos simplesmente à grande companhia dos crentes que morreram e estão na presença de Deus no céu, os “espíritos dos justos aperfeiçoados” , mas também à grande multidão de anjos, “milhares de milhares de anjos em alegre reunião” (Hb 12.22,23). Embora não vejamos nem ouçamos normalmente nada como evidência de sua adoração celestial, certamente enriquece nosso senso de reverência e alegria na presença de Deus apreciarmos o fato de que os anjos se juntam a nós na adoração de Deus.

Além disso, devemos estar cônscios de que os anjos observam nossa obediência ou desobediência a Deus durante o dia. Mesmo se pensamos que nossos pecados são cometidos em segredo e não trazem tristeza a ninguém (exceto, obviamente, ao próprio Deus), devemos ser alertados pelo pensamento de que talvez centenas de anjos testemunhem nossa desobediência e se entristeçam. Por outro lado, quando estamos desencorajados e pensamos que a nossa obediência fiel a Deus não é testemunhada por ninguém e não oferece encorajamento a ninguém, podemos ser confortados pela percepção de que talvez centenas de anjos testemunhem nossa luta solitária, diariamente “anelando perscrutar” o caminho da grande salvação de Cristo que encontra expressão em nossa vida.

Tentando tornar a realidade da observação angelical de nosso serviço a Deus ainda mais vívida, o autor de Hebreus sugere que os anjos podem algumas vezes tomar forma humana, aparentemente para fazer “visitas de inspeção”, algo parecido com um crítico de restaurante enviado por um jornal que se disfarça e visita um novo restaurante. Lemos o seguinte: “Não se esqueçam da hospitalidade; foi praticando-a que, sem o saber, alguns acolheram anjos” (Hb 13.2; cf. Gn 18.2-5; 19.1-3). Isso deve nos tornar mais desejosos de ministrar às necessidades de pessoas a quem não conhecemos. Pois nos maravilharia se algum dia, ao entrarmos no céu, encontrássemos o anjo a quem ajudamos quando apareceu temporariamente como um ser humano em miséria aqui na terra.

Quando somos repentinamente libertos de um perigo ou miséria, devemos suspeitar de que anjos enviados por Deu nos ajudam, e devemos ser agradecidos por isso. Um anjo fechou a boca dos leões de modo que eles não causaram nenhum dano a Daniel (Dn 6.22), um anjo ministrou a Jesus no deserto em tempo de grande fraqueza, imediatamente após o término de suas tentações (Mt 4.11), um anjo livrou os apóstolos da prisão (At 5.19,20) e, mais tarde, um anjo libertou Pedro da prisão (At 12.7.11). A Escritura não promete que “a seus anjos ele dará ordens a seu respeito, para que o protejam em todos os seus caminhos; com as mãos eles o segurarão, para que você não tropece em alguma pedra” (S1 91.11,12)? Portanto, não devemos agradecer a Deus por enviar anjos para nos protegerem tais circunstâncias? Parece certo responder positivamente a essa pergunta.


2. Cuidados com respeito ao nosso relacionamento com os anjos.


a. Precavenha-se para não receber doutrina falsa dos anjos.

A Bíblia nos adverte contra recebermos doutrina falsa de supostos anjos: “Mas ainda que nós ou um anjo dos céus pregue um evangelho diferente daquele que lhes pregamos, que seja amaldiçoado!” (Gl 1.8). Paulo faz essa advertência porque sabe que há possibilidade de engano. Ele diz: “Isto não é de admirar, pois o próprio Satanás se disfarça de anjo de luz” (2Co 1 1.14). De modo semelhante,o profeta mentiroso que enganou o homem de Deus em lReis 13 disse: “Eu também sou profeta como você. E um anjo me disse por ordem do SENHOR: ‘Faça-o voltar com você para a sua casa para que coma pão e beba água”'(lRs 13.18). Todavia, o texto da Escritura imediatamente acrescenta no mesmo versículo: “Mas ele estava mentindo”.

Esses são exemplos de doutrina ou orientação falsa sendo transmitida por anjos ou pessoas assegurando que anjos lhes falaram. É interessante que esses exemplos mostram a possibilidade clara de engano satânico tentando-nos a desobedecer aos ensinos claros da Escritura ou às ordens claras de Deus (cf. lRs 13.9). Essas advertências devem guardar qualquer cristão de ser enganado, por exemplo, pelos ensinos dos mórmons, que dizem que o anjo Moroni falou a Joseph Smith e lhe revelou a base da religião mórmon. Tal “revelação” é contrária aos ensinos da Escritura em muitos pontos (com respeito a doutrinas como a Trindade, a pessoa de Cristo, a justificação pela fé somente, e muitas outras), e os cristãos devem ser advertidos para não aceitar tais declarações.

b. Não adore anjos, não ore a eles nem os procure .

A ”adoração de anjos” (Cl 2.18) era uma das doutrinas falsas ensinadas em Colossos. Além disso, no livro de Apocalipse um anjo adverte João para que ele não o adore: “Não faça isso! Sou servo como você e como os seus irmãos que se mantêm fiéis ao testemunho de Jesus. Adore a Deus!” (Ap 19.10).

Nem devemos orar aos anjos. Devemos orar a Deus somente, o único que é onipotente e, assim, capaz de responder à oração e o único que é onisciente e, portanto, capaz de ouvir as orações de todo o seu povo de uma só vez. Paulo nos adverte contra o pensamento de que outro “mediador” possa estar entre nós e Deus: “Pois há um só Deus e um só mediador entre Deus e os homens: o homem Cristo Jesus” (1Tm 2.5). Se oramos aos anjos, estamos implicitamente atribuindo-lhes posição igual à de Deus, o que não devemos fazer. Não há exemplo na Escritura de alguém orando a um anjo específico ou pedindo ajuda a anjos.

Além disso, a Escritura não nos autoriza a buscar aparições de anjos. Eles se manifestam a nós de forma que não os vemos. Buscar tais aparições parece indicar curiosidade doentia ou o desejo por uma espécie de evento espetacular em vez do amor a Deus e a devoção a ele e à sua obra. Embora os anjos tenham realmente aparecido em várias ocasiões na Escritura, com toda a certeza as pessoas a quem eles apareceram nunca procuraram essas aparições. Nosso papel é antes conversar com o Senhor, que é o próprio comandante das forças angelicais. Contudo, não parece errado pedir a Deus para cumprir a sua promessa em Salmos 91.11 de enviar anjos para proteger-nos em tempos de necessidade.


D. Demônios e sua origem

A discussão anterior nos leva naturalmente à consideração de Satanás e dos demônios, já que eles são anjos maus que anteriormente foram anjos bons, mas que pecaram e perderam o seu privilégio de servir a Deus. Iguais aos anjos, eles também são seres espirituais criados com juízo moral e com alta inteligência, mas sem corpos físicos. Podemos definir os demônios da seguinte e maneira: Os demônios são anjos maus que pecaram contra Deus e que agora operam continuamente o mal no mundo.

Quando Deus criou o mundo, ele “viu tudo o que havia feito, e tudo havia ficado muito bom” (Gn 1.3 1). Isso significa que mesmo o mundo angelical que Deus havia criado não possuía anjos maus nem demônios àquela altura. Mas, quando chegamos a Gênesis 3 , percebemos que Satanás, na forma de uma serpente, tentou Eva para que pecasse (Gn 3.1-5). Portanto, em um determinado tempo entre os eventos de Gênesis 1.31 e Gênesis 3.1 , deve ter havido uma rebelião no mundo angelical, com muitos anjos se voltando contra Deus e tornando-se maus.

O NT fala disso em dois lugares. Pedro nos diz que “Deus não poupou a anjos que pecaram, mas os lançou no inferno, prendendo-os em abismos tenebrosos a fim de serem reservados para o juízo” (2Pe 2.4) . Judas também diz que “quanto aos anjos que não conservaram suas posições de autoridade mas abandonaram sua própria morada, ele os tem guardado em trevas, presos com correntes eternas para o juízo do grande Dia” (Jd 6). Uma vez mais a ênfase recai sobre o fato de que eles são removidos da glória da presença de Deus e sua atividade é restringida (metaforicamente, eles estão em “correntes eternas”), mas o texto não sugere que a influência dos demônios tenha sido removida do mundo ou que alguns demônios sejam guardados em um lugar de punição à parte do mundo, enquanto outros são capazes de influenciá-lo.Ao contrário, tanto 2Pedro como Judas nos dizem que alguns anjos se rebelaram contra Deus e se tornaram oponentes hostis à sua palavra. O pecado deles parece ter sido o do orgulho, a recusa em aceitar seu lugar designado, pois eles “não conservaram suas posições de autoridade mas abandonaram sua própria morada” (Jd 6).

É também possível que haja uma referência à queda de Satanás, o príncipe dos demônios, em Isaías 14 . Conforme Isaías descreve o juízo de Deus sobre o rei da Babilônia (um rei humano, terreno), ele chega à seção onde começa a usar uma linguagem que parece forte demais para referir-se meramente a um ser humano:

Como você caiu dos céus, ó estrela da manhã, filho da alvorada! Como foi atirado à terra, você, que derrubava as nações! Você, que dizia no seu coração: ‘Subirei aos céus; erguerei o meu trono acima das estrelas de Deus; eu me assentarei no monte da assembléia, no ponto mais elevado do monte santo. Subirei mais alto que as mais altas nuvens; serei como o Altíssimo'. Mas às profundezas do Sheol você será levado, irá ao fundo do abismo! (Is 14.12-15; cf. Ez 28.11-19).

Essa linguagem de subir ao céu e assentar-se no trono acima das estrelas e dizer “serei semelhante ao Altíssimo” sugere enfaticamente a rebelião de uma criatura angélica de grande poder e (isso não significa que esses anjos pecaminosos não exerçam atualmente influência no mundo, pois no versículo 9 Pedro diz que o Senhor também “sabe livrar os piedosos da provação e manter em castigo os ímpios para o dia de juízo”, referindo-se aos seres humanos pecaminosos que obviamente ainda tinham influência no mundo e até causam problema para os leitores de Pedro. O versículo 4 simplesmente significa que os anjos ímpios haviam sido removidos da presença de Deus e permanecem guardados debaixo de alguma espécie de influência restritiva e até o juízo final, o que, entretanto, não anula a sua atividade contínua no mundo nesse meio-tempo.) dignidade. Não seria incomum para a linguagem profética hebraica passar das descrições de eventos humanos para descrições de eventos celestiais que lhes são paralelos e que os eventos da terra ilustram de modo limitado. Se assim for, então o pecado de Satanás é descrito como orgulho e tentativa de ser igual a Deus em posição e autoridade.


E. Satanás como cabeça dos demônios

“Satanás” é o nome pessoal do cabeça dos demônios. Esse nome é mencionado em Jó 1.6, onde “os anjos vieram apresentar-se ao SENHOR, e Satanás também veio com eles” (v. tb. Jó 1.7—2.7). Aqui ele aparece como o inimigo do Senhor que traz severas provações para Jó . De modo semelhante, ao final da vida de Davi, “Satanás levantou-se contra Israel e levou Davi a fazer um recenseamento do povo” (1 Cr 21.1). Além disso, Zacarias teve uma visão do “sumo sacerdote Josué diante do anjo do SENHOR, e Satanás, à sua direita, para acusá-lo” (Zc 3.1). O nome “Satanás” é uma palavra hebraica (s ãtãn) que significa “adversário” . O NT também usa o nome “Satanás”, tomando-o simplesmente do AT. Assim, Jesus, em sua tentação no deserto, fala a Satanás diretamente, dizendo: “Retire-se, Satanás!” (Mt 4.10), ou “Eu vi Satanás caindo do céu como relâmpago” (Lc 10.18).

A Bíblia usa também outros nomes para Satanás. Ele é chamado: “Diabo” (somente no NT: Mt 4.1; 13.39; 25.41; Ap 12.9; 20.2; etc.); ”serpente” (Gn 3.1,14; 2Co 11.3; Ap 12.9; 20.2); ”Belzebu” (Mt 10.25; 12.24,27; Lc 1 l.15); ”o príncipe deste mundo” (Jo 12.31; 14.30; 16.1 l), ”príncipe do poder do ar” (Ef 2.2), ou “o Maligno” (Mt 13.19; 1Jo 2.13). Quando Jesus diz a Pedro: “Para trás de mim, Satanás! Você é uma pedra de tropeço para mim, e não pensa nas coisas de Deus, mas nas dos homens” (Mt 16.23), ele reconhece que a tentativa de Pedro de tentar preservá-lo do sofrimento e da agonia da cruz é realmente uma tentativa de impedir Jesus de obedecer ao plano de seu Pai. Jesus percebe que a oposição, em última instância, não vinha de Pedro, mas do próprio Satanás.

F. A atividade de Satanás e dos demônios

1. Satanás foi o originador do pecado.

Satanás pecou antes de os seres humanos terem caído, como fica evidente no fato de que ele (na forma de uma serpente) tentou Eva (Gn 3.1-6; 2Co 11.3). O NT também nos informa que Satanás “foi homicida desde o princípio” e que ele é ”mentiroso e pai da mentira” (Jo 8.44). Ele diz igualmente que o Diabo “vem pecando desde o princípio” (lJo 3.8). Em ambos os textos, a frase “desde o princípio” não sugere que Satanás tenha sido mau desde o tempo em que Deus começou a criar o mundo (“desde o princípio do mundo”) ou desde o começo de sua existência (“do princípio de sua vida”), mas sim desde o começo da história do mundo (Gn 3 e mesmo antes). A característica do Diabo tem sido a de originar o pecado e a de induzir outros a pecar.

2. Os demônios se opõem e tentam destruir, toda obra de Deus.

Assim como Satanás induziu Eva a pecar contra Deus (Gn 3.1-6), ele também induziu Jesus a pecar para que falhasse na sua missão como Messias (Mt 4.1-11). As táticas de Satanás e seus demônios são as de usar as mentiras (Jo 8.44), o engano (Ap 12.9), o assassinato (Sl 106.37; Jo 8.44) e qualquer outra espécie de atividade destrutiva para provocar nas pessoas o abandono de Deus e a destruição delas próprias. Os demônios tentarão toda tática para cegar as pessoas para o evangelho (2Co 4.4) e mantê-las em escravidão às coisas que as impedem de vir a Deus (Gl 4.8). Eles também usarão tentação, dúvida, culpa, temor, confusão, doença, inveja, orgulho, calúnia ou quaisquer outros meios para impedir o testemunho e a utilidade dos cristãos.

3. Os demônios são limitados pelo controle de Deus e têm poder limitado.

A história de Jó deixa claro que Satanás poderia fazer somente o que Deus lhe deu permissão para fazer, e nada mais (Jó 1.12; 2.6). Os demônios estão presos “com correntes eternas” (Jd 6) e podem ser vitoriosamente rechaçados pelos cristãos por meio da autoridade que Cristo lhes dá (Tg 4.7: “ Resistam ao Diabo, e ele fugirá de vocês”).

Além disso, o poder dos demônios é limitado. Após rebelarem-se contra Deus, eles não têm o poder que tinham quando eram anjos, porque o pecado é influência enfraquecedora e destrutiva.

O poder dos demônios, embora significativo, é provavelmente menor que o poder dos anjos.

Na área do conhecimento, não devemos pensar que os demônios podem conhecer o futuro ou que eles possam ler nossa mente ou conhecer nossos pensamentos. Em muitos lugares no AT, o Senhor revela-se como o Deus verdadeiro em contraposição aos deuses (demoníacos) das nações pelo fato de que ele somente pode conhecer o futuro : “Lembrem-se das coisas passadas, das coisas muito antigas! Eu sou Deus, e não há nenhum outro; eu sou Deus, e não há nenhum como eu. Desde o início faço conhecido o fim, desde tempos remotos, o que ainda virá” (Is 46.9,10). Nem mesmo os anjos conhecem o tempo do retorno de Jesus (Mc 13.32) , e também não há indicação na Escritura de que eles ou os demônios conheçam qualquer outra coisa a respeito do futuro.

Com respeito a conhecer os nossos pensamentos, a Bíblia nos diz que Jesus conhecia os pensamentos das pessoas (Mt 9.4; 12.25; Mc 2.8; Lc 6.8; 11.17) e que Deus conhece os pensamentos das pessoas (Gn 6.5; Sl 139.2,4,23; Is 66.18), mas não há indicação de que anjos ou demônios possam conhecer os nossos pensamentos. De fato, Daniel disse ao rei Nabucodonosor que nenhuma pessoa falando por outro poder que não o de Deus poderia dizer ao rei o que ele havia sonhado (v. Dn 2.27,28). Mas se os demônios não podem ler a mente das pessoas, como haveremos de entender os relatórios recentes dos bruxos, dos que lêem a sorte ou de outros evidentemente sob influência demoníaca que são capazes de dizer às pessoas os detalhes de sua vida que elas pensavam que ninguém sabia, como, por exemplo, o que haviam comido no café da manhã ou onde haviam guardado secretamente algum dinheiro em sua casa? A maioria dessas coisas pode ser explicada pela percepção de que os demônios podem observar o que acontece no mundo e, provavelmente, deduzir algumas conclusões de suas observações. Um demônio pode saber o que eu comi no café-da-manhã simplesmente por me ver tomando o café-da-manhã! Ele pode saber o que eu disse em uma conversa particular de telefone porque ele ouviu a minha conversa. Os cristãos não devem deixar-se iludir se encontrarem membros do ocultismo ou de outras falsas religiões que parecem demonstrar tal conhecimento de vez em quando. Esses resultados da observação não provam que os demônios possam ler os nossos pensamentos e nada na Bíblia nos leva a pensar que eles tenham esse poder.


G. Nossa relação com os demônios


1. Os demônios são ativos no mundo hoje?

Algumas pessoas, influenciadas pela cosmovisão naturalista que somente admite a realidade do que pode ser visto, tocado ou ouvido, negam que os demônios existam hoje. Eles sustentam que anjos e demônios são simplesmente mitos que pertencem à cosmovisão obsoleta ensinada na Bíblia e em outras culturas antigas.

Se, entretanto, a Escritura nos dá o relato verdadeiro do mundo como ele realmente é, então temos de levar a sério sua descrição do intenso envolvimento demoníaco na sociedade humana. Nosso compromisso com os cinco sentidos meramente nos diz que temos algumas deficiências em nossa capacidade de entender o mundo, mas não que os demônios não existam. De fato, não há razão alguma para pensar que há menos atividade demoníaca no mundo hoje do que houve no tempo do NT. Estamos no mesmo período do plano global de Deus para a história (a época da igreja ou a época da nova aliança), e o milênio, quando a influência de Satanás será removida da terra, ainda não veio. Da perspectiva bíblica, a recusa da sociedade moderna em reconhecer a presença da atividade demoníaca hoje deve-se simplesmente à cegueira das pessoas para a verdadeira natureza da realidade.

Mas em que espécie de atividade os demônios estão envolvidos hoje? Há algumas características distintivas que vão nos capacitar a reconhecer a atividade demoníaca quando ela ocorrer?


2. Nem todo mal epecadopro cedem de Satanás e demônios, mas em alguns casos sim.

Se temos a visão da ênfase global das cartas do NT, percebemos que pouco espaço é dado à discussão da atividade demoníaca na vida dos crentes ou aos métodos para resistir e se opor a tal atividade. A ênfase é dizer aos crentes para não pecar, mas viver retamente. Por exemplo, em lCoríntios , quando há o problema das “divisões”, Paulo não diz à igreja para repreender o espíri to de divisão , mas simplesmente incita-os a viver concordemente e a serem “unidos num só pen samento e num só parecer” (lCo 1.10). Quando há um problema de incesto, ele não diz aos coríntios para repreenderem um espírito de incesto, mas diz que eles exercessem disciplina para que o ofensor se arrependesse (lCo 5.l-5). Esses exemplos poderiam ser duplicados muitas vezes em outras cartas do NT.

Portanto, embora o NT claramente reconheça a influência da atividade demoníaca no mundo, e mesmo, como veremos, sobre a vida dos crentes, seu foco primário a respeito do crescimento cristão não é a atividade demoníaca, mas as escolhas e ações feitas pelos cristãos (v. tb. Gl 5.16-26; Ef 4.1—6.9; Cl 3.1—4.6 etc.). Similarmente, esse deveria ser o foco principal de nossos esforços hoje, quando lutamos por crescer em santidade e fé, para vencer desejos e ações pecaminosos que permanecem em nossa vida (cf. Rm 6.1-23) e superar as tentações que vêm contra nós provenientes do mundo descrente (lCo 10.13). Precisamos aceitar nossa responsabilidade de obedecer ao Senhor e não culpar as forças demoníacas por nossos atos errados.

Não obstante, várias passagens mostram que os autores do NT estavam definitivamente cônscios da presença da influência demoníaca no mundo e na vida dos cristãos. Paulo advertiu Timó teo que nos últimos dias alguns “abandonarão a fé e seguirão espíritos enganadores e doutrinas de demônios” (1Tm 4.1) e que isso levaria a idéias de proibir o casamento e proibir certas comidas (v. 3), coisas boas que Deus criou para serem recebidas com ações de graça (v. 4). Portanto, ele considerou alguns ensinos falsos como de origem demoníaca. Em 2Timóteo , Paulo sugere que os que se opunham à sã doutrina eram mantidos em cativeiro pelo demônio para cumprirem a vontade dele: “Ao servo do Senhor não convém brigar mas, sim, ser amável para com todos, apto para ensinar, paciente. Deve corrigir com mansidão os que se lhe opõem, na esperança de que Deus lhes conceda o arrependimento, levando-os ao conhecimento da verdade, para que assim voltem à sobriedade e escapem da armadilha do Diabo, que os aprisionou para fazerem a sua vontade” (2Tm 2.24-26).

Semelhantemente Jesus havia asseverado que os judeus que tinham se oposto de modo obstinado a ele estavam seguindo ao seu pai, que é o Diabo: “Vocês pertencem ao pai de vocês, o Diabo, e querem realizar o desejo dele. Ele foi homicida desde o princípio e não se apegou à verdade, pois não há verdade nele. Quando mente, fala a sua própria língua, pois é mentiroso e pai da mentira” (Jo 8.44).

Em sua primeira carta João salienta que os atos hostis dos descrentes têm influência demoníaca ou possuem às vezes origem demoníaca. Ele faz uma afirmação geral dizendo que “aquele que pratica o pecado é do Diabo” (1Jo 3.8), e continua dizendo: “Desta forma sabemos quem são os filhos de Deus e quem são os filhos do Diabo: quem não pratica a justiça não procede de Deus, tampouco quem não ama seu irmão” (lJo 3.10). Aqui João caracteriza todos os que não são nascidos de Deus como filhos do Diabo e sujeitos à sua influência e desejos.

Quando combinamos todas essas afirmações, vemos que Satanás é visto como o originador das mentiras, dos assassínios, do engano, do falso ensino e do pecado em geral. Por causa disso, parece razoável concluir que o NT quer que entendamos que há algum grau de influência demoníaca em todas as coisas erradas e pecados que ocorrem hoje. Nem todo pecado é causado por Satanás ou pelos demônios, nem a atividade demoníaca é a principal influência ou a causa do pecado, mas a atividade demoníaca é provavelmente um elemento presente em quase todo pecado e em quase toda atividade destrutiva que se opõe à obra de Deus no mundo hoje.

Na vida dos cristãos, como já observamos, a ênfase do NT não é sobre a influência dos demônios, mas sobre o pecado que permanece na vida deles. No entanto, devemos reconhecer que o pecado (mesmo para os cristãos) oferece ponto de apoio para alguma espécie de influência demoníaca em nossa vida. Assim, Paulo pôde dizer: “‘Quando vocês ficarem irados, não pequem'. Apazigúem a sua ira antes que o sol se ponha, e não dêem lugar ao Diabo” (Ef 4.26,27). A ira pecaminosa aparentemente pode dar oportunidade para o Diabo (ou demônios) exercer alguma influência negativa em nossa vida — talvez atacando-nos na área de nossas emoções ou talvez por aumentar a ira pecaminosa que já sentimos contra outras pessoas. Semelhantemente, Paulo menciona “a couraça da justiça” (Ef 6.14) como parte da armadura que temos de usar contra “as ciladas do Diabo” e na luta “contra os poderes e autoridades, contra os dominadores deste mundo de trevas, contra as forças espirituais do mal nas regiões celestiais” (Ef 6.11,12). Se possuirmos áreas de contínuo pecado em nossa vida, há fraquezas e buracos em nossa “couraça da justiça”, e nessas áreas é que somos vulneráveis ao ataque demoníaco. Jesus, ao contrário, que estava perfeitamente livre do pecado, pôde dizer de Satanás: “Ele não tem nenhum direito sobre mim” (Jo 14.30). Podemos também observar a conexão em lJoão 5.18 entre não pecar e não ser tocado pelo maligno: “Sabemos que todo aquele que é nascido de Deus não está no pecado;6 aquele que nasceu de Deus o protege, e o Maligno não o atinge”.


3. O cristão pode ser possuído pelo demônio?

O termo “possessão demoníaca” é um termo infeliz que aparece em algumas traduções da Bíblia, mas não reflete realmente o texto grego. O NT grego pode falar de pessoas que “têm demônio” (Mt 11.18; Lc 7.33; 8.27; Jo 7.20; 8.48,49,52; 10.20), ou pode falar de pessoas que estão sofrendo por causa de influência demoníaca (a expressão grega é daimonizomai ), porém a Bíblia nunca usa uma linguagem que sugira que um demônio realmente “possui alguém”.

O problema com ambos os termos, possessão demoníaca e endemoninhado, é que eles conotam uma influência demoníaca tão forte que parece insinuar que a pessoa que está sob o ataque demoníaco não tem escolha senão sucumbir ao demônio. Eles sugerem que a pessoa não mais é capaz de exercer sua vontade e está completamente sob domínio do espírito mau. Embora isso possa ser verdade em casos extremos, como o do endemoninhado de Gadara (v. Mc 5.1-20; observe que, após Jesus ter expulsado os demônios, ele ficou “em perfeito juízo”, v. 15), certamente não é o que acontece em muitos casos de ataque demoníaco ou conflito com demônios na vida de diversas pessoas. Assim, como responderemos à pergunta “Um crente pode ser possuído pelo demônio?”. Embora a minha preferência não seja, de forma alguma, o uso do termo possessão demoníaca seja qual for a situação, a resposta a essa pergunta dependerá do que se quer dizer por “possessão demoníaca”. Se por ela se entende que a vontade de uma pessoa fica completamente dominada por um demônio, de forma que essa pessoa não tenha nenhum poder de escolha para fazer o certo e obedecer a Deus, então a resposta com respeito ao cristão ser possuído pelo demônio é negativa, porque a Escritura assegura que o pecado não terá domínio sobre nós, já que fomos ressuscitados com Cristo (Rm 6.14; v. tb. v. 4,11).

A maioria dos cristãos, por outro lado, concorda que pode haver diferentes graus de ataque ou influência demoníaca na vida dos crentes. O crente pode em certas ocasiões ficar sob ataque demoníaco mais forte ou mais suave. (Observe a “filha de Abraão” a quem Satanás mantinha encurvada por dezoito anos de forma que, por causa desse espírito de enfermidade, ela não podia endireitar-se [Lc 13.11,16].) Embora os cristãos após o Pentecoste tenham poder mais pleno [A palavra daimonizomai, que pode ser traduzida por “estar sob a influência demoníaca” ou estar endemoninhados, ocorre treze vezes no NT, todas elas nos evangelhos (Mt 4.24; 8.16,28,33; 9.32; 12.22; 15.22 [“endemoninhada”]; Mc 1.32; 5.15,16,18; Lc 8.36; Jo 10.21). Todos esses exemplos parecem indicar a influência demoníaca muito grave. À luz disso, talvez seja melhor reservar a palavra endemoninhado para casos mais extremos ou graves. A palavra endemoninhado parece-me sugerir influência ou controle demoníaco muito forte. (V. outras palavras similares com o sufixo “izado”: pasteurizado, homogeneizado, tiranizado, materializado, nacionalizado etc. Todas essas palavras falam de uma transformação total no objeto a que se referem, não apenas de uma influência moderada ou suave.) Mas tornou-se comum em parte da literatura cristã de hoje descrever pessoas sob qualquer espécie de ataque do maligno como “endemoninhado”. Seria mais sábio reservar o termo para casos mais graves de influência demoníaca, a fim de que nossa linguagem não sugira uma influência mais forte do que realmente ocorre.] do Espírito Santo trabalhando dentro deles para capacitá-los a triunfar sobre os ataques demoníacos, eles nem sempre invocaram esse poder ou nem mesmo conheceram a respeito do poder que por direito lhes pertence. Faríamos bem em evitar a categorização dessa influência com os termos possessão demoníaca (assim como outros termos como oprimido ou atormentado), para simplesmente reconhecer que pode haver graus variados de ataque ou de influência demoníaca sobre pessoas, mesmo sobre cristãos, e não acrescer mais nada. Em todos os casos, o remédio será sempre o mesmo: repreenda o demônio em nome de Jesus e ordene que saia.


4. Jesus concede a todos os crentes a autoridade para repreender os demônios e para ordenar-lhes que saiam.

Quando Jesus enviou os doze discípulos adiante dele para pregar o Reino de Deus, ”deu-lhes poder e autoridade para expulsar todos os demônios” (Lc 9.1). Após os setenta terem pregado sobre o Reino de Deus nas cidades e aldeias, eles retornaram com alegria, dizendo: ”Senhor, até os demônios se submetem a nós, em teu nome” (Lc 10.17) , e Jesus lhes disse: ”Eu lhes dei autoridade [...] sobre todo o poder do inimigo”(Lc 10.19). Quando Filipe, o evangelista, desceu para Samaria para pregar o evangelho de Cristo , ”os espíritos imundos saíam de muitos, dando gritos” (At 8.7), e Paulo usou a autoridade espiritual sobre os demônios para dizer ao espírito de adivinhação que estava em uma jovem adivinhadora: “Em nome de Jesus Cristo eu lhe ordeno que saia dela!” (At 16.18).

Paulo estava cônscio da autoridade espiritual que possuía, tanto nos encontros face a face como o de Atos 16 , como também em sua vida de oração. Ele disse: “Pois, embora vivamos como homens, não lutamos segundo os padrões humanos. As armas com as quais lutamos não são humanas; ao contrario, são poderosas em Deus para destruir fortalezas” (2Co 10.3,4). Além disso, ele falou em alguma medida da luta que os cristãos têm contra “as ciladas do Diabo” em sua descrição do conflito “contra as forças espirituais do mal nas regiões celestiais” (v. Ef 6.10-18). Tiago fala a todos os seus leitores (em muitas igrejas): “Resistam ao Diabo, e ele fugirá de vocês” (Tg 4.7). Semelhantemente, Pedro diz a seus leitores em muitas igrejas na Ásia Menor: “Estejam alertas e vigiem. O Diabo, o inimigo de vocês, anda ao redor como leão, rugindo e procurando a quem possa devorar. Resistam-lhe, permanecendo firmes na fé” (lPe 5.8,9).

É importante que reconheçamos que a obra de Cristo na cruz é a base definitiva para a nossa autoridade sobre os demônios. Embora Cristo tenha ganho a vitória sobre Satanás no deserto, as cartas do NT apontam para a cruz como o momento em que Satanás foi definitivamente derrotado. Jesus assumiu a natureza humana (carne e sangue) “para que, por sua morte, derrotasse aquele que tem o poder da morte, isto é, o Diabo” (Hb 2.14). Na cruz, Deus, “tendo despojado os poderes e as autoridades, fez deles um espetáculo público, triunfando sobre eles na cruz” (Cl 2.15). Portanto, Satanás odeia a cruz de Cristo, porque lá ele foi inquestionavelmente derrotado para sempre. Por causa da morte de Cristo na cruz, nossos pecados são perdoados por completo, e Satanás não possui autoridade nem direito sobre nós.

[É bom acrescentar que, se há algum pecado específico que tenha dado lugar à influência do demônio, o pecado deve ser confessado e abandonado (v. anteriormente). Mas nem todo ataque demoníaco pode ser ligado a pecado específico, já que o próprio Jesus foi severamente tentado por Satanás, como aconteceu com Eva antes da queda].

Ainda mais, nossa posição como filhos na família de Deus é a posição espiritual firme pela qual lutamos em nossa batalha espiritual. Paulo diz a todo cristão: “Todos vocês são filhos de Deus mediante a fé em Cristo Jesus” (Gl 3.26). Quando Satanás vem para atacar-nos, ele está atacando um dos filhos do próprio Deus, um membro da família divina. Essa verdade dá-nos autoridade para derrotá-lo e enfrentar a guerra contra ele com muito sucesso.

Se como crentes achamos apropriado falar uma palavra de repreensão ao demônio, é importante que nos lembremos de que não precisamos temer os demônios. Embora Satanás e os demônios tenham muito menos poder que o Espírito Santo que opera dentro de nós, uma das táticas de Satanás é tentar causar medo em nós. Em vez de ceder a tal temor, os cristãos devem lembrar as verdades da Escritura, que nos dizem: ”Filhinhos, vocês são de Deus e os venceram, porque aquele que está em vocês é maior do que aquele que está no mundo” (lJo 4.4); e: “Pois Deus não nos deu um espírito de covardia, mas de poder, de amor e de equilíbrio” (2Tm 1.7). Paulo diz aos efésios que em sua batalha espiritual eles devem usar o “escudo da fé”, para que possam “apagar todas as setas inflamadas do Maligno” (Ef 6.16). Isso é muito importante, visto que o oposto do temor é a fé em Deus. Ele também lhes diz para serem intrépidos em sua luta espiritual, de forma que, tendo tomado toda a armadura de Deus, pudessem “resistir no dia mau e permanecer inabaláveis, depois deterem feito tudo” (Ef 6.13). Paulo diz que os cristãos, em seu conflito contra as forças espirituais hostis, não devem bater em retirada ou se encolher de medo, mas permanecer intrepidamente no seu lugar, sabendo que suas armas e sua armadura “não são humanas; ao contrário, são poderosas em Deus para destruir fortalezas” (2Co 10.4; cf. lJo 5.18).

Na realidade, essa autoridade de repreender demônios pode resultar em uma breve ordem ao espírito maligno para ir embora quando suspeitamos da presença de influência demoníaca em nossa vida pessoal ou na vida dos que nos cercam. Devemos resistir ao Diabo (Tg 4.7), e ele fugirá de nós. Há ocasiões em que uma breve ordem no nome de Jesus será suficiente. Outras vezes será de grande utilidade citar as Escrituras no processo de ordenar ao espírito para que abandone aquela situação. Paulo fala da “ espada do Espírito, que é a palavra de Deus” (Ef 6.17) . E Jesus, quando foi tentado por Satanás no deserto, repetidamente citou as Escrituras em resposta às tentações do Diabo (Mt 4.1-11). Entre os textos apropriados da Escritura podem ser incluídas afirmações gerais do triunfo de Jesus sobre Satanás (Mt 12.28,29; Lc 10.17-19; 2Co 10.3,4; Cl 2.15; Hb 2.14; Tg 4.7; lPe 5.8,9; lJo 3.8; 4.4; 5.18), mas também versículos relacionados diretamente à tentação particular ou dificuldade iminente.

É importante lembrar que o poder de expulsar demônios não vem da nossa força ou do poder de nossa própria voz, mas do Espírito Santo (Mt 12.28; Lc 11.20) . Além disso, Jesus emite uma advertência clara de que não devemos nos regozijar demais ou nos tornar orgulhosos de nosso poder sobre os demônios, mas que antes devemos nos regozijar em nossa grande salvação. Devemos manter isso claro em nossa mente para que não nos tornemos orgulhosos e o Santo Espírito não venha a retirar de nós esse poder. Quando os setenta discípulos retornaram com alegria dizendo: “Senhor, até os demônios se submetem a nós, em teu nome” (Lc 10.17), Jesus lhes disse: “Contudo, alegrem-se, não porque os espíritos se submetem a vocês, mas porque seus nomes estão escritos nos céus” (Lc 10.20). Devemos viver na expectativa de o evangelho vir com poder para triunfar sobre as obras do Diabo. Quando Jesus veio pregando o evangelho na Galiléia, “de muitas pessoas saíam demônios” (Lc 4.41). Quando Filipe foi a Samaria para pregar o evangelho, “os espíritos imundos saíam de muitos, dando gritos” (At 8.7). Jesus comissionou Paulo para pregar entre os gentios “para abrir-lhes os olhos e convertê-los das trevas para a luz, e do poder de Satanás para Deus, a fim de que recebam o perdão dos pecados e herança entre os que são santificados pela fé em mim” (At 26.18). Segundo Paulo, sua mensagem e pregação “não consistiram de palavras persuasivas de sabedoria, mas consistiram de demonstração do poder do Espírito, para que a fé que vocês têm não se baseasse na sabedoria humana, mas no poder de Deus” (lCo 2.4,5; cf. 2Co 10.3,4). Se realmente cremos no testemunho da Escritura a respeito da existência e da atividade dos demônios e se realmente cremos que “para isso o Filho de Deus se manifestou: para destruir as obras do Diabo” (lJo 3.8), então parece apropriado esperar que mesmo hoje, quando o evangelho é proclamado a descrentes e quando a oração é feita por crentes que talvez não estejam conscientes desta dimensão de conflito espiritual, poderá haver triunfo genuíno e muitas vezes imediatamente reconhecível sobre o poder do inimigo. Devemos esperar que essa vitória aconteça, imaginá-la como parte normal da obra de Cristo no desenvolvimento do seu Reino e nos regozijar nela.