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segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Cronologia da vida do apóstolo Paulo


Cronologia da vida do apóstolo Paulo

O que se conhece acerca da vida de Paulo encontra-se somente em Atos e em seus escritos antigos, conforme preservados no Novo Testamento. Assim, muito pouco se conhece acerca de Paulo antes de seu aparecimento em Atos 7:58. Para se ter informação sobre seus primeiros anos, é necessário colher-se os poucos dados disponíveis do Novo Testamento e interpolar-se nestes dados o que se conhece acerca da época em que Paulo viveu, um rapaz judeu da diáspora que recebera treinamento rabínico em Jerusalém.

A palavra que Lucas usou para apresentar Paulo a seus leitores em Atos 7:58 pode referir-se a qualquer pessoa do sexo masculino de até quarenta anos de idade. Isto indicaria que Paulo nasceu próximo ao início da era cristã. O pai de Paulo, judeu da tribo de Benjamim (Fil. 3:5) e fariseu (At. 23:6), era cidadão romano que vivia no importante centro metropolitano de Tarso, na Cilícia, Ásia Menor. A cidade era um centro de educação, superado no tempo de Paulo somente por Atenas e Alexandria. Como seu pai era cidadão romano, Paulo herdou essa cidadania. Dentro do círculo da família, ele teria recebido suas primeiras instruções religiosas de seus pais e, um pouco mais tarde, teria freqüentado a escola da sinagoga local, como qualquer criança judia. Talvez ele também tenha freqüentado uma das muitas universidades de Tarso, para obter uma educação mais formal nos princípios de retórica, lógica e filosofia. Isto, contudo, é somente conjetura baseada na maneira pela qual Paulo demonstrou, em suas cartas, sua familiaridade com a argumentação filosófica vigente. Ele tinha dois nomes dados, um em latim (Paulus), que denotaria sua cidadania legal romana, e o outro em hebraico (Saulo), que seria usado na família e nos círculos judaicos. O nome em grego é uma transliteração do nome latino, e não uma tradução do nome hebraico. Dos irmãos e irmãs de Paulo, sabe-se somente que ele tinha uma irmã morando em Jerusalém na ocasião de sua prisão lá (At. 23:16).

Em certa época, nos anos iniciais de Paulo, ele foi enviado a Jerusalém para estudar a lei rabínica, sob a orientação do bem conhecido Mestre Gamaliel (At. 22:3). Pareceria que Paulo estava em Jerusalém durante o ministério ativo e a ocasião da morte de Jesus. Contudo, Paulo não dá certeza se viu Jesus nos dias em que esteve em carne (II Cor. 5:16). Houve muita discussão acerca de se Paulo foi casado alguma vez. Pelo fato de que era necessário um rabi ser casado e era uma vergonha um adulto não ser casado, é mais provável que Paulo fora casado. Contudo, porque não há nenhuma referência em suas cartas acerca de uma esposa, é lógico pressupor-se que ela morrera antes da perseguição ativa, de Paulo, da igreja, conforme registrado em Atos 8. Alguns interpretaram as palavras de Paulo em Atos 26:10 "...dei o meu voto contra eles quando os matavam" — como significando que Paulo fora um membro do Sinédrio. Estas palavras dificilmente significam nada mais que Paulo concordava com o julgamento do conselho. Um "mancebo" (At. 7:58) dificilmente pertenceria a um conselho de "anciãos" (At. 5:21). Em nenhuma parte, em suas cartas, Paulo sugere que tenha sido membro da corte suprema judaica. Atos 9:1,2 e 22:5 apresentam Paulo como sendo mais um funcionário que membro do Sinédrio.



Em Atos, Paulo aparece pela primeira vez na ocasião da morte de Estevão. Foi o zelo farisaico de Paulo pelas "tradições dos pais" que o levou a um conflito severo com os seguidores de Jesus (Fil. 3:5-9). Ele era um dos líderes, e, provavelmente, o mais ardoroso, na perseguição inicial da igreja pelos líderes religiosos judeus. Quando os crentes fugiram de Jerusalém, Paulo pediu e recebeu permissão do sumo sacerdote para procurar e prender os cristãos que ele esperava encontrar em Damasco (At. 9:1,2). Como fariseu leal e consciencioso, Paulo realmente pensava que estivesse fazendo a Deus um serviço ao tentar destruir a nova seita blasfema (At. 22:3; 26:9; ver João 16:2, onde Jesus havia predito tal ação).

A conversão de Paulo na estrada para Damasco deve ter sido vista por Lucas como um dos mais importantes acontecimentos do cristianismo primitivo. Há três narrativas deste evento em Atos: uma narrada por Lucas (9:3-19) e duas por Paulo (22:6-16; 26:12-18). Embora haja algumas variações em cada uma das narrativas, estas podem ser explicadas pelo propósito de cada narrativa e a audiência para a qual cada uma foi pretendida. O elemento importante é que a experiência na estrada de Damasco transformou Paulo de um perseguidor fanático da igreja em seu mais ardente e capaz defensor e propagador.

De Gálatas (1:17,18) sabe-se que Paulo passou algum tempo em Damasco, foi para a Arábia e retornou a Jerusalém depois de três anos. Ele foi recebido com suspeita pelos irmãos de Jerusalém, até que Barnabé o aceitou e apresentou aos apóstolos (At. 9:26,27). Uma trama dos judeus helenizantes contra sua vida fez a igreja persuadi-lo a deixar Jerusalém. Ele assim o fez, e foi para sua cidade de Tarso (At. 9:28-30). Dos anos passados em Tarso nada se sabe. Possivelmente uns dez anos foram passados lá. Esses anos são chamados os "anos de silêncio" do ministério de Paulo.

Lucas registra que Barnabé, enviado pela igreja em Jerusalém a Antioquia da Síria, foi a Tarso para obter a ajuda de Paulo em seu trabalho entre os gentios de Antioquia (At. 11:25). Atos 11:27-30 também registra uma "visita na época da fome" a Jerusalém por Paulo e Barnabé, que não é mencionada em mais nenhuma parte no Novo Testamento. Os anos de fome ocorreram nos dias de Cláudio César (41:54 d.C.) e por volta da época da morte de Herodes Agripa I (44 d.C). Há vários problemas críticos sobre a harmonização de Atos 11-12 com Gálatas 2, mas estes serão discutidos no capítulo sobre Gálatas. Neste ponto pressupõe-se que Gálatas 2 se refere à viagem de Paulo a Jerusalém, conforme apresentada em Atos 15.

Depois de terem retornado de Antioquia, Paulo e Barnabé foram enviados para fazerem o que é Comumente chamado a "Primeira Viagem Missionária" (At. 13:1-14:28). Esta viagem de fundação de igrejas foi limitada à Ilha de Chipre e às regiões da Ásia Menor sul-central, conhecidas como Panfília, Pisídia, Licaônia e Lícia. Isto foi identificado por W. Ramsay, como parte da província romana da Galácia. Ao retornarem a Antioquia, para relatar sobre seu trabalho, Atos expõe o problema que os levou à Jerusalém, conforme Atos 15. Este mesmo acontecimento é apresentado em Gálatas 2:1 como tendo acontecido quatorze anos após a saída apressada de Paulo daquela cidade, para Tarso. Atos 15 e Gálatas têm tantos dados em comum que pouca dúvida pode haver de as duas passagens se referirem à mesma ocorrência. Supondo-se que as referências de Paulo são das viagens que ele fez a Jerusalém, para consultar os apóstolos lá, na ocasião, é mais provável que a visita de Atos 11-12 não foi mencionada em Gálatas. Tendo obtido a aprovação da igreja em Jerusalém, sobre seu trabalho entre os gentios Paulo e Barnabé retornaram a Antioquia e passaram mais algum tempo lá (At. 15:35). Este escritor crê que foi durante sua estadia em Antioquia antes da Segunda Viagem Missionária que Paulo escreveu a Epístola aos Gálatas. Outra vez, a data da escrita de Gálatas será discutida no capítulo sobre esse livro.

Na Segunda Viagem Missionária (At. 15:36-18:22), Paulo e Silas visitaram as igrejas anteriormente estabelecidas e viajaram para Trôade. Impedidos, pelo Espírito Santo, de evangelizarem mais na Ásia Menor, eles atravessaram para a Europa e fundaram igrejas na Macedônia e em Acaia. Quando esteve em Corinto (Acaia), Paulo entrou em contato com Priscila e Áqüila, judeus cristãos que haviam recentemente sido expulsos de Roma por Cláudio. O edito de expulsão foi ordenado no nono ano do reinado de Cláudio (cerca de 49 d.C). Foi de Corinto que Paulo escreveu as duas cartas à igreja de Tessalônica (na Macedônia). Depois de dezoito meses em Corinto, Paulo foi acusado por judeus descrentes perante Gálio, o novo procônsul romano. Gálio chegou a Corinto por volta de 51 d.C, para assumir suas funções. Paulo foi inocentado das acusações trazidas contra ele e, após passar um pouco mais de tempo em Corinto, viajou, via Éfeso e Jerusalém, para Antioquia da Síria, chegando na primavera de 52 d.C.

A narrativa da Terceira Viagem Missionária é transferida quase que inteiramente para o ministério de três anos de Paulo em Éfeso (At. 19). Quando em Éfeso, Paulo escreveu pelo menos três cartas à igreja em Corinto: uma carta perdida (referida em I Cor. 5:9), a I Coríntios canônica, e uma carta "angustiosa" (referida em II Cor. 2:4; 7:8). De II Coríntios (12:14; 13:1), sabe-se que Paulo fez uma rápida visita a Corinto e voltou a Éfeso. Deixando Éfeso após o tumulto, Paulo foi para Trôade e depois para a Macedônia. Lá ele escreveu II Coríntios. prosseguindo para Corinto, Paulo escreveu Romanos, na antecipação de visitar Roma em seu caminho para a Espanha, depois de levar uma oferta aos santos pobres de Jerusalém (Rom. 15:22-28). A Epístola aos Romanos teria sido escrita durante o inverno de 55-56 d.C.

Em Jerusalém, Paulo foi preso e, a fim de salvar sua vida, foi enviado ao procurador Romano em Cesaréia (At. 23:12-35). Em Cesaréia, ele foi julgado perante Félix, o procurador de cerca de 51-57 d.C. A datação da procuradoria de Félix é um dos itens mais indefiníveis nos estudos do Novo Testamento. Isto foi tratado no capítulo anterior, sobre Atos. Supõe-se, nesse livro, que Félix foi chamado de volta por Nero em 57 d.C, e Festo tomou seu lugar naquele ano. Atos 24:27 afirma que Félix manteve Paulo em prisão domiciliar por dois anos. Seguindo-se à chegada de Festo, tais eram as circunstâncias, que Paulo alegando a prerrogativa de cidadão romano, apelou para a corte de César. No outono de 57 d.C, a perigosa viagem de inverno até Roma se iniciou, chegando-se lá após grande apuro na primavera de 58 d.C. (At. 27:1-28:14). Lucas não relata em Atos o resultado do julgamento perante Nero, mas ele dá a entender que, após dois anos de confinamento, Paulo foi posto em liberdade (At. 28:30), por volta do ano 60 d.C. Durante os dois anos em Roma, Paulo escreveu as Epístolas da prisão: Filemom, Colossenses, Efésios e Filipenses.



Com o encerramento de Atos, qualquer história de maior atividade de Paulo deve vir ou de seus escritos ou dos pais antigos da Igreja. Clemente de Roma (por volta de 96 d.C.) escreveu que Paulo foi solto e pregou até "as extremidades do Ocidente". Para um romano, isto só poderia significar Espanha, a Península Ibérica. Das Epístolas Pastorais, sabe-se que Paulo voltou para o Oriente, passando por Creta, Éfeso, Trôade e Macedônia, mas não, necessariamente, nessa ordem. Provavelmente, da Macedônia ele escreveu I Timóteo, tendo enviado Timóteo anteriormente a Éfeso. Ou da Macedônia ou de Corinto, Paulo escreveu a Epístola a Tito, que ele havia deixado em Creta. Dos historiadores romanos, sabe-se que, em 19 de julho de 64, Roma foi incendiada, e, para transferir a suspeita de sua pessoa, Nero pôs a culpa nos cristãos. Porque Paulo, um notável líder da Igreja, havia sido julgado uma vez perante Nero, pensa-se que Nero ordenou sua prisão e retorno a Roma, para julgamento. Foi durante este segundo aprisionamento em Roma que II Timóteo foi escrita. Uma tradição antiga afirma que Paulo foi martirizado durante o ano do incêndio de Roma. A evidência para esta tradição é mais forte que a sugestão de Paulo e Pedro, ambos, terem sido mortos no ano da morte de Nero (68 d.C.). Portanto, Paulo foi decapitado pelas autoridades romanas (conforme se supõe em 29 de junho de 65.

Deve ser reconhecido que, por causa de dados conflitantes entre os historiadores antigos e o uso de pelo menos três sistemas de calendários diferentes, a maior parte das datas é, no máximo, só aproximada. As de precisão razoável são: a morte de Herodes Agripa I (44 d.C), o decreto de Cláudio, expulsando os judeus de Roma (49 d.C), a designa¬ção de Gálio (51 d.C), o incêndio de Roma (64 d.C), e a morte de Nero (9 de junho de 68). Mediante estas datas, uma história razoavelmente precisa da vida de Paulo pode ser construída:

A.D.1 ......................... Nascimento
33-34 ......................... Conversão
45 .................................. Visita a Jerusalém pela época da fome
46-48 ............................. Primeira Viagem Missionária
49.................................. Conferência de Jerusalém (dezessete anos após sua conversão)

49-52............................. Segunda Viagem Missionária
52-56............................. Terceira Viagem Missionária
56-57............................. Prisão em Jerusalém e dois anos na prisão em Cesaréia
57-58............................. Viagem a Roma
58-60............................. Primeiro aprisionamento em Roma
60-64............................. Viagem a Espanha, Creta, Macedônia e Acaia
64-65............................. Prisão, segundo aprisionamento em Roma e morte

Márcio Melânia

sábado, 31 de outubro de 2009

Os Grupos Judeus na época de Cristo.


Os Grupos Judeus na época de Cristo.

Autor: Robson T. Fernandes

Encontramos, no estudo da história bíblica, o surgimento de diversos grupos dentro do judaísmo. Com certeza esses grupos representavam a opinião e posicionamento de seus integrantes, mas também nos demonstram tipos de pessoas, e essas pessoas parecem por demais com os tipos existentes em nossa sociedade.

Vamos estudar um pouco sobre esses grupos para entendermos o seu surgimento, as suas crenças e as suas conseqüências.

OS FARISEUS

Era o grupo mais seguro da religião judaica (At 26: 5), e que surgiu antes da guerra dos macabeus, com a finalidade de oferecer resistência ao espírito helênico trazido por Roma e para tentar preservar o judaísmo.

A perseguição de Antíoco Epifanes foi um dos fatores que contribuiu para a organização do partido.

Os fariseus criam na predestinação em harmonia com o livre arbítrio, na imortalidade da alma, na ressurreição do corpo, na existência do espírito, nas recompensas e castigos na vida futura, no viver conforme a lei e na graça apenas para àqueles que fazem o que a lei manda.

Contudo, Jesus denunciou severamente este grupo por causa de sua hipocrisia e orgulho. Esse grupo surgiu por uma boa razão, mas teve os seus objetivos desvirtuados no decorrer dos tempos.

Com isso aprendemos que não é necessário apenas adquirir o conhecimento, mas precisamos por em prática esses conhecimentos adquiridos, bem como lutar por perseverar essa prática.

OS SADUCEUS

Era o grupo que fazia oposição aos fariseus.

O surgimento desse grupo traz alguma controvérsia, sendo desconhecidas verdadeiramente as suas origens.. Alguns acreditam que devem ter surgido com Zadoque, um sacerdote do período do rei Davi.

Era um grupo composto por homens educados, ricos e de boa posição social.

Em geral, tinham crenças opostas a dos fariseus. Negavam a ressurreição e juízo futuro, criam que a alma morria com o corpo, negavam a imortalidade, negavam a existência dos anjos e dos espíritos, criam que Deus não intervinha nas vidas dos homens, não tinham as mesmas crenças que os patriarcas, negavam a existência do Sheol (inferno) e só depositavam a crença naquilo que a razão pura pudesse provar.

Com isso aprendemos que os saduceus eram extremamente opositores da interpretação literal da Bíblia, sabendo que interpretar literalmente é totalmente diferente de interpretar ao pé da letra. Interpretar literalmente é o mesmo que interpretar utilizando a hermenêutica histórico-gramatical .

OS SAMARITANOS

Quando Sargom tomou Samaria para o cativeiro tentou desnacionalizá -los misturando-os com os babilônios. Talvez esse tenha sido um dos motivos pelos quais os outros judeus os abominavam, considerando- os a escória da sociedade. Além disso, os samaritanos eram acusados pelos judeus de serem oportunistas, procurando ficar do lado dos judeus apenas quando estes estavam em ascensão.

Costumeiramente os samaritanos iam adorar no templo, porém, ao voltar do cativeiro os judeus os proibiram de participar da reconstrução de Jerusalém, e o genro de Sambalate, que era sacerdote, foi expulso dali por Neemias.

Por não terem ‘sangue puro’, não possuir religião judaica, por serem acusados de oportunismo, por terem o sacerdote (genro de Sambalate) expulso do convívio social e por serem proibidos de participar da reconstrução começaram a se empenhar contra a obra que Neemias estava fazendo.

Então, Sambalate fundou o templo rival ao de Jerusalém, no monte Gerizim.

Os samaritanos tinham crenças semelhantes a dos saduceus.

Apesar de todas as acusações encontramos diversas passagens bíblicas neotestamentá rias nos mostrando a pregação do Evangelho para os samaritanos. Com isso aprendemos que o verdadeiro cristianismo não faz acepção de pessoas, e trata a todos de igual para igual.

OS ESSÊNIOS

Enquanto os fariseus se tornaram sinônimos de hipócritas e os saduceus de mundanismo, o essenismo se torna sinônimo de ascetismo, isto é, vida separada e afastada de todos.

Os essênios surgiram na tentativa de manter a instrução bíblica viva, assim como os fariseus, mas sem a hipocrisia, e a busca por uma vida de fidelidade e compromisso, diferentemente dos saduceus. O problema é que eles achavam que para isso teriam que viverem isolados do mundo em uma vida de celibato.

Basicamente, os essênios se dedicavam ao estudo das Escrituras, a oração e as lavagens cerimoniais conhecidas como banhos Mikvá. Dividiam seus bens com a comunidade e eram conhecidos por seu trabalho e vida piedosa.

Nos achados do Mar Morto, os manuscritos de Qumran, encontram-se evidências de que os essênios se isolaram por desejarem abandonar as influências corruptas das cidades judaicas. Eles se dedicaram a preparar o “caminho do Senhor”, crendo que o Messias viria e considerando- se o verdadeiro Israel.

Podemos aprender que para se ter uma vida de santidade e dedicação não se deve isolar. A luz deve brilhar em meio as trevas e o sal deve temperar onde não tem tempero.

OS HERODIANOS

Era um grupo de judeus que acreditava na cooperação com Herodes, para haver o favorecimento dos judeus. Ora, Herodes considerava- se um deus vivo, tentou helenizar Israel, exerceu forte pressão política sobre a nação judaica e buscou corromper os costumes judaicos. Ainda assim, um grupo de judeus surge em defesa de Herodes para adquirir benefícios. Esse grupo se destaca mais como um partido político do que como grupo religioso.

Entendemos que existem, em todos os períodos de tempo, aqueles que sempre estarão dispostos a sacrificar as convicções, se é que existe alguma, em troca de receber benefícios pessoais. Esses são os mercenários.

OS ZELOTES

Esse se destaca como sendo o grupo mais radical dentro do judaísmo. Foram os principais responsáveis por produzirem os levantes contra Roma, provocando a utópica Guerra judia (66-70 dC), culminando na destruição de Jerusalém e do Templo.

Os zelotes tornaram-se sinônimos de ‘fervorosos’. Foi o grupo judaico que uniu o fervor religioso com o compromisso social.

Precisamos entender que Deus estabeleceu dois tipos de lideranças para o homem, a liderança espiritual e a liderança secular. Assim é até os dias atuais.

Diferentemente dos judeus zelotes, a Igreja não tem a responsabilidade de realizar mudanças sociais, assim como os zelotes também não o tinham, apesar de desejarem. A Igreja tem, sim, a grande responsabilidade causar mudanças em indivíduos. Quando há a mudança em indivíduos esse fato se reflete coletivamente, e há uma mudança da sociedade, porém, a liderança secular não pertence a Igreja, mas ao Estado. Lembremo-nos dos dois tipos de governo estabelecidos por Deus: Os reis e os profetas.

Diante de tal fato, entendemos que no momento em que o ‘rei’ anda desordenadamente cabe ao ‘profeta’ chamar-lhe a atenção e trazer a verdade de Deus a tona, custando o que custar. Porém, a Igreja não pode tentar assumir o lugar que por direito pertence ao Estado, assim como o profeta não podia tentar ocupar a posição que por direito Divino pertencia ao rei. Como se diz popularmente: “cada macaco no seu galho”!

Os lideres judeus estavam muito preocupados unicamente com o poder, e nada faziam para libertar a terra prometida. Diante dessa situação surgem os zelotes, que defendiam a guerra santa, lutando contra os impostos, a idolatria ao imperador e a má distribuição de terra. Os zelotes se assemelhavam aos sem terra do Brasil, o MST de Israel. Porém, tinham um forte preconceito com os pobres, considerando- os inaptos para a ‘missão’.

Enquanto os saduceus eram ritualistas e os fariseus eram legalistas, os zelotes eram revolucionários.

Lembremos de Pedro, apóstolo de cristo, que era um zelote, Simão zelote. Talvez por isso tenha tentado matar o soldado romano, cortando-lhe a orelha. Talvez Pedro tenha pensado que a revolução iria começar naquele momento.

Diante de tais grupos, pensamentos e ideologias, todas anti-bíblicas surge Jesus Cristo, o messias esperado por todos, mas com o comportamento totalmente diferente do que todos desejavam. Para o fariseu Jesus afirma que sua hipocrisia estava errada. Para os saduceus Jesus ensina que o amor ao mundo é uma inimizade contra Deus. Para os samaritanos Jesus disse que ninguém podia servir a dois senhores. Para os essênios ficou a mensagem que a luz deve brilhar no local próprio, pois nenhuma luz é colocada escondida. Para os herodianos Cristo disse que quem amar a sua vida esse perde-la-á, e que só há um Deus. E para os zelotes Jesus falou que quem vive pela espada morre por ela.

Depois de frustrar os planos desses grupos Jesus começa a ser excluído pelos tais. Os judeus poderiam ter se unido para adorar o Messias e reconhece-Lo como o Salvador, mas ao invés disso, se uniram para tramar contra o Messias e assassina-Lo.

Os judeus não entenderam que Jesus não nasceu para agradar os outros, Ele nasceu para salvar!