sábado, 25 de outubro de 2008

Almeida: A obra de uma vida


Almeida: A obra de uma vida

João Ferreira de Almeida, conhecido pela autoria de uma das mais lidas traduções da Bíblia em português, ele teve uma vida movimentada e morreu sem terminar a tarefa que abraçou ainda muito jovem. Entre a grande maioria dos evangélicos do Brasil, o nome de João Ferreira de Almeida está intimamente ligado às Escrituras Sagradas. Afinal, é ele o autor (ainda que não o único) da tradução da Bíblia mais usada e apreciada pelos protestantes brasileiros. Disponível aqui em duas versões publicadas pela Sociedade Bíblica do Brasil - a Edição Revista e Corrigida e a Edição Revista e Atualizada - a tradução de Almeida é a preferida de mais de 60% dos leitores evangélicos das Escrituras no País, segundo pesquisa promovida por A Bíblia no Brasil.

Se a obra é largamente conhecida, o mesmo não se pode dizer a respeito do autor. Pouco, ou quase nada, se tem falado a respeito deste português da cidade de Torres de Tavares, que morreu há 300 anos na Batávia (atual ilha de Java, Indonésia). O que se conhece hoje da vida de Almeida está registrado na "Dedicatória" de um de seus livros e nas atas dos presbitérios de Igrejas Reformadas do Sudeste da Ásia, para as quais trabalhou como pastor, missionário e tradutor, durante a segunda metade do século XVII.

De acordo com esses registros, em 1642, aos 14 anos, João Ferreira de Almeida teria deixado Portugal para viver em Málaca (Malásia). Ele havia ingressado no protestantismo, vindo do catolicismo, e transferia-se com o objetivo de trabalhar na Igreja Reformada Holandesa local. Dois anos depois, começou a traduzir para o português, por iniciativa própria, parte dos Evangelhos e das Cartas do Novo Testamento em espanhol. Além da Versão Espanhola, Almeida usou como fontes nessa tradução as Versões Latina (de Beza), Francesa e Italiana - todas elas traduzidas do grego e do hebraico. Terminada em 1645, essa tradução de Almeida não foi publicada. Mas o tradutor fez cópias à mão do trabalho, as quais foram mandadas para as congregações de Málaca, Batávia e Ceilão (hoje Sri Lanka). Mais tarde, Almeida tornou-se membro do Presbitério de Málaca, depois de escolhido como capelão e diácono daquela congregação.

No tempo de Almeida, um tradutor para a língua portuguesa era muito útil para as igrejas daquela região. Além de o português ser o idioma comumente usado nas congregações, era o mais falado em muitas partes da Índia e do Sudeste da Ásia. Acredita-se, no entanto, que o português empregado por Almeida tanto em pregações como na tradução da Bíblia fosse bastante erudito e, portanto, difícil de entender para a maioria da população. Essa impressão é reforçada por uma declaração dada por ele na Batávia, quando se propôs a traduzir alguns sermões, segundo palavras, "para a língua portuguesa adulterada, conhecida desta congregação."

O tradutor permaneceu em Málaca até 1651, quando se transferiu para o Presbitério da Batávia, na cidade de Djacarta. Lá, foi aceito mais uma vez como capelão, começou a estudar teologia e, durante os três anos seguintes, trabalhou na revisão da tradução das partes do Novo Testamento feita anteriormente. Depois de passar por um exame preparatório e de ter sido aceito como candidato ao pastorado, Almeida acumulou novas tarefas: dava aulas de português a pastores, traduzia livros e ensinava catecismo a professores de escolas primárias. Em 1656, ordenado pastor, foi indicado para o Presbitério do Ceilão, para onde seguiu com um colega, chamado Baldaeus.

Ao que tudo indica, esse foi o período mais agitado da vida do tradutor. Durante o pastorado em Galle (Sul do Ceilão), Almeida assumiu uma posição tão forte contra o que ele chamava de "superstições papistas," que o governo local resolveu apresentar uma queixa a seu respeito ao governo de Batávia (provavelmente por volta de 1657). Entre 1658 e 1661, época em que foi pastor em Colombo, ele voltou a enfrentar problemas com o governo, o qual tentou, sem sucesso, impedi-lo de pregar em português. O motivo dessa medida não é conhecido, mas supõe-se que estivesse novamente relacionado com as idéias fortemente anti-católicas do tradutor.

A passagem de Almeida por Tuticorin (Sul da Índia), onde foi pastor por cerca de um ano, também parece não ter sido das mais tranqüilas. Tribos da região negaram-se a ser batizadas ou ter seus casamentos abençoados por ele. De acordo com seu amigo Baldaeus, o fato aconteceu porque a Inquisição havia ordenado que um retrato de Almeida fosse queimado numa praça pública em Goa.

Foi também durante a estada no Ceilão que, provavelmente, o tradutor conheceu sua mulher e casou -se. Vinda do catolicismo romano para o protestantismo, como ele, chamava-se Lucretia Valcoa de Lemmes (ou Lucrecia de Lamos). Um acontecimento curioso marcou o começo de vida do casal: numa viagem através do Ceilão, Almeida e Dona Lucretia foram atacados por um elefante e escaparam por pouco da morte. Mais tarde, a família completou-se, com o nascimento de um menino e de uma menina.

A partir de 1663 (dos 35 anos de idade em diante, portanto), Almeida trabalhou na congregação de fala portuguesa da Batávia, onde ficou até o final da vida. Nesta nova fase, teve uma intensa atividade como pastor. Os registros a esse respeito mostram muito de suas idéias e personalidade. Entre outras coisas, Almeida conseguiu convencer o presbitério de que a congregação que dirigia deveria ter a sua própria cerimônia da Ceia do Senhor. Em outras ocasiões, propôs que os pobres que recebessem ajuda em dinheiro da igreja tivessem a obrigação de freqüentá-la e de ir às aulas de catecismo. Também se ofereceu para visitar os escravos da Companhia das Índias nos bairros em que moravam, para lhes dar aulas de religião - sugestão que não foi aceita pelo presbitério - e, com muita freqüência, alertava a congregação a respeito das "influências papistas."

Ao mesmo tempo, retomou o trabalho de tradução da Bíblia, iniciado na juventude. Foi somente então que passou a dominar a língua holandesa e a estudar grego e hebraico. Em 1676, Almeida comunicou ao presbitério que o Novo Testamento estava pronto. Aí começou a batalha do tradutor para ver o texto publicado - ele sabia que o presbitério não recomendaria a impressão do trabalho sem que fosse aprovado por revisores indicados pelo próprio presbitério. E também que, sem essa recomendação, não conseguiria outras permissões indispensáveis para que o fato se concretizasse: a do Governo da Batávia e a da Companhia das Índias Orientais, na Holanda.

Escolhidos os revisores, o trabalho começou e foi sendo desenvolvido vagarosamente. Quatro anos depois, irritado com a demora, Almeida resolveu não esperar mais - mandou o manuscrito para a Holanda por conta própria, para ser impresso lá. Mas o presbitério conseguiu parar o processo, e a impressão foi interrompida. Passados alguns meses, depois de algumas discussões e brigas, quando o tradutor parecia estar quase desistindo de apressar a publicação de seu texto, cartas vindas da Holanda trouxeram a notícia de que o manuscrito havia sido revisado e estava sendo impresso naquele país.

Em 1681, a primeira edição do Novo Testamento de Almeida finalmente saiu da gráfica. Um ano depois, ela chegou à Batávia, mas apresentava erros de tradução e revisão. O fato foi comunicado às autoridades da Holanda e todos os exemplares que ainda não haviam saído de lá foram destruídos, por ordem da Companhia das Índias Orientais. As autoridades Holandesas determinaram que se fizesse o mesmo com os volumes que já estavam na Batávia. Pediram também que se começasse, o mais rápido possível, uma nova e cuidadosa revisão do texto.

Apesar das ordens recebidas da Holanda, nem todos os exemplares recebidos na Batávia foram destruídos. Alguns deles foram corrigidos à mão e enviados às congregações da região (um desses volumes pode ser visto hoje no Museu Britânico, em Londres). O trabalho de revisão e correção do Novo Testamento foi iniciado e demorou dez longos anos para ser terminado. Somente após a morte de Almeida, em 1693, é que essa segunda versão foi impressa, na própria Batávia, e distribuída.

Enquanto progredia a revisão do Novo Testamento, Almeida começou a trabalhar com o Antigo Testamento. Em 1683, ele completou a tradução do Pentateuco (os cinco primeiros livros do Antigo Testamento). Iniciou-se, então, a revisão desse texto, e a situação que havia acontecido na época da revisão do Novo Testamento, com muita demora e discussão, acabou se repetindo. Já com a saúde prejudicada - pelo menos desde 1670, segundo os registros—, Almeida teve sua carga de trabalho na congregação diminuída e pôde dedicar mais tempo à tradução. Mesmo assim, não conseguiu acabar a obra à qual havia dedicado a vida inteira. Em 1691, no mês de outubro, Almeida morreu. Nessa ocasião, ele havia chegado até Ez 48.21. A tradução do Antigo Testamento foi completada em 1694 por Jacobus op den Akker, pastor holandês. Depois de passar por muitas mudanças, ela foi impressa na Batávia, em dois volumes: o primeiro em 1748 e o segundo, em 1753.

A Bíblia no Brasil, n. 160, 1992, p. 14
Fonte: BOL- Bíblia on-line /SBB
http://www.vivos. com.br/185. htm

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

Quando a Igreja se Torna Como o Mundo


Quando a Igreja se Torna Como o Mundo
Pr. Wilson Franklim

Estamos vivendo uma época em que o mundo passou a avaliar tudo apenas pelo resultado. É filosofia do pragmatismo. O que é pragmatismo? O pragmatismo é muito semelhante ao utilitarismo. É a crença de que os resultados, e/ou utilidade, estabelece o padrão para aquilo que é bom. Para um pragmatista/utilitarista se uma técnica, ou mesmo um método produz o resultado desejado, a utilização de tal recurso é válida.

Afinal de contas, o que há de errado com o pragmatismo, uma vez que até o bom senso tem uma dose de pragmatismo legitimo? Se um remédio não produz o efeito esperado, procura-se o médico e solicita-se outro medicamento que funcione. Quando entramos em nosso quarto e acionamos o interruptor, e a lâmpada não acende, trocamos a lâmpada. Se a nova lâmpada acende, é razoável supor que o problema estava na lâmpada "queimada". Portanto, realidades pragmáticas simples como essas por is mesmas são óbvias.

1. O Problema
Quando, porém, se USA o pragmatismo para estabelecer juízos acerca do certo e do errado, ou quando se faz dele uma filosofia de vida, que passa a dirigir a teologia, ou do ministério, haverá inevitavelmente um choque desastroso com as Sagradas Escrituras. Veja porque:

As realidades bíblicas e espirituais não são determinadas tomando-se como base o que funciona, o que não funciona. Observe que, em I Co 1.22,23; e 2.14, Paulo nos alerta que nem sempre o Evangelho produz uma resposta positiva. Por outro lado, as heresias e o engano satânico podem ser bastante eficazes (Mt 24.23,24; 2Co 4.3,4). Jesus também alerta que a reação da maioria nem sempre pode ser usada como parâmetro seguro para determinar o que é válido. Outro aspecto igualmente importante é que a prosperidade não serve para constatar a veracidade (Jó 12.6).

De uma maneira sutil, em vez uma vida regenerada, é a aceitação por parte do mundo e a quantidade de pessoas presentes nos cultos que vem se tornando o alvo maior das igrejas contemporâneas. Pregar a Palavra e confrontar o pecado com ousadia são vistos como coisas antiquadas, meios ineficazes de alcançar o mundo para Cristo. Essa maneira de pensar distorce por completo a missão da igreja, porque a Grande comissão não é um manifesto de marketing. O evangelismo não precisa de vendedores, e, sim profetas. A semente que produz o novo nascimento é a Palavra de Deus (I Pe 1.23).

2. Os Efeitos do Pragmatismo Entre Nós
2.1. Mudança de culto de Teocêntrico para Antropocêntrico
Um dos sinais mais visíveis do pragmatismo na área evangélica são as mudanças convulsivas que, nas últimas décadas, tem "revolucionado" o culto nas igrejas. Onde a filosofia passou a ser planejar e realizar cultos dominicais que sejam mais divertidos do que reverentes. Mais show do que adoração. O resultado é culto mais centrado na pessoa humana (antropocêntrico), do que centrado na pessoa de Deus (teocêntrico). O mais grave é que a teologia é forçada a ceder o lugar de honra à metodologia. Vejam o que escreveu Elmer l. Towns: "antigamente a declaração de fé representava a razão de ser de uma denominação. Hoje, a metodologia é o vínculo que mantém as igrejas unidas. Uma declaração ministerial define a igreja e sua própria existência ministerial" . Observem a sutileza desta afirmação, ele diz entre linhas, escancaradamente, que Deus, Jesus e o Espírito Santo e a sua Santa revelação deixaram de ser o vínculo de união entre as igrejas. Por incrível que pareça muitos acreditam que essa idéia é um avanço para igreja atual. Alguns pastores chegam a afirmar que a igreja dos nossos dias precisa de algo mais do que as quatro prioridades apresentadas no livro de Atos - A doutrina dos apóstolos, a comunhão, o partir do pão e as orações (At 2.42).

2.2. Surgimento de Novas Metodologias
Encantados na onda do "resultado", de encher rapidamente as igrejas, muitos líderes embarcaram numa verdadeira corrida aos mais variadas metodologias de "crescimento". Livros dos mais variados foram escritos, uns incentivando o marketing , outros a auto-ajuda, outros entretenimento e muito mais. O resultado é que a recreação, o entretenimento, e mesmo a música, de forma perspicaz, passaram a apagar o verdadeiro culto e a comunhão dominical. Irmãos, não podemos colocar nossa confiança em métodos e fórmulas. Nossa confiança deve estar no Todo Poderoso. Mas, há um detalhe muito especial: é preciso ter vida espiritual, é preciso haver dedicação, é preciso ter o caráter de Jesus. É obvio que a espiritualidade tem um custo.

Por outro lado, com as fórmulas e métodos não é preciso ser espiritual, não é preciso gastar tempo recebendo a mensagem de Deus, não é preciso ter uma vida devocional, basta seguir as fórmulas de marketing, agradar ao povo, Dar um show nos púlpitos...

Nesse embalo, novos e bonitos nomes tais como: "celebração", "gospel", "nova unção", "renovação", foram inseridos em nosso linguajar, para justificar "novos tempos". A pregação é encarada como antiquada principalmente a pregação expositiva. "Ninguém se preocupa em verificar se o que está sendo pregado é verdadeiro ou falso. Um sermão é um sermão, não importa o assunto; só que quanto mais curto melhor" . Já faz mais de cem anos que Spurgeon proclamou essas palavras, mas infelizmente elas ainda continuam atuais para os nossos dias.

3. Será Que Toda Inovação é Errada?
Não é à inovação em si que me oponho. Tenho consciência de que os estilos de adoração estão em constantes mudanças. Se Spurgeon chegasse à nossa igreja hoje, ele não gostaria de nosso órgão, de nossa orquestra. Não sou preso a esse ou aquele estilo de música ou liturgia. Na realidade sou contra a estagnação das igrejas. Também não alimento nenhuma intenção de fabricar normas arbitrárias a fim de dizer o que é aceitável ou não nos cultos. Todavia, meu embate é contra a filosofia que relega Deus e a sua Palavra um papel secundário na igreja. Discordo daqueles que acreditam que técnicas e métodos humanos podem resgatar almas para os céus com mais eficiência do que o Deus Todo Poderoso. Nessa altura, as palavras de MacArthur merecem uma especial atenção: "Se existe algo que a história nos ensina, este ensino é que os ataques mais devastadores desfechados contra a fé sempre começaram com erros sutis surgidos dentro da própria igreja".

Conclusão
O pragmatismo como filosofia norteadora do ministério é defeituoso e desleal para com a igreja de Jesus Cristo. Como prova de veracidade, chega mesmo a ser satânico, porque atende aos objetivos do maligno de afastar o crente da realidade da Palavra de Deus, de que as Escrituras são uma questão de vida e não apenas de crença.

Qual o tipo de ministério que agrada a Deus? "Prega a Palavra" (II Tm 4.2). O centro de nossos ministérios deve ser a obediência a esse simples mandamento. A tarefa do pregador é proclamar as Escrituras (Rm 10.14; Ne 8.8). Não há outra fórmula, pregar é o compromisso maior de nosso chamado. Se, não atendermos com urgência a essa vocação, nossos ministérios serão puxados para o declínio, e nos veremos em busca do pragmatismo, aplicando na igreja os padrões do mundo.

Nos dias atuais é importante que "a teologia mantenha o diálogo com as demais ciências, sem jamais perder seu elemento máximo: a fé nas sagradas Escrituras" . Por outro lado, a falta de temor a Deus, que tem caracterizado a presente geração de adoradores, tem produzido uma adoração sem qualquer senso de reverência ao Adorado.

Minha oração é que este artigo instigue nossa forma de pensar, conduzindo-nos à Palavra de Deus, "para ver se as coisas" são "de fato assim" (At 17.11).

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

As Escrituras EXIGEM Estrito Biblicismo [Fundamentalismo]


As Escrituras EXIGEM Estrito Biblicismo [Fundamentalismo]

David Cloud

Através dos anos, muitos têm escrito para brigarem comigo porque eu acredito que fundamentalismo (ou seja, um inflexível alinhamento com a Bíblia, qualquer que seja o Nome pelo qual seja chamado) é uma parte necessária do cristianismo escriturístico. Else alegam que eu julgo tudo na base do meu próprio "fundamentalismo", e que eu rejeito qualquer coisa que dele difere. [Nota da Tradutora: "inflexível alinhamento com a Bíblia significa: primeiro, tomar a Bíblia pelo que ela diz, diz literalmente (claro que observando contexto e dispensação); segundo, crê-la sempre e perfeitamente; terceiro, esforçar-se para obedecer a ela com todas as nossas forças. Tudo isto em todos os assuntos da vida]

Ao mesmo tempo em que eu acredito que o fundamentalismo (no sentido de inflexível alinhamento com a Bíblia, em tudo) é uma parte necessária do cristianismo escriturístico, eu não julgo as coisas na base do meu fundamentalismo ou do fundamentalismo de qualquer outra pessoa. Minha única autoridade para a fé e a prática é a Bíblia, não o fundamentalismo ou o batistismo ou o batistismo independente ou o batistismo fundamentalista ou qualquer outro sistema feito pelo homem.

Eu compreendo que é muito difícil (se não próximo de impossível) nos livrarmos de todas as nossas preconcepções quando estudamos a Bíblia. Mas, Deus sendo minha testemunha, meu objetivo, desde que eu fui convertido, tem sido tomar as Escrituras como meu único guia e minha única autoridade, e testar tudo por elas, e a elas conformar tanto a mim mesmo, como a minha doutrina, e como o meu ministério.

Quando eu fui salvo em 1973, na idade 23 anos, eu não sabia coisa nenhuma sobre o fundamentalismo.

Eu fui conduzido a Cristo por um piedoso irmão da linha Pentecostal antiga, o qual eu encontrei ao perambular pelo mundo. Naqueles dias eu era um jovem que havia abandonado o lar e vagabundeava pelo mundo, e obtinha meu sustento às vezes vendendo drogas. Eu tinha pegado caronas para for a a Califórnia não muito tempo antes que me encontrei com o homem que me conduziu a Cristo. Eu viajei de carona com aquele crente por quatro ou cinco dias, eu não recordo exatamente por quanto tempo, mas o suficiente para viajarmos desde próximo de Hollywood, na Flórida, até o México, cruzando a fronteira em Brownsville, Texas, e então viajarmos de Volta até Daytona Beach, novamente na Flórida. Durante toda a viajem ele educadamente argumentou comigo a partir das Escrituras e, a um certo ponto do caminho, nós paramos em uma livraria evangélica e ele comprou para mim uma Bíblia do Rei Tiago (King James Bible) sem nenhuma nota ou comentário. No tempo em que eu me encontrei com aquele crente, eu era um membro da Sociedade do Comunhão da Auto-Realização e meu guru Hindu era Paramahansa Yogananda. Eu acreditava na reencarnação e na meditação como o caminho para o iluminamento. O irmão Pentecostal explicou-me continuamente que a Bíblia é a palavra infalível de Deus para o homem, e que somente ela era a Autoridade divina para as nossas vidas. Ele calorosamente incitou-me a receber Cristo e fazer da Bíblia o livro de minha vida, e eu dei o primeiro passo nessa estrada real quando eu me arrependi e cri e rendi minha vida a Jesus Cristo, em um quarto de hotel em Daytona Beach, Flórida, na última noite em que eu e aquele crente estivemos juntos nessa viagem memorável.

No dia seguinte ele seguiu seu caminho e eu fui em um sentido diferente, e eu nunca mais o vi outra vez. Eu dirigi-me à minha cidade natal para fazer corrigir minha vida para com meu papai, contra quem eu tinha estado em rebelião já por muitos anos.

Nesse ponto eu sabia que eu estava Indo seguir Jesus para sempre, e eu compreendi que eu necessitava encontrar uma igreja realmente boa [bíblica, de acordo com a Bíblia], mas eu não sabia aonde ir. Eu sabia a respeito de igrejas Batistas da Convenção do Sul, mas eu não tive nenhuma inclinação para voltar a elas, uma vez que eu tinha crescido nelas e lá, no general, eu não tinha visto o poder do Deus e o zelo para com a Palavra de Deus que eu tinha visto no homem que me conduziu a Cristo. Eu visitei algumas igrejas e reuniões tanto Pentecostais como Carismáticas. Eu visitei vários outros tipos das igrejas. Eu escutei muitos pregadores diferentes no rádio, inclusive Herbert W. Armstrong, e até mesmo encomendei e recebi, pelo correio, alguns de seus materiais. Eu estudei alguns livros de Adventistas do Sétimo-dia.

Embora eu estivesse confuso sobre igrejas e não estivesse seguro sobre para que lado me voltar, eu sabia que a Bíblia tem muito a dizer sobre a [nossa necessidade de sermos membros de uma boa e bíblica] igreja, e eu desejava gozar comunhão cristã; assim eu ardente e honestamente procurei a vontade de Deus neste assunto. Eu tinha as seguintes duas promessas das Escrituras, e eu me agarrei, me colei a elas:

"Se alguém quiser fazer a vontade dele, pela mesma doutrina conhecerá se ela é de Deus, ou se eu falo de mim mesmo." (Jo 7:17)

"31 ¶ Jesus dizia, pois, aos judeus que criam nele: Se vós permanecerdes na minha palavra, verdadeiramente sereis meus discípulos; 32 E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará." (Jo 8:31-32)

Jo 7:17 diz que eu posso saber a verdade se eu estiver disposto a fazer a vontade de Deus. Jo 8:31-32 diz que eu posso saber a verdade se eu continuar na Palavra de Deus. Desejando seriamente saber a verdade e nunca mais ser iludido outra vez, eu me agarrei a estas promessas. Eu orei continuamente para que Deus me ajudasse a ser obediente a tudo que eu encontrasse nas Escrituras, de modo que eu pudesse ser conduzido a mais verdades. Eu orei frequentemente, "Deus, eu sei que meu coração é enganoso; se em alguma matéria eu estiver sendo inconscientemente teimoso contra a tua vontade, mostra-me isto, por favor, e faz-me desejoso de Te obedecer."

Compreendendo que eu tinha que continuar [e continuar crescendo] na Palavra de Deus, eu comecei a diligentemente procurar [estudar] na Bíblia, horas e horas a fio a cada dia, lendo-a e estudando-a e memorizando-a. Eu provavelmente li toda a Bíblia, de capa a capa, uma cinco ou seis vezes, nos primeiros dois anos. Eu escrevi [num caderno] tudo que eu estava aprendendo e criei meu próprio guia tópico de estudos, organizando as Escrituras sob títulos de acordo com assuntos. Eu olhei [no dicionário grego-inglês, dicionário inglês-inglês, e dicionário bíblico] cada palavra que eu não compreendi. Eu usei a Concordância Exaustiva de Strong e outras ferramentas para pesquisar dúzias de palavras da Bíblia, a cada dia. (Após 20 anos, estes estudos resultaram na publicação da Way of Life Encyclopedia of the Bible & Christianity)

Para um par dos meses eu vagueei através do labirinto de igrejas, visitando vários tipos delas e orando que Deus me iluminasse [na escolha da igreja mais bíblica ainda existente]. A primeira igreja que o Senhor me conduziu para juntar-me a ela foi a Igreja Batista Bartow, em Bartow, Flórida. Ela foi plantada pela família de Gerald Hoovner, que tinha saído da Primeira Igreja Batista (a proeminente congregação da Convenção Batista do Sul naquela cidade) com o desejo de voltar suas costas à contemporização e mornidão e mundanismo, e de ser sério sobre as Escrituras. Deus os tinha abençoado e havia um número de jovens que tinham sido salvos e estavam crescendo no Senhor. Um por um destes estava saindo para estudar em alguma Faculdade Bíblica e estava entrando no serviço do Senhor em vários campos. Eu soube que este era o lugar onde Deus queria que eu estivesse, e também eu fui para uma Faculdade Bíblica. Embora a igreja seja agora defunta, ela teve um bom monte de frutos em seus dias [Nota da Tradutora: eu e meu marido pensamos o mesmo de nossa primeira igreja, em Campina Grande, Pb.].

Quando eu comecei a ouvir a respeito da doutrina da separação [bíblica], nesta igreja, eu soube instintivamente que tal doutrina era correta, porque eu estava lendo sobre ela nas Escrituras. Quando eu aprendi que os separatistas foram chamados [pelos seus inimigos] de fundamentalistas, eu soube que eu estava indo ser um fundamentalista, porque eu queria ser fiel às Escrituras, incluindo àquelas suas partes que são geralmente negligenciadas na Cristandade evangélica de hoje.

Assim, eu sou convencido que meu fundamentalismo vem da Bíblia.

Embora o termo "fundamentalismo" abranja muitas coisas diferentes e venha em muitas variedades -- tais como o fundamentalismo não denominacional, fundamentalismo Presbiteriano, e fundamentalismo batista -- em seu coração, em seu cerne fundamentalismo é uma decisão de inflexível alinhamento para com as Escrituras, um desejo de tomar a Bíblia seriamente em todos os assuntos.

ESCRITURAS QUE EXIGEM FUNDAMENTALISMO

Estou convencido de que a Bíblia exige fundamentalismo, que se um crente toma a Bíblia seriamente ele será algum tipo de fundamentalista, hoje. Seguem-se alguns dos versículos que exigem um tipo de fundamentalista, inflexível alinhamento com a Bíblia, no Cristianismo:

A Bíblia Exige Inflexível Fundamentalismo em DOUTRINA
"Ensinando-os a guardar TODAS AS COISAS que eu vos tenho mandado; e eis que eu estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos. Amém." (Mt 28:20)

"Porque nunca deixei de vos anunciar todo o conselho de Deus." (At 20:27)

"Para que não sejamos mais meninos inconstantes, levados em roda por TODO VENTO DE DOUTRINA, pelo engano dos homens que com astúcia enganam fraudulosamente." (Ef 4:14)

"Como te roguei, quando parti para a Macedônia, que ficasses em Éfeso, para advertires a alguns, que não ensinem NENHUMA OUTRA DOUTRINA," (1Tm 1:3)

"13 ¶ Mando-te diante de Deus, que todas as coisas vivifica, e de Cristo Jesus, que diante de Pôncio Pilatos deu o testemunho de boa confissão, 14 Que guardes este mandamento SEM MÁCULA e repreensão, até à aparição de nosso Senhor Jesus Cristo;" (1Tm 6:13-14)

"Conserva o modelo das sãs palavras que de mim tens ouvido, na fé e no amor que há em Cristo Jesus." (2Tm 1:13)

"E o que de mim, entre muitas testemunhas, O MESMO ouviste, confia-o a homens fiéis, que sejam idôneos para também ensinarem os outros." (2Tm 2:2)

"Retendo firme a fiel palavra, que é conforme a doutrina, para que seja poderoso, tanto para admoestar com a sã doutrina, como para convencer os contradizentes." (Tt 1:9)

A Bíblia Exige Inflexível Fundamentalismo em TESTARMOS TODAS AS COISAS
"À lei e ao testemunho! Se eles não falarem segundo esta palavra, é porque não há luz neles." (Is 8:20)

"Acautelai-vos, porém, dos falsos profetas, que vêm até vós vestidos como ovelhas, mas, interiormente, são lobos devoradores." (Mt 7:15)

"Ora, estes foram mais nobres do que os que estavam em Tessalônica, porque de bom grado receberam a palavra, examinando cada dia nas Escrituras se estas coisas eram assim." (At 17:11)

"E não sede conformados com este mundo, mas sede transformados pela renovação do vosso entendimento, para que experimenteis qual seja a boa, agradável, e perfeita vontade de Deus." (Rm 12:2)

"15 Mas o que é espiritual discerne bem tudo, e ele de ninguém é discernido. 16 Porque, quem conheceu a mente do Senhor, para que possa instruí-lo? Mas nós temos a mente de Cristo." (1Co 2:15-16)

"Aprovando o que é agradável ao Senhor." (Ef 5:10)

"Para que aproveis as coisas excelentes, para que sejais sinceros, e sem escândalo algum até ao dia de Cristo;" (Fp 1:10)

"Examinai tudo. Retende o bem." (1Ts 5:21)

"Amados, não creiais a todo o espírito, mas provai se os espíritos são de Deus, porque já muitos falsos profetas se têm levantado no mundo." (1Jo 4:1)

"Conheço as tuas obras, e o teu trabalho, e a tua paciência, e que não podes sofrer os maus; e puseste à prova os que dizem ser apóstolos, e o não são, e tu os achaste mentirosos." (Ap 2:2)

A Bíblia Exige Inflexível Fundamentalismo em GUERREARMOS PELA FÉ
"Aos quais nem ainda por uma hora cedemos com sujeição, para que a verdade do evangelho permanecesse entre vós." (Gl 2:5)

"Como tenho por justo sentir isto de vós todos, porque vos retenho em meu coração, pois todos vós fostes participantes da minha graça, tanto nas minhas prisões como na minha defesa e confirmação do evangelho." (Fp 1:7)

"Amados, procurando eu escrever-vos com toda a diligência acerca da salvação comum, tive por necessidade escrever-vos, e exortar-vos a batalhar pela fé que uma vez foi dada aos santos." (Jd 1:3)

A Bíblia Exige Inflexível Fundamentalismo em CLARA, PÚBLICA DENÚNCIA E EXPOSIÇÃO DO ERRO
"Por isso estimo todos os teus preceitos acerca de tudo, como retos, e odeio toda falsa vereda." (Sl 119:128)

"E rogo-vos, irmãos, que NOTEIS OS que promovem dissensões e escândalos contra a doutrina que aprendestes; desviai-vos deles." (Rm 16:17)

"E, chegando Pedro à Antioquia, lhe resisti na cara, porque era repreensível." (Gl 2:11)

"19 Conservando a fé, e a boa consciência, a qual alguns, rejeitando, fizeram naufrágio na fé. 20 E entre esses foram Himeneu e Alexandre, os quais entreguei a Satanás, para que aprendam a não blasfemar." (1Tm 1:19-20)

"16 Mas evita os falatórios profanos, porque produzirão maior impiedade. 17 E a palavra desses roerá como gangrena; entre os quais são Himeneu e Fileto; 18 Os quais se desviaram da verdade, dizendo que a ressurreição era já feita, e perverteram a fé de alguns." (2Tm 2:16-18)



A Bíblia Exige Inflexível Fundamentalismo em SEPARAÇÃO DO ERRO E DA APOSTASIA
"E rogo-vos, irmãos, que noteis os que promovem dissensões e escândalos contra a doutrina que aprendestes; DESVIAI-VOS DELES." (Rm 16:17)

"14 NÃO VOS PRENDAIS A UM JUGO DESIGUAL com os infiéis; porque, que sociedade tem a justiça com a injustiça? E que comunhão tem a luz com as trevas? 15 E que concórdia há entre Cristo e Belial? Ou que parte tem o fiel com o infiel? 16 E que consenso tem o templo de Deus com os ídolos? Porque vós sois o templo do Deus vivente, como Deus disse: Neles habitarei, e entre eles andarei; e eu serei o seu Deus e eles serão o meu povo. 17 POR ISSO, SAÍ DO MEIO DELES, E APARTAI-VOS, diz o Senhor; E não toqueis nada imundo, E eu vos receberei; 18 E eu serei para vós Pai, E vós sereis para mim filhos e filhas, Diz o Senhor Todo-Poderoso." (2Co 6:14-18)

"Mandamo-vos, porém, irmãos, em nome de nosso Senhor Jesus Cristo, que VOS APARTEIS de todo o irmão que anda desordenadamente, e não segundo a tradição que de nós recebeu." (2Ts 3:6)

"3 Se alguém ensina alguma outra doutrina, e se não conforma com as sãs palavras de nosso Senhor Jesus Cristo, e com a doutrina que é segundo a piedade, 4 É soberbo, e nada sabe, mas delira acerca de questões e contendas de palavras, das quais nascem invejas, porfias, blasfêmias, ruins suspeitas, 5 Contendas de homens corruptos de entendimento, e privados da verdade, cuidando que a piedade seja causa de ganho; APARTA-TE DOS TAIS." (1Tm 6:3-5)

"Tendo aparência de piedade, mas negando a eficácia dela. DESTES AFASTA-TE." (2Tm 3:5)

"Ao homem herege, depois de uma e outra admoestação, EVITA-O," (Tt 3:10)

"10 ¶ Se alguém vem ter convosco, e não traz esta doutrina, NÃO O RECEBAIS em casa, nem tampouco o saudeis. 11 Porque quem o saúda tem parte nas suas más obras." (2Jo 1:10-11)

"E ouvi outra voz do céu, que dizia: SAI DELA, povo meu, para que não sejas participante dos seus pecados, e para que não incorras nas suas pragas." (Ap 18:4)



A Bíblia Exige Inflexível Fundamentalismo em DO PECADO E DO MUNDANISMO
"Ninguém pode servir a dois senhores; porque ou há de odiar um e amar o outro, ou se dedicará a um e desprezará o outro. NÃO PODEIS SERVIR A DEUS E A MAMOM." (Mt 6:24)

"E NÃO SEDE CONFORMADOS COM ESTE MUNDO, mas sede transformados pela renovação do vosso entendimento, para que experimenteis qual seja a boa, agradável, e perfeita vontade de Deus." (Rm 12:2)

"Não dando nós escândalo em coisa NENHUMA, para que o nosso ministério não seja censurado;" (2Co 6:3)

"E tenhais NENHUMA comunhão com as obras infrutuosas das trevas, mas antes condenai-as." (Ef 5:11)

"Abstende-vos de TODA a aparência do mal." (1Ts 5:22)

"11 ¶ Porque a graça de Deus se há manifestado, trazendo salvação a todos os homens, 12 Ensinando-nos que, RENUNCIANDO À IMPIEDADE E ÀS CONCUPISCÊNCIAS MUNDANAS, vivamos neste presente século sóbria, e justa, e piamente, 13 Aguardando a bem-aventurada esperança e o aparecimento da glória do grande Deus e nosso Salvador Jesus Cristo; 14 O qual se deu a si mesmo por nós para nos remir de TODA A INIQÜIDADE, e purificar para si um povo seu especial, zeloso de boas obras." (Tt 2:11-14)

"A religião pura e imaculada para com Deus, o Pai, é esta: Visitar os órfãos e as viúvas nas suas tribulações, e GUARDAR-SE DA CORRUPÇÃO DO MUNDO." (Tg 1:27)

"Adúlteros e adúlteras, não sabeis vós que A AMIZADE DO MUNDO É INIMIZADE CONTRA DEUS? Portanto, qualquer que quiser ser amigo do mundo constitui-se inimigo de Deus." (Tg 4:4)

"Chegai-vos a Deus, e ele se chegará a vós. ALIMPAI VOSSAS MÃOS, pecadores; e, vós de duplo ânimo, purificai os corações." (Tg 4:8)

"Mas, como é santo aquele que vos chamou, sede vós também santos em TODA A VOSSA MANEIRA DE VIVER;" (1Pe 1:15)

"15 NÃO AMEIS O MUNDO, NEM O QUE NO MUNDO HÁ. Se alguém ama o mundo, o amor do Pai não está nele. 16 Porque tudo o que há no mundo, a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida, não é do Pai, mas do mundo. 17 E o mundo passa, e a sua concupiscência; mas aquele que faz a vontade de Deus permanece para sempre." (1Jo 2:15-17)

"Sabemos que somos de Deus, e que todo o mundo está no maligno." (1Jo 5:19)

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Revelação Geral Imediata e Mediata


Revelação Geral Imediata e Mediata

Sl 19.1-4; At 14.8-18; At 17.16-34; Rm 1.18-23; Rm 2.14,15

Quando eu era menino e minha mãe queria que fizesse algo para ela sem demora, acentuava a ordem usando o adverbio imediatamente. Ela dizia: "Filho, vá para o seu quarto imediatamente."

Minha mãe usava a palavra imediatamente para referir-se a um evento no tempo que devia ocorrer sem qualquer bloco de tempo intermediário. Na teologia, o termo imediato significa algo mais. Significa que algo acontece sem passar por nenhum agente, objeto ou meio intermediários. É uma ação que ocorre sem a participação de intermediários.

Na teologia bíblica podemos distinguir dois tipos de revelação geral – aquela que é comunicada diretamente. Quando falamos de revelação geral imediata, nos referimos à revelação transmitida por meio de alguma coisa. Quando os céus revelam a Deus, tornam-se os mediadores, ou o meio pelo qual Deus manifesta sua glória. Neste sentido, todo o universo é um meio de revelação divina. A criação dá testemunho do seu Criador.

A Bíblia diz que toda a terra está repleta da glória de Deus. Lamentavelmente, com frequencia nós ignoramos essa glória que nos cerca. Temos a tendência de viver de maneira superficial. Estamos desatentos diante da maravilha que Deus nos proporciona em sua gloriosa criação. Estamos desligados e fora de contato. As idéias religiosas são inúteis se não expressam algo real.

A presença sublime de Deus está em toda a nossa volta. Ainda assim, muitas vezes estamos cegos e surdos para ela. Não compreendemos sua linguagem. Exige mais do que simplesmente parar para cheirar as flores. A flor contém mais do que um aroma suave ou um perfume agradável. Ela transpira a glória do seu Criador. Todos nós estamos em contato com a revelação divina, quando reconhecemos a glória de Deus na natureza e é revelada nela e por meio dela.
Além de revelar sua glória indiretamente por meio da criação, Deus também se revela diretamente à mente humana. Essa é chamada revelação geral imediata.

O apóstolo Paulo fala da Lei de Deus escrita em nosso coração (Rm.2.12-16). João Calvino falou sobre um senso do divino, o qual Deus implanta na mente de cada pessoa. Ele disse: Nós, inquestionavelemente, afirmamos que os homens têm em si mesmos certo senso da divindade; e isto, por um instinto natural. ... Deus mesmo dotou todos os homens com certo conhecimento de sua divindade, cuja memória ele constantemente renova e ocasionalmente amplia. (Institutas, II, 1,43).

Todas as culturas atestam a presença de alguma atividade religiosa, confirmando a incurável natureza religiosa da humanidade. Os seres humanos são religiosos no seu âmago. O caráter de tal religiosidade pode ser grosseiramente idólatra; mas até mesmo a idolatria, ou melhor, principalmente a idolatria, dá uma evidência desse conhecimento inato que pode ser distorcido, mas jamais destruído.

Lá bem no fundo da nossa alma nós sabemos que Deus existe e que nos deu suas Leis. Procuramos sufocar esse conhecimento a fim de escapar dos seus mandamentos. Por mais que nos esforcemos, porém, não podemos calar essa voz interior. Ela pode ser abafada, mas jamais ser destruída.

Sumário

1. A Glória de Deus é evidente em toda a nossa volta. Ela é mediata pela criação de Deus.

2. Os seres humanos são religiosos por natureza.

3. Deus implanta em todos os seres humanos um conhecimento inato de si mesmo. Isso se chama revelação geral imediata.

Autor: R. C. Sproul
Fonte: 1º Caderno Verdades Essenciais da Fé Cristã – R.C.Sproul. Editora Cultura Cristã.

A Revelação


A Revelação

R.C. Sproul


Sl 119.1-14; Ef 3.1-13; 2 Tm 3.14-17; Hb 1.1-4

Tudo o que sabemos sobre o Cristianismo nos foi revelado por Deus. Revelar significa "tirar o véu." Tem a ver com remover a cobertura e descobrir algo que está encoberto.

Quando meu filho era pequeno, nossa família desenvolveu uma tradição anual para comemorar seu aniversário. Em vez da prática geral de entregar os presentes, fazíamos isso por meio da nossa versão caseira do programa de televisão "Vamos Fazer um Trato." Eu escondia os presentes destinados a ele, por exemplo, dentro de uma gaveta, debaixo do sofá ou atrás de uma cadeira. Então lhe dava algumas opções: "Você pode ganhar o que está na gaveta da minha escrivaninha ou o que está no meu bolso". O ponto principal do jogo era o "grande trato do dia". Eu colocava três cadeiras, uma ao lado da outra, cada uma delas coberta com um lençol. Cada lençol encobria um presente. Na primeira cadeira colocávamos um presente simples, na Segunda o presente principal que ele iria ganhar e sobre a terceira uma muleta que ele havia usado quando quebrou a perna aos sete anos de idade.

Meu filho escolheu a cadeira com a muleta por três anos consecutivos! (No final, sempre permitíamos que trocasse a muleta pelo presente.) No quarto ano, estava determinado a não escolher mais a muleta. Desta vez, eu escondi o presente principal junto com a muleta, na mesma cadeira, e deixei a ponta da muleta aparecendo por baixo do lençol. Ao ver a ponta da muleta, meu filho evitou cuidadosamente aquela cadeira. Ganhei de novo!

A parte mais divertida da brincadeira era tentar adivinhar onde o presente estava escondido. Tratava-se contudo de um trabalho de mera suposição, pura especulação. A descoberta do verdadeiro tesouro só podia ser feita depois que o lençol era removido e o presente ficava exposto.

O mesmo acontece com o nosso conhecimento de Deus. A especulação fútil sobre Deus é mera tolice. Se queremos conhecê-lo de verdade, temos de depender daquilo que ele revela sobre si mesmo.

A Bíblia declara que Deus se revela de várias maneiras. Manifesta sua glória na natureza e por meio dela. Revelou-se nos tempos antigos por meio de sonhos e visões. As marcas da sua providência se manifestam nas páginas da História. Revela-se nas Escrituras inspiradas. O ponto mais alto da sua revelação é visualizado em Jesus Cristo, tornando-se ser humano – o que os teólogos chamam de "encarnação".

O autor da carta aos Hebreus escreveu: Havendo Deus, outrora, falado, muitas vezes e de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas, nestes últimos dias nos falou pelo Filho, a quem constituiu herdeiro de todas as coisas, pelo qual também fez o universo. Hebreus 1.1,2.

Embora a Bíblia fale das "diversas maneiras" em que Deus se revela, distinguimos entre dois tipos principais de revelação – a geral e a especial.
A revelação geral é chamada assim por duas razões: (1) ela é geral no conteúdo e (2) é revelada para uma audiência geral.

Conteúdo Geral

A revelação geral nos proporciona o conhecimento de que Deus existe. "Os céus proclamam a glória de Deus", diz o salmista. A glória de Deus é manifesta nas obras das suas mãos. Essa manifestação é tão clara e visível que nenhuma criatura pode deixar de percebê-la. Ela revela o poder eterno de Deus e sua divindade (Rm.1.18-23). A revelação na natureza, porém, não proporciona uma revelação plena de Deus. Não nos dá informações sobre o Deus Redentor que encontramos na Bíblia. O Deus que se revela na natureza, entretanto, é o mesmo Deus que se revela na Bíblia.

Público Geral

Nem todas as pessoas no mundo já leram a Bíblia ou ouviram a proclamação do Evangelho. A luz da natureza, porém, brilha sobre todos, em todos os lugarem em todo o tempo. A revelação geral de Deus acontece diariamente. Deus nunca fica sem um testemunho de si mesmo. O mundo visível é como um espelho que reflete a glória do seu Criador.
O mundo é um palco para Deus. Ele é o ator principal, que aparece em primeiro plano e no centro. Nenhuma cortina pode fechar-se para obscurecer sua presença. Basta um olhar de relance na criação para se perceber que a natureza não é sua própria mãe. Não existe a tal "Mãe Natureza". A natureza em si mesma não tem poderes para produzir qualquer tipo de vida. A natureza, em si é estéril. O poder de produzir a vida reside no Autor da natureza – Deus. Colocar a natureza como a fonte de vida é confundir a criatura com o Criador. Todas as formas de adoração da natureza, portanto, são atos de idolatria e são abomináveis para Deus.
``A luz da força da revelação geral, todo ser humano sabe que Deus existe. O ateísmo envolve a negação total de algo que é reconhecido como verdadeiro. Por isso a Bíblia diz: "Diz o insensato no seu coração: Não há Deus." (Sl. 14.1). Quando as Escrituras tratam tão severamente o ateu, chamando-o de "insensato", elas estão fazendo um julgamento moral dele. Ser insensato, em termos bíblicos, não significa Ter pouco entendimento ou falta de inteligência; é ser imoral. Como o temor do Senhor é o princípio da sabedoria, assim a negação de Deus é o máximo da loucura.

Semelhantemente o agnóstico nega a validade da revelação geral. O agnóstico, porém, é menos berrante que o ateu. Ele não nega terminantemente a existência de Deus. Pelo contrário, ele declara que as evidências são insuficientes para se decidir de uma maneira ou de outra quanto à existência de Deus. Prefere suspender seu julgamento, deixando o tema da existência de Deus uma questão em aberto. À luz da clareza da revelação geral, entretanto, a posição do agnosticismo não é menos abominável para Deus do que a do ateísta militante.

Para qualquer pessoa, porém, cuja mente e coração estão abertos, a glória de Deus é maravilhosa de se ver – desde os bilhões de universos no firmamento, até as partículas subatômicas que formam a menor das moléculas. Que Deus incrível nós servimos!

Sumário

1. O cristianismo é uma religião revelada.

2. A revelação de Deus é uma auto-manifestação. Ele remove o véu que nos impede de conhecê-lo.

3. Não podemos conhecer a Deus por meio de especulação.

4. Deus se revelou de várias maneiras ao longo da História

5. A revelação geral é comunicada a todos os seres humanos.

6. O ateísmo e o agnosticismo são baseados na negação daquilo que as pessoas sabem ser a verdade.

7. A insensatez tem por fundamento a negação de Deus.

8. A sabedoria tem por fundamento o temor de Deus.

Autor: R. C. Sproul
Fonte: 1º Caderno Verdades Essenciais da Fé Cristã – R.C.Sproul. Editora Cultura Cristã. Compre este livro em http://www.cep.org.br .

Culpa. O Efeito da Revelação Geral


Culpa
O Efeito da Revelação Geral

"O que de Deus se pode conhecer é manifesto entre eles, porque Deus lhe manifestou". Romanos 1.19

A Escritura admite, e a experiência confirma, que os seres humanos inclinam-se naturalmente por uma forma de religião, embora falhem em adorar seu Criador, cuja revelação geral de si mesmo torna-o conhecido universalmente. O ateísmo teórico e o monoteísmo moral são opostos naturais: o ateísmo é sempre uma reação contra a crença pré-existente em Deus ou deuses, e o monoteísmo moral somente surgiu no despertar da revelação especial.

A Escritura explana este estado de coisas dizendo-nos que o pecado do egoísmo e da aversão às prescrições de nosso Criador conduz a humanidade à idolatria, o que significa transferir a adoração e reverência a outro poder ou objeto que não o Deus Criador (Is 44.9-20; Rm 1.21-23; Cl 3.5). Desta maneira, os humanos apóstatas "suprimiram a verdade" e "mudaram a glória do Deus incorruptível em semelhança da imagem de homem corruptível, bem como de aves, quadrúpedes e répteis" (Rm 1.23). Eles sufocam e extinguem, tanto quanto podem, a consciência que a revelação geral lhes dá do Criador-Juiz transcendente, e com seu inextirpável senso de deidade se apegam a objetos indignos. Isto, ao revés, leva a um drástico declínio moral, com a conseqüente miséria, como primeira manifestação da ira de Deus contra a apostasia humana (Rm 1.18,24-32).

No momento atual, no Ocidente, as pessoas idolatram e, na realidade, adoram objetos seculares, tais como a empresa, a família, o futebol e sensações agradáveis de várias espécies. Mas, o declínio moral persiste como resultado, tal como ocorreu quando os pagãos adoraram ídolos literais nos tempos bíblicos.

Os seres humanos não podem suprimir completamente sua percepção de Deus, bem como de seu julgamento presente e futuro; o próprio Deus não permitirá que o façam. Algum sentido do que é certo e errado, como também de ser submetido a um Juiz divino, sempre permanece. Em nosso mundo decaído, todas as mentes que não estão de algum modo anestesiadas têm uma consciência que, em certos pontos, as dirige e, de tempos em tempos, as condena, dizendo-lhes que devem sofrer pelos erros cometidos (Rm 2.14ss.); e quando a consciência fala nestes termos é, na verdade, Deus quem está falando.

A humanidade arruinada é, em certo sentido, ignorante de Deus, uma vez que o que as pessoas gostam de crer, e de fato crêem, com vistas ao objeto de seu culto falseia e distorce a revelação de Deus, da qual não podem escapar. Em outro sentido, contudo, todos os seres humanos permanecem cônscios de Deus, de modo culpável, com desconfortáveis pressentimentos do julgamento vindouro, que esperam não se cumpra. Somente o evangelho de Cristo pode falar de paz a esse aflito aspecto da condição humana.

Autor: J. I. Packer
Fonte: Teologia Concisa, pg. 11,12, Ed. Cultura Crista.

Os Profetas de Deus


Os Profetas de Deus

Dt 18.15-22; Is 6; Jl 2.28-32; Mt 7.15-20; Ef4.11-16

Os profetas do Antigo Testamento foram pessoas que receberam um chamado único de Deus e que receberam suas mensagens de maneira sobrenatural, as quais deveriam transmitir a nós. Deus transmitiu sua palavra através dos lábios e dos escritos dos profetas.

A profecia envolvia predição do futuro (preanunciar) e proclamação e exortação atuais da palavra de Deus (anunciar em seguida). Os profetas eram revestidos de tal maneira pelo Espírito Santo que suas palavras eram palavras de Deus. Por isso as mensagens geralmente eram prefaciadas com a frase: "Assim diz o Senhor".

Os profetas foram os reformadores da religião de Israel. Chamavam o povo de volta à adoração pura a Deus. Embora os profetas fossem críticos quanto à maneira como a adoração dos israelitas freqüentemente se degenerava num mero ritual, eles não condenavam nem atacavam as formas originais de adoração que Deus havia dado a seu povo. Os profetas não eram revolucionários nem anarquistas religiosos. Sua tarefa era purificas, não destruir; reformar, não substituir o culto de Israel.

Os profetas também se preocupavam profundamente com a justiça social e a integridade. Eram a consciência de Israel, chamando o povo ao arrependimento. Também funcionavam como promotores legais da aliança de Deus. Eles "intimavam" a nação por ter violado os termos da aliança com Deus.

Os profetas falavam com autoridade divina porque Deus os chamava especificamente para serem seus porta-vozes. Não herdavam sua função, nem eram eleitos para exercê-la. O chamado imediato de Deus, justamente com o poder do Espírito Santo, constituíam as credenciais dos profetas.

Os falsos profetas foram um problema constante em Israel. Ao invés de proferir os oráculos de Deus, transmitiam seus próprios sonhos e opiniões - dizendo ao povo somente o que este queria ouvir. Os verdadeiros profetas freqüentemente eram perseguidos e rejeitados por seus contemporâneos por se recusarem a comprometer a proclamação de todo o conselho de Deus.

Geralmente, os livros dos profetas são divididos em "profetas maiores" e "profetas menores". Essa distinção não se refere à maior ou menor importância dos profetas, mas ao volume dos seus escritos canônicos. Isaías, Jeremias, Ezequiel e Daniel são chamados de profetas maiores, porque escreveram mais, enquanto que Oséias, Joel, Amós, Obadias, Jonas, Miquéias, Naum, Habacuque, Sofonias, Ageu, Zacarias, Malaquias são referidos como os profetas menores, porque seus escritos são bem menores.

Os apóstolos do Novo Testamento possuíam muitas das características dos profetas do Antigo Testamento. Os apóstolos e os profetas juntos são considerados como o fundamento da igreja.

Sumário

1. Os profetas do Antigo Testamento foram agentes da revelação divina.

2. A profecia envolvia pré-anúncio e anúncio.

3. Os profetas foram os reformadores do culto e da vida dos israelitas.

4. Somente aqueles chamados diretamente por Deus tinham autoridade para serem profetas.

5. Os falsos profetas expressavam suas próprias opiniões e falavam o que o povo queria ouvir.

6. Profetas maiores e menores são designados assim de acordo com o volume e não pela importância dos seus escritos.

Autor: R. C. Sproul
Fonte: 1º Caderno Verdades Essenciais da Fé Cristã – R.C.Sproul. Editora Cultura Cristã.

A Revelação Especial e a Bíblia


A Revelação Especial e a Bíblia

Sl 119; Jo 17.17; 1 Ts 2.13; 2 Tm 3.15-17; 2 Pe 1.20,21

Quando foi tentado por Satanás no deserto, Jesus o repreendeu com as palavras: "Está escrito: Não só de pão viverá o homem, mas de toda palavra que procede da boca de Deus" (Mt.4.4). Historicamente, a igreja tem feito ecoar o ensino de Jesus, afirmando que a Bíblia é a vox Dei, a "voz de Deus" ou o verbum Dei, a "Palavra de Deus'. Chamar a Bíblia de "a Palavra de Deus" não significa sugerir que ela foi escrita pela própria mão de Deus, ou que caiu do céu num pára-quedas. A própria Bíblia claramente chama a atenção para seus muitos autores humanos. Se a estudarmos cuidadosamente, percebemos que cada autor humano tem seu próprio estilo literário peculiar, seu próprio vocabulário, ênfase especial, perspectiva e outros aspectos. Já que a produção da Bíblia envolveu esforço humano, como pode ser ela considerada Palavra de Deus?

A Bíblia é chamada de Palavra de Deus por causa da sua reivindicação, crida pela igreja, de que os escritores humanos não escreveram simplesmente suas próprias opiniões, mas que suas palavras foram inspiradas por Deus. O apóstolo Paulo escreve: "Toda Escritura é inspirada por Deus" (2 Tm. 3.16). A palavra inspiração é uma tradução da palavra grega que significa "sopro de Deus". Quer dizer, Deus soprou a Bíblia. Assim como temos de expelir ar de nossa boca quando falamos, assim, em última análise, a Bíblia é Deus falando.

Embora a Bíblia tenha chegado a nós por intermédio das mãos de autores humanos, a fonte suprema das Escrituras é Deus. Por isso os profetas podiam prefaciar suas palavras, dizendo: "Assim diz o Senhor". Por isso Jesus também podia dizer: "A tua palavra é a verdade" (Jo. 17.17) e "a Escritura não pode falhar" (Jo. 10.35).

A palavra inspiração também chama a atenção par ao processo pelo qual o Espírito Santo superintendeu a produção da Bíblia. O Espírito guiou os autores humanos para que as palavras deles não fossem nada menos que a Palavra de Deus. Não sabemos como Deus superintendeu a redação original da Bíblia. Inspiração, entretanto, não significa que Deus ditou sua mensagem para aqueles que redigiram a Bíblia. Ao invés disso, o Espírito Santo comunicou as exatas palavras de Deus por intermédio dos escritores humanos.

Os cristãos afirmam a infalibilidade e a inerrância da Bíblia porque, em última análise, Deus é o seu autor. E porque Deus é incapaz de inspirar algo falso, sua palavra é totalmente verdadeira e digna de toda confiança. Qualquer literatura humana, elaborada pelos meios normais, está sujeita a erros. A Bíblia, porém, não é um projeto humano normal. Se a Bíblia foi inspirada por Deus e sua redação foi supervisionada por ele, então não pode ter erros.

Isso significa que as traduções da Bíblia que temos hoje não estejam isentas de erro, mas que os manuscritos originais eram absolutamente corretos. Isso também não significa que cada declaração da Bíblia seja a expressão da verdade. O escritor do livro de Eclesiastes, por exemplo, declara que "no além para onde tu vais, não há obra, nem projetos, nem conhecimento, nem sabedoria alguma" (Ec.9.10). O escritor estava falando do ponto de vista do desespero humano e sabemos que esta declaração não expressa a verdade, de acordo com outros textos bíblicos. A Bíblia expressa a verdade até mesmo ao revelar a falsa argumentação de um homem desesperado.

Sumário

1. A inspiração é o processo por meio do qual Deus soprou sua palavra.

2. Deus é a fonte suprema da Bíblia.

3. Deus é o superintendente da Bíblia.

4. Somente os manuscritos originais da Bíblia eram isentos de erros.

Autor: R. C. Sproul
Fonte: 1º Caderno Verdades Essenciais da Fé Cristã – R.C.Sproul. Editora Cultura Cristã.

Origem da Bíblia


Origem da Bíblia

A Bíblia não é um livro qualquer. A origem dela está em Deus, que falou através de homens separados para registrar sua Palavra. Sabemos que a questão do caráter humano das Escrituras é algo acidental ou periférico: os homens escolhidos por Deus para registrar as Escrituras eram pessoas de carne e osso, que viveram em determinado período histórico enfrentando problemas específicos. Não há lugar para nenhum docetismo: os autores secundários tiveram um papel ativo e passivo. No entanto, devemos também acentuar, e este é o nosso ponto neste texto [1], que o Espírito chamou seus servos, revelou a si mesmo e sua mensagem, dirigiu, inspirou e preservou os registros feitos por esses homens. Como afirmou Gerard Van Groningen:

O Espírito Santo habitou em certos homens, inspirou-os, e assim dirigiu-os que eles, em plena consciência, expressaram-se na sua singular maneira pessoal. O Espírito capacitou homens a conhecer e expressar a verdade de Deus. Ele impediu-os de incluir qualquer coisa que fosse contrária a essa verdade de Deus. Ele também impediu-os de escrever coisa que não eram necessárias. Assim, homens escreveram como homens, mas, ao mesmo tempo, comunicaram a mensagem de Deus, não a do homem [2].

Essa compreensão, que advém das próprias Escrituras, caracteriza distintamente o cristianismo: os profetas não falaram aleatoriamente o que pensavam; antes, "testificaram a verdade de que era a boca do Senhor que falava através deles" [3]. Sobre essa questão Calvino declarou:

Eis aqui o principio que distingue nossa religião de todas as demais, ou seja: sabemos que Deus nos falou e estamos plenamente convencidos de que os profetas não falaram de si próprios, mas que, como órgãos do Espírito Santo, pronunciaram somente aquilo para o qual foram do céu comissionados a declarar. Todos quantos desejam beneficiar-se das Escrituras devem antes aceitar isto como um principio estabelecido, a saber: que a lei e os profetas não são ensinos passados adiante ao bel-prazer dos homens ou produzidos pelas mentes humanas como uma fonte, senão que foram ditados pelo Espírito Santo [4].

Nas Escrituras temos todos os livros que Deus quis que fossem preservados para nossa edificação:

Aquelas [epístolas] que o Senhor quis que fossem indispensáveis à sua Igreja, Ele as consagrou por sua providência para que fossem perenemente lembradas. Saibamos, pois, que o que foi deixado nos é suficiente, e que sua insignificância não acidental; senão que o cânon das Escrituras, o qual se encontra em nosso poder, foi mantido sob controle através do grandioso conselho de Deus [5].

terça-feira, 14 de outubro de 2008

Refletindo sobre a ordenação de mulheres ao Ministério Pastoral


Refletindo sobre a ordenação de mulheres ao Ministério Pastoral

Pr. Renato Vargens

I - Introdução:

O fato se mulheres podem ser ordenadas, ou não ao ministério, tem proporcionado uma série de debates na igreja evangélica nas mais distintas denominações. Infelizmente, o tema em questão, em vez de contribuir para o amadurecimento e crescimento da comunidade da fé, tem dividido igrejas e instituições de modo que denominações inteiras vêm sofrendo as conseqüências de polemizarem tal assunto.Entre os evangélicos, como comumente acontece existem, formas e maneiras diferentes de enxergar a questão: grupos distintos, desenvolveram percepções diferentes quanto à ordenação de mulheres ao ministério pastoral. Como por exemplo, os igualitaristas. Esta corrente, afirma que Deus originalmente criou o homem e a mulher iguais; e que o domínio masculino sobre as mulheres foi parte do castigo divino por causa da queda, com conseqüentes reflexos sócios-culturais. Segundo os igualitaristas mediante o advento de Cristo, essa punição e reflexos foram removidos; proporcionando conseqüentemente a restauração ao plano original de Deus quanto à posição da mulher na igreja. Portanto, agora, as mulheres têm direito iguais aos dos homens de ocupar cargos de oficialato da Igreja. Além dos igualitaristas, encontramos os diferencialistas , que por sua vez entendem que desde a criação – e portanto, antes da queda – Deus estabeleceu papéis distintos para o homem e a mulher, visto que ambos são peculiarmente diferentes. A diferença entre eles é complementar. Ou seja, o homem e a mulher, com suas características e funções distintas se completam. A diferença de funções não implica em diferença de valor ou em inferioridade de um em relação ao outro, e as conseqüentes diferenças sócios-culturais nem sempre refletem a visão bíblica da funcionalidade distinta de cada um. O homem foi feito cabeça da mulher – esse princípio implica em diferente papel funcional do homem, que é o de liderar.

No primeiro capítulo do livro de Gênesis, percebemos que ao criar o homem, Deus estabeleceu princípios que deveriam nortear suas relações com toda a criação. Note, a instrução da dada por Deus ao primeiro casal: "(...) enchei a terra e sujeita-a; dominai sobre os peixes do mar, sobre as aves dos céus e sobre todo animal que rasteja pela terra" (Gn 1:28)Deus não pediu a Adão ou o orientou para que ele dominasse Eva ou qualquer outro ser humano. Deus nunca planejou qualquer tipo de dominação ou instrumentalizaçã o de vidas humanas. O processo de dominação e instrumentalizaçã o acontece somente a partir da desobediência e da queda de Adão (Gn 3:16). Devemos usar, dominar e instrumentalizar a terra, os animais, pessoas não!O homem não é superior a mulher, em sentido algum. Assim, os diferencialistas afirmam que diferença de papeis e igualdade ontológica (do ser) são duas verdades perfeitamente compatíveis e bíblicas, enquanto que os igualitaristas afirmam que diferença de papéis implica inevitavelmente em julgamento de valor.

Bem, entendendo o que dizem igualitaristas e diferencialistas, voltamos a questão do nosso debate: "Podem mulheres ser ordenadas para servir na igreja como episcopisas (bispas), pastoras, presbíteras"?

II - O Ministério Feminino

Definindo Ministério

O que é Ministério? Ministério é serviço. (diakonia), e todo cristão- homem e mulher, jovem e velho – é chamado para seguir as pegadas daquele que não veio ser servido mais servir. (Mc 10:45). A única questão sobre a qual refletir é a forma que deve assumir seu ministério, e se deve colocar limites a ele; e também se a mulher deve ser ordenada.

A Evolução do Pensamento Quanto o papel e função das mulheres na Igreja no Decorrer da História:

A Igreja Católica Romana:

Até o final do século XIX, a Igreja Católica Romana entendia que as mulheres não poderiam ocupar nenhum lugar de importância na Igreja. Neste período da história, as mulheres não estavam autorizadas a receber a comunhão durante o período menstrual; e, depois do parto, tinham de ser "purificadas" antes de poderem reentrar numa igreja. Era-lhes estritamente proibido tocar nos "objetos sagrados" tais como o cálice, e utensílios da eucaristia. Não podiam em caso algum distribuir a comunhão. Na igreja deviam usar sempre um véu sobre a cabeça. Além disso, também estava proibido à mulher:

1- Entrar no coro, salvo para limpeza.
2- Ler as Sagradas Escrituras no púlpito.
3- Pregar.
4- Cantar no coral da igreja.
5- Servir à missa.
6- Ser membro pleno de organizações e confrarias de leigos.

A mulher era considerada em estado de castigo por causa do pecado. Era tida como responsável pelo pecado original e encarada como fonte contínua de sedução. Como poderiam criaturas pecadoras transmitir a graça de Deus? A mulher era considerada como ritualmente impura devido à menstruação. Sendo assim, como seria possível permitir que as mulheres maculassem a igreja, o coro e, em particular, o altar?

A Reforma e sua contribuição

A Reforma Protestante, trouxe mudança de interpretação quanto à posição da mulher na Igreja. Entretanto, tanto Lutero quanto Calvino, expressaram algumas idéias a respeito das mulheres em relação ao ministério cristão que teriam exercido alguma influência sobre os grupos protestantes, no que se refere à permissão às mulheres para exercerem cargos de liderança na igreja.

Lutero havia ensinado que todos os cristãos tinham o dever de desempenhar determinadas funções sacerdotais e que, sob circunstâncias incomuns, quando não houvesse um homem em disponibilidade, seria permitido que a mulher pregasse. Calvino acreditava que as questões envolvendo o governo e o culto da igreja, diferentemente da doutrina básica, poderiam sofrer mudanças com adaptações para uma cultura particular.

A igreja deveria ser sensível à cultura ao seu redor, de modo que não ofendesse indevidamente a sociedade quanto àquelas questões.

Os Batistas e os Quakers:

Houve dois grupos que deram oportunidades especiais as mulheres para que ministrassem: os Batistas do século XVII e os Quakers. Assim salientou um quaker proeminente. "Visto que todos são iluminados pelo Espírito Santo, o ministério da pregação, não está, logicamente, limitado aos homens. Os batistas e outros grupos tinham mulheres que pregavam. Há outras fontes que apóiam esta observação, pois declaram que mulheres pregavam na Holanda, na Inglaterra e em Massachusetts. Uma congregação londrina tinha cultos especiais em que mulheres pregavam, as quais, às vezes, atraíam multidões de mais de mil pessoas. As atividades das mulheres que serviam como ministras, entre algumas facções de crentes do século XVII, induziram a publicação do primeiro livro em inglês em defesa da participação feminina no ministério cristão.

John Wesley:

O movimento metodista do século XVIII, conduzido por John Wesley, de modo especial na Inglaterra e Estados Unidos, haveria de ter conseqüências significativas quanto ao ministério feminino. Wesley, inicialmente resistiu a idéia de mulheres pregadoras, no entanto, com o passar do tempo finalmente admitiu que as mulheres também poderiam receber uma vocação para realizar um trabalho que sempre fora proibido por tradição: falar em reuniões, testemunhar da fé, ensinar e finalmente pregar.

A Era das Pregadoras:

O despertamento evangélico do século XVIII, foi seguido de outro semelhante, na primeira metade do século XIX. Neste período houve um grande afluxo de mulheres na igreja, o século XIX tornou-se de maneira muito pronunciada, a era das mulheres.

As Denominações e as mulheres no século XX:

No século XX As igrejas luteranas definitivamente aceitaram mulheres no ministério. A igreja reformada da França em 1965 recebeu mulheres no ministério, e no ano seguinte o mesmo aconteceu à igreja da Escócia. Entre as igrejas livres britânicas desde 1917 têm-se ordenado mulheres ao ministério. Na igreja anglicana o padrão é irregular. O Bispo R. Hall de Hong Kong foi o 1º a ordenar uma mulher para o ministério (isto é: presbítera). Isto aconteceu em 1944. Em 1968, a Conferência Lambeth (de bispos anglicanos) declarou que os argumentos teológicos apresentados a favor e contra a ordenação de mulheres para o ministério são inconclusivos. Entretanto, em 1975 o sínodo geral da Igreja da Inglaterra expressou o ponto de vista segundo o qual "não há objeções fundamentais 'a ordenação de mulheres para o ministério."

Quanto às objeções:

É bem possível que alguns cristãos diante disto ainda pergunte:

1- Não só eram homens todos os apóstolos e presbíteros no tempo do Novo Testamento?

2- Porventura não existia no NT a orientação de que as mulheres deveriam permanecer caladas na igreja e não ensinar ou ter autoridade sobre os homens?


Algumas alegações Bíblicas favoráveis à ordenação de Mulheres:

1º - No AT, havia tanto profetisas quanto profetas, as quais eram chamadas e enviadas por Deus, para serem portadoras de sua Palavra. Mulheres como Hulda, no tempo do rei Josias (II Rs 22:14), Miriã,(Ex 15:20) irmã de Moisés, foram descritas como profetisas, enquanto Débora (Jz 4:04) foi mais além: ela julgou também Israel por alguns anos, resolvendo suas disputas e conduzindo-os à batalha contra os cananitas.

2º- No NT, embora na verdade Jesus não tenha tido nenhuma mulher no apostolado, foi a uma mulher quem primeiro ele se revelou depois da ressurreição, tendo confiado a ela as boas novas de sua vitória.

3º- O livro de Atos e as Epístolas, por sua vez contêm, muitas referências a mulheres que falavam e que trabalhavam. Como por exemplo:

a) As quatro filhas não casadas de Felipe, que tinham o dom de profecia.
b) Paulo por sua vez, se refere às mulheres que oravam e profetizavam na igreja de Corinto.
c) Paulo permaneceu várias vezes na companhia de Áquila e Priscila. Priscila era evidentemente ativa no trabalho de Cristo, em seu companheirismo conjugal. Por duas vezes é mencionada antes do marido.
d) Paulo teve mulheres auxiliadoras em sua companhia, assim como Jesus. É expressivo o nº de mulheres que menciona em suas cartas. Eudócia e Sintique, em Filipos são por ele descritos como "cooperadoras" (termo que também emprega para homens como Timóteo e Tito) combatentes ao seu lado pela causa do evangelho. Em Romanos 16 ele se refere aproximadamente a 08 mulheres, começando pela irmã Febe, serva (e talvez diaconisa) da igreja de Cencréia. "protetora de muitos" inclusive dele próprio. Envia então saudações a Maria, Trifena, Trifosa, e Persis entre outras, as quais diz ele - trabalharam "duro ou muito duro no serviço do Senhor."

4º- Além das referências específicas já mencionadas, há mais uma a corroborar com o ministério da mulher . É que no dia de Pentecostes, em cumprimento da profecia, Deus derramou do seu Espírito, sobre toda carne – Inclusive filhos e filhas e servos, homens e mulheres. Se o próprio Espírito foi dado a todos os cristãos, de ambos os sexos, também foram concedidos os dons (quer Congregacionais, quer ministeriais) e que delem procedem. Não há evidência, nem sequer insinuação de que os carismas se restringiam ao homem. Pelo contrário, os dons do Espírito foram distribuídos entre todos, para o bem comum, tornando possível o que é muitas vezes chamados de "ministério de todo membro do corpo de Cristo". Devemos concluir que Cristo não apenas concedeu dons (inclusive os de ensinar) à mulher mas paralelamente com os dons, chamou-a a desenvolver e exercitar esses dons em seu serviço e no serviço aos outros, para a edificação do seu corpo.Até aqui tudo claro. Mas voltemos agora a dupla ordem dada a mulheres para permanecerem em silêncio nas assembléias públicas. Como tratar então destes textos? Em I Corintios 14 Paulo está preocupado é com a edificação da igreja (e.g versos 3-5 e 26) e com decência e ordem na condução da adoração pública.(Verso 40). A ordem de Paulo para que as mulheres ficassem em silêncio é dirigida fundamentalmente a um grupo particular de mulheres, ou seja, mulheres que falavam demasiadamente, e não a todas as mulheres da igreja indistintamente. Assim portanto, é um equívoco pensar a partir deste texto que Paulo estivesse defendendo a idéia de que as mulheres não deveriam falar na igreja. Da mesma forma como os que falavam em línguas deviam permanecer calados na igreja caso não houvesse interprete (verso 28), e o profeta deveria para de falar se uma revelação fosse dada a um outro. (verso 30), assim também as mulheres tagarelas e faladeiras deveriam permanecer "caladas" na igreja. Se tivessem perguntas, que fizessem ao marido em casa (verso 34). Porque este era o principio que parecia governar todo comportamento público na igreja, Deus não é de confusão mais de paz (verso 33). Portanto, o que está em vista aqui não é uma proibição para todas a mulheres de falarem na igreja. Se Paulo estivesse fazendo tal proibição ele não mencionaria que a mulher poderia profetizar: "Toda mulher, porém, que ora ou profetiza com a cabeça sem véu desonra a sua própria cabeça, porque é como se a tivesse rapada." I Co 11:05

Soma-se a isso o fato de Paulo também mencionar que todos da congregação deveriam contribuir para a edificação com salmos, doutrina, revelações, línguas etc... Sem limitar ou restringir tais ações ou manifestações aos homens (verso 26). Muito possivelmente as mulheres as quais Paulo estava ordenando para que ficassem em silêncio sejam aquelas mulheres que haviam se convertendo dos cultos pagãos na cidade de Corinto. Perto desta cidade existia uma ilha chamada Agrocorinto, onde as jovens virgens das regiões próximas eram oferecidas como sacerdotisas num templo da deusa grega Afrodite. No culto profano, elas tinham que raspar a cabeça para dirigir as cerimônias realizadas em homenagem à deusa - daí a origem de outra orientação de Paulo para que, dentro do templo, elas mantivessem a cabeça coberta, possivelmente para não chamar a atenção. Convertidas pela mensagem do Evangelho, elas levavam para a igreja alguns hábitos perniciosos, como a conversa descontrolada, que chocava os crentes primitivos, impregnados de elementos da tradição judaica, onde a mulher tinha que ficar afastada do cerimonial." John Stott, acredita que existem situações nas quais é perfeitamente apropriada a mulher ensinar ao homem, visto que ao faze-lo ela não está usurpando uma autoridade indevida sobre ele.

Para isso 3 condições precisam ser cumpridas relativamente ao conteúdo, ao contexto e ao estilo de ensino:

1) O conteúdo

Jesus, escolheu, indicou e inspirou seus apóstolos como mestres infalíveis da sua igreja. O conteúdo e a mensagem existente na Bíblia é indiscutivelmente a Palavra de Deus. É imperioso que entendamos que o cânon das escrituras foi encerrado, e que hoje não existe apóstolos como os do primeiro século. Isto significa dizer, que não existe mais nada a ser revelado que já não fora revelado e que não esteja contido nas Escrituras. Na verdade a função primária dos mestres cristãos é "guardar o depósito" da doutrina apostólica no novo testamento e a expor. Portanto, o conteúdo a ser pregado deve ser exclusivamente a Palavra de Deus sem espaços para "novas revelações".

2) O Contexto

Em segundo lugar há o contexto do ensino, que deve ser entregue à equipe ministerial na igreja local. Quer direta ou indiretamente, Paulo indicou "presbíteros" (plural) em todas as igrejas. John Stott, afirma que muitas igrejas locais em nossos dias estão se arrependendo do ministério não bíblico de um só homem, e voltando ao modelo sadio da supervisão pastoral plural. Os membros de uma equipe podem capitalizar a soma total de seus dons, e nela deve haver seguramente uma mulher, ou mulheres. Mas, mantendo o ensino bíblico da liderança masculina, John Stott acredita que um homem deve liderar a equipe.

3) O Estilo

A terceira condição da aceitação do ensino pela mulher diz respeito ao estilo: Os mestres cristãos não devem ser arrogantes, sejam homens ou mulheres. Sua humildade deve manifestar-se tanto na submissão a autoridade da Escritura quanto em seu espírito de modéstia pessoal. O apostolo Pedro, sensível a tentação de orgulho que todo líder cristão enfrenta, exorta os companheiros de presbiterado a colocarem o avental da humildade, não como dominadores dos que foram confiados aos seus cuidados pastorais, mais tornando-se modelo do rebanho de Cristo. Estas instruções aos homens seriam ainda mais claramente exemplificadas nas mulheres que atingiram sua identidade feminina e não estão tentando de algum modo assumir a identidade masculina.

Concluindo:

Parece biblicamente permissível que as mulheres ensinem aos homens, desde que o conteúdo do ensino, seja bíblico, que seja submissa a um presbitério, e cujo estilo de ministério seja feminino e humilde.

Isto significa que:

1- Uma mulher poderá ser ordenada ao ministério desde que:

a) Esteja apta, bem como aprovada quanto ao conteúdo da mensagem que prega e ensina.

b) Demonstre submissão ao esposo (que de modo imprescindível tem de ter sido ordenado ao ministério)

c) Esteja submissa a um presbitério local. Implicando assim a impossibilidade de exercer qualquer tipo de atividade episcopal.

d) Exerça o seu dom com simplicidade e sem mutilar a sua própria feminilidade.

Quais as razões para as restrições em relação à ação ministerial da mulher?

1) A Ordem da Criação. - Primeiro foi criado o homem. A mulher foi criada por causa do homem e não o homem por causa da mulher.

2) O Ensino Paulino. – Paulo afirma que o homem é o cabeça da mulher, assim como Cristo é o cabeça da igreja.

3) A própria diferenciação fisiológica.

III - Outras considerações:

1- O mundo vive uma grande crise quanto à sexualidade.

2- A era da inversão de papéis na família.

3- A pós-modernidade e seus efeitos na sociedade.

4- O pré-conceito de uma sociedade machista.

5- Embora a Bíblia não diga nada diretamente a favor do pastorado feminino, também não diz nada contra.

Pr. Renato Vargens

Bibliografia:
1- Grandes Questões sobre Sexo - John Stott
2- Decisive Issues Facing Christians Today- John Stott
3- De Pai pra Filho – Luciano Vilaça
4- Mulheres no Ministério – Robert D. Culver, Susan Foh, Walter Liefeld, Alvera Mickelson
5- Women in the Methodist Movement – Frederick A. Norwood
6- Women's speaking, justified, proved and allowed of by the scriptures - Richard Greaves
7- Ordenação feminina: O Que o Novo Testamento Tem a Dizer? Augustus Nicodemus Lopes
8- Ordenação de Mulheres ao Ministério – Afonso Martins Fernandes Neto
9- Lugar de Mulher é no Púlpito –Marcelo Dutra e Marcos Almeida - Revista Vinde – outubro/1977
10- Ordenação das Mulheres? - John Wijngaards
11- O Silêncio de Adão – Larry Crabb

__._,_.___

Milagres Falsos


Milagres Falsos

por

R. C. Sproul

A questão que envolve o problema de Deus realizar milagres nos dias
de hoje é complexa e freqüentemente controversa. Se uma pessoa no
campo evangélico declara que não crê nos milagres que acontecem hoje,
ela freqüentemente é vista com desconfiança. A suspeita se levanta
porque a descrença nos milagres está associada ao naturalismo,
ceticismo ou Liberalismo (Uso a letra L maiúscula para Liberal a fim
de me referir a uma escola diferente de teologia e não a uma pessoa
que, de algum modo, possa ser considerada liberal.)

Uma vez que um ponto muito importante da disputa entre o Liberalismo
e o protestantismo envolve milagres bíblicos, a disputa se estende à
questão dos milagres atuais também. Há uma tendência aqui de atribuir
culpa por associação; como o Liberalismo não crê que os milagres
acontecem hoje, estamos propensos a pensar que qualquer pessoa que
negue que os milagres acontecem hoje deva ser Liberal. A diferença
fundamental entre evangélicos e Liberais na questão dos milagres não
é se eles acontecem hoje, mas se eles aconteceram no passado, como
afirma a Bíblia.

João Calvino, por exemplo, raramente é considerado um Liberal.
Calvino e Lutero, na época da Reforma, foram repetidamente desafiados
pela Igreja Católica Romana a realizarem milagres que autenticassem
seus ensinamentos. Roma apelou para seus milagres documentados de
santos como provas de que Deus estava falando por intermédio da
Igreja Católica Romana e não por meio dos reformadores. De sua parte,
os reformadores negaram que o ofício apostólico continuava na Igreja
ou que a Igreja era a fonte de nova revelação divina.

A discussão sobre a revelação contínua era crítica à posição da
Reforma de Sola Scriptura , a crença de que as Escrituras eram
suficientes e a única fonte de revelação especial. Roma alegava que
uma segunda fonte de tal revelação especial acontecia na tradição da
Igreja. Essa fonte dupla de revelação foi decretada no Concílio de
Trento no século XVI e reafirmada pela encíclica papal de Pio XII,
Humani Generis , no século XX. Roma, consciente da importância
bíblica de comprovação e testemunho dos milagres aos agentes da
revelação, podia apelar aos milagres da Igreja para sustentar sua
declaração de que ele era a verdadeira Igreja e que os reformadores
eram falsos profetas.

Esta questão da falta de milagres dos reformadores foi mencionada por
Calvino em sua carta ao rei da França que introduz sua famosa obra As
Institutas. Calvino diz:

Que de nós exigem milagres, agem de má fé. Ora, não estamos [nós] a
forjar algum Evangelho novo, ao contrário, retemos aquele mesmo à
confirmação de cuja verdade servem todos os milagres que outrora
operaram assim Cristo como os Apóstolos. E isto de singular têm
[eles] acima de nós, que podem confirmar a sua fé mediante constantes
milagres até o presente dia! Contudo, [o fato é que] estão antes a
invocar milagres que se prestam a perturbar o espírito doutra sorte
inteiramente sereno, a tal ponto são [eles] ou frívolos ou ridículos,
ou vão e mendazes (As Institutas - Editora Cultura Cristã, 1985, SP;
vol. 1, p. 20).

Os reformadores magisteriais alegavam que a doutrina que seguiam era
confirmada pela autoridade da Bíblia. Observamos nesses argumentos
que nem Roma, nem os reformadores desafiaram a premissa de que os
milagres funcionam como sinais que autenticam os agentes da
revelação; eles concordavam sobre essa questão. O pomo da discórdia
era se a revelação continuava além da era apostólica e com a
revelação contínua, a autenticação contínua por meio do milagre.
Calvino e Lutero desafiaram a autenticidade não só dos ensinamentos
de Roma e de sua declaração de uma autoridade apostólica e revelação
contínua, mas a autenticidade de seus milagres declarados. Os
reformadores achavam que os milagres de Roma não eram apenas
frívolos, mas falsos. Eles negavam que os milagres eram verdadeiros
de fato.

Uma coisa está clara sobre esta disputa. A questão não era se Deus
podia realizar milagres, mas se a Bíblia era a única fonte de
revelação especial registrada. Essa questão é freqüentemente ignorada
na discussão atual sobre a continuidade de milagres. Dentro do
cristianismo hoje, especialmente, mas não exclusivamente na facção
carismática, vêm sendo feitas declarações da nova revelação de Deus e
a presença abundante de novos milagres. A possibilidade de milagres
atuais é considerada tão grande que cartazes são vendidos nas
livrarias cristãs e adornam os gabinetes de muitos pastores com a
frase "Espere por um Milagre!". Nesses círculos, os milagres não são
só considerados possíveis, mas são esperados. Os evangelistas
prometem milagres em seus cultos de renovação e, até mesmo, declaram
realizá-los em rede nacional de televisão.

Devemos também ter o cuidado de observar que muitos evangélicos estão
convencidos de que a revelação não continua até hoje, mas que os
milagres continuam. Eles separam os milagres da revelação na
suposição de que podemos ter operadores de milagres sem revelação
enquanto outros alegam que você pode ter a revelação sem os milagres.
Uma vez que os milagres têm outras funções além de agentes que
testificam a revelação, eles podem continuar sem qualquer revelação
correspondente.

A posição clássica da Reforma sobre essa questão concorda que os
milagres têm outras funções além de autenticar os agentes da
revelação, como vimos. Isto é, os milagres podem fazer mais do que
atestar os agentes da revelação. Contudo, a questão continua; Eles
podem fazer menos? Nisto reside o problema.

Se um não-agente da revelação é capaz de realizar milagres, como os
milagres podem funcionar como provas do testemunho de um agente da
revelação?

Se agentes e não-agentes da revelação podem realizar milagres, que
valor de testemunho pode existir em um milagre? Se um falso profeta
pode realizar um milagre, o verdadeiro profeta não pode apelar aos
milagres como provas de sua própria posição.

O problema fica mais difícil quando vemos que o Novo Testamento apela
aos milagres dos apóstolos como provas de sua autoridade, o que é
claramente um apelo ilegítimo e um argumento falso se é verdade que
os não-agentes da revelação podem realizar milagres.

Fui convidado certa vez para falar em uma reunião de livreiros
cristãos na época em que o livro Bom Dia, Espírito Santo, de Benny
Hinn, era o mais vendido no mercado cristão. Perguntei: se Hinn
estava realizando os milagres que ele declarava realizar, por que
ninguém estava defendendo que seu livro fosse acrescentado ao cânon
do Novo Testamento? Hinn declarava ter recebido uma nova revelação,
que Deus ainda falava audivelmente a ele; conseqüentemente, ele tinha
todas as credenciais exigidas de um profeta da Bíblia.

Uma das coisas que está notavelmente ausente no repertório dos
operadores de milagres modernos é o tipo de milagres que eram
realizados por intermédio dos agentes bíblicos da revelação. Benny
Hinn realiza seus milagres em um palco com um equipamento cênico que
teria escandalizado os apóstolos. Ele não realiza milagres no
cemitério. Quem é o operador de milagres hoje que é capaz de
transformar água em vinho ou ressuscitar pessoas que morreram há
quatro dias? Benny Hinn não pode separar o mar Vermelho ou fazer com
que machados flutuem. Por que não? A qualidade do milagre que
sobrevive até os dias de hoje é menor do que aquela dos realizados
pelos agentes bíblicos da revelação? Será que o braço do Senhor está
encolhido?

Está claro que, como quer que definamos um milagre, devemos colocar
os pretensos milagres de hoje em uma classe ou categoria diferente
daqueles registrados nas Escrituras. Ninguém está tirando algo do
nada atualmente - exceto o governo federal, que fabrica dinheiro sem
lastro!

Isto significa então que Deus, na sua providência, não está mais
agindo?

Deus suspendeu e desistiu de exercer seu poder sobrenatural em nosso
meio?

Deus não responde às orações de modos extraordinários ou concede
pedidos de cura quando os médicos dizem que tal cura não pode
acontecer?

De maneira alguma.

Deus ainda vive e age. Ele responde às orações do seu povo de
maneiras notáveis. Sua graça sobrenatural está manifesta entre nós
todos os dias. Se considerarmos estas coisas como milagres, então,
devemos admitir que os milagres ainda estão acontecendo.

Distinguimos três categorias de questões levantadas pela função de
milagres para testificar os agentes da revelação e autenticar sua
Palavra escrita. Essas categorias incluem

a providência comum de Deus,

sua providência extraordinária e

seus milagres (no sentido restrito já definido).

Dentro dessas três categorias, afirmamos que Deus continua sua obra
de providência comum e sua obra de providência extraordinária, mas
não sua obra de autenticar os agentes da revelação especial com
milagres no sentido restrito.

Milagres Satânicos

A questão continua: E os milagres de Satanás? A Bíblia não ensina que
Satanás, o Grande Enganador, também pode realizar milagres?
Observemos alguns dos textos relevantes da Bíblia que levantam esta
questão:

Quando profeta ou sonhador de sonhos se levantar no meio de ti, e te
der um sinal ou prodígio, e suceder o tal sinal ou prodígio, de que
te houver falado, dizendo: Vamos após outros deuses, que não
conheceste, e sirvamo-los; não ouvirás as palavras daquele profeta ou
sonhador de sonhos; porquanto o Senhor vosso Deus vos prova, para
saber se amais o Senhor vosso Deus com todo o vosso coração, e com
toda a vossa alma (Dt 13.1-3).

Muitos me dirão naquele dia: Senhor, Senhor, não profetizamos nós em
teu nome? E em teu nome não expulsamos demônios? E em teu nome não
fizemos muitas maravilhas? E então lhes direi abertamente: Nunca vos
conheci; apartai-vos de mim, vós que praticais a iniqüidade (Mt
7.22,23).

Então, se alguém vos disser: Eis que o Cristo está aqui, ou ali, não
lhe deis crédito; porque surgirão falsos cristos e falsos profetas, e
farão tão grandes sinais e prodígios que, se possível fora,
enganariam até os escolhidos. Eis que eu vo-lo tenho predito.

Portanto, se vos disserem: Eis que ele está no deserto, não saiais;
eis que ele está no interior da casa, não acrediteis (Mt 24.23-26).

A esse cuja vinda é segundo a eficácia de Satanás, com todo o poder,
e sinais e prodígios de mentira, e com todo o engano da injustiça
para os que perecem, porque não receberam o amor da verdade para se
salvarem. E por isso Deus lhes enviará a operação do erro, para que
creiam a mentira; para que sejam julgados todos os que não creram na
verdade, antes tiveram prazer na iniqüidade (2Ts 2.9-12).

Esta amostra de textos bíblicos chama a atenção para a sóbria
admoestação acerca dos poderes e do engano de Satanás. Sua primeira
aparição como serpente no Éden foi marcada pela malícia e astúcia, e
ele continua a ser um adversário formidável para o povo de Deus. Como
Lutero disse: "astuto e mui rebelde" e, uma vez que está unido
ao "ânimo cruel", ele se torna ainda mais perigoso. Satanás é tão
habilidoso na arte de enganar que ele é capaz de nos aparecer sub
species boni, ou sob os auspícios do bem. Ele pode se transformar em
anjo de luz, e ele busca enganar até "os escolhidos" (Mt 24.24 e Mc
13.22).

As Escrituras retratam Satanás como um ser superior a nós. Ele é um
ser angelical, embora seja um anjo caído.

Como tal, estritamente falando, ele não é um ser sobrenatural. Ele
pode ser superior ao que esperamos ver na "natureza" comum, mas ele
ainda pertence à ordem natural no sentido de que ele é uma criatura e
parte da ordem de criaturas da natureza. Ele não está no nível de
Deus e não possui atributos divinos incomunicáveis. Ele é um ser
espiritual, porém um espírito finito. Ele não é infinito, eterno,
imutável, onisciente ou onipresente. Ele pode ter mais conhecimento
do que temos e um poder maior, mas ele não tem o poder divino.

Quando a Bíblia fala de pretensos "milagres" de Satanás, suas obras
são chamadas de "sinais e prodígios de mentira" (2Ts 2.9). A questão
é a seguinte: o que quer dizer o termo mentira?

Isto significa que Satanás pode realizar milagres verdadeiros em
favor de uma causa mentirosa?

Ou significa que os sinais e prodígios que ele realiza são mentiras
na medida em que são truques fraudulentos e não milagres verdadeiros?

Os teólogos se dividem nesta questão.

Alguns crêem que Satanás pode realizar milagres verdadeiros no
sentido de que ele pode fazer obras que são contra naturam, e alegam
que essas obras não são contra peccatum , ou "contra o pecado". Esta
distinção técnica tem o objetivo de mostrar que, embora Satanás possa
agir contra a natureza, ele nunca pode, ou pelo menos não poderá,
agir contra seus próprios propósitos do mal, que são "a favor do
pecado" em vez de "contra o pecado" . O raciocínio é que uma casa
dividida contra si mesma não permanece e Satanás nunca agirá contra
seus próprios objetivos fazendo milagres. Seus milagres sempre são
direcionados contra o bem e a verdade de Cristo. Sabemos, por
defensores dessa opinião, que podemos discernir a diferença entre os
milagres de Satanás e os milagres de Deus, sujeitando-os à prova da
Escritura.

Esse argumento sofre de uma falácia fatal, a falácia do raciocínio
circular. Antes de podermos testar os milagres de Satanás pelo
contexto da Escritura, devemos, primeiro, ter uma Escritura pela qual
testá-los. Lembramos que a Escritura é atestada pelos milagres
realizados pelos agentes da revelação que certificam que são porta-
vozes de Deus. Contudo, como sabemos que os milagres que os atestaram
não foram satânicos? Talvez Nicodemos devesse ter corrigido sua
afirmação para, "Bem sabemos que és Mestre, vindo de Deus ou de
Satanás; porque ninguém pode fazer estes sinais que tu fazes, se Deus
não for com ele". Na verdade, foi essa a acusação que os fariseus
fizeram contra Jesus, que ele estava realizando milagres pelo poder
de Satanás. Neste ponto, sua teologia foi inferior àquela de
Nicodemos, que foi mais restritiva na sua visão de milagre.

O mesmo problema que encontramos com a questão dos milagres
realizados por não-agentes da revelação está exagerado pelo problema
dos milagres satânicos. Se Satanás pode realizar milagres
verdadeiros, então o apelo bíblico aos milagres como certificação de
que os operadores de milagres vêm de Deus é um apelo ilegítimo.

Penso que faz mais sentido concluir que a "mentira" que descreve os
sinais e prodígios de Satanás não só descreve seu objetivo, mas seu
caráter. Eles são sinais mentirosos por serem fraudulentos e falsos.
Seus sinais se assemelham aos truques espantosos realizados pelos
magos do Egito que buscavam ter os mesmos poderes de Moisés:

E o Senhor falou a Moisés e a Arão, dizendo: Quando Faraó vos falar,
dizendo: Fazei por vós algum milagre; dirás a Arão: Toma a tua vara,
e lança-a diante de Faraó, e se tornará em serpente. Então Moises e
Arão entraram a Faraó, e fizeram assim como o Senhor ordenara; e
lançou Arão e sua vara diante de Faraó, e diante dos seus servos, e
tornou-se em serpente.

E Faraó também chamou os sábios e encantadores e os magos do Egito
fizeram também o mesmo com os seus encantamentos. Porque cada um
lançou sua vara, e tornaram-se em serpentes; mas a vara de Arão
tragou as varas deles (Êx 7.8-12).

Os magos do Egito não tinham mais mágicas do que os mágicos têm hoje.
A diferença é que a maioria dos mágicos modernos no mundo ocidental
realmente não declara fazer mágica, contudo, está muito disposta a se
chamar de "ilusionista" , ou mestre do truque de mão. Existem muitas
lojas de magia onde aqueles interessados nessa forma moderna de
entretenimento podem aprender muitos truques da arte. Certa vez, tive
um vizinho que era marceneiro. Sua especialidade era fazer gabinetes
especiais para a realização de mágicas. Eles tinham mecanismos
inteligentes de dobradiças, fundos falsos, painéis secretos e
freqüentemente espelhos. Os mágicos de hoje não têm problemas para
esconder um coelho em uma cartola ou mesmo uma cobra em um tubo
desmontável. Quando Moisés e Arão realizaram seus milagres, os magos
do Egito acharam que podiam fazer igual. Contudo, não só suas
serpentes foram tragadas no processo, eles ficaram aflitos quando
logo se esgotou seu saco de truques e não puderam realizar os feitos
dos verdadeiros operadores de milagres.

Alguns dos truques realizados pelos mágicos modernos são
verdadeiramente espantosos para aqueles que os assistem. A ironia é
que, embora muitos deles exijam grande habilidade e anos de uma
cuidadosa prática, alguns dos feitos mais magníficos que eles
realizam são, ao mesmo tempo, alguns dos mais simples de se executar.

Lou Costello ganhava muito dinheiro em apostas quando mostrava uma
pilha normal de cartas e pedia a um "trouxa" para selecionar qualquer
carta do monte. Então, Lou lhe dizia que conhecia alguém em uma
cidade distante que era um confiável telepata. Lou apostava que se o
homem ligasse para o telepata e pedisse para falar com o mago, esse
mago lhe contaria, por meio de telepatia, qual carta ele tinha
selecionado. Quando o tolo fazia a aposta (como Jackie Gleason
admitiu ter feito uma vez), ele discava o número e chamava o mago. O
mago pedia que o homem pensasse na carta que tinha selecionado e,
então, prontamente, lhe dizia a carta pelo telefone... Este truque
funcionava todas as vezes.

Como Costello ou o mago faziam isso? Era um trambique simples.
Costello tinha cinqüenta e dois "magos" espalhados por todo o país.
Cada um era responsável por uma carta em particular. Costello
memorizava o mago e seu número de telefone para todas as cinqüentas e
duas cartas do monte. Quando o trouxa escolhia uma carta, Costello
simplesmente lhe dava o nome do mago responsável pela carta em
questão. Toda vez que aquela pessoa recebia um telefonema de alguém
pedindo um mago, ela sabia qual era a carta que devia identificar.

Os truques de Satanás são bem mais sofisticados do que isso, contudo
não deixam de ser truques. Seu ilusionismo pode exceder o de Houdini,
mas de maneira alguma se aproxima do poder miraculoso de Deus, que
sozinho pode tirar algo do nada e a vida da morte.

Os agentes de Satanás perderam a disputa com Moisés e Arão. Eles
foram derrotados por Elias no monte Carmelo. E eles não foram páreo
para Cristo no deserto ou durante seu ministério na terra. Satanás
buscou induzir Jesus a usar seu verdadeiro poder miraculoso a serviço
de Satanás, um poder que Satanás cobiçava. Simão, o mágico, buscou em
vão comprar o poder do Espírito Santo (At 8.9).

A providência de Deus é servida pelo poder de Deus. Os milagres são
parte do governo soberano de Deus sobre a criação e sobre a história.
Sua Palavra é soberanamente autenticada por aquele poder que ele não
está disposto a conceder aos poderes das trevas. Os truques de
Satanás são expostos pela Palavra, cuja verdade foi confirmada e
comprovada pelo testemunho miraculoso de Deus.

A Igreja atual enfrenta uma grave ameaça daqueles que querem
reivindicar o poder e a autoridade apostólicos. Neste aspecto, o
cristão deve estar sempre vigilante e fugir daqueles que têm tais
pretensões.

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Fonte: Extraído de A Mão Invisível - Todas as Coisas Realmente
Cooperam para o Bem?, R.C. Sproul. 1ª Edição, Editora Bompastor,
2001. São Paulo, SP. 237-262.

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Fechando os Muros


Fechando os Muros

Igreja Batista Esperança

Neemias - 6 - 15 : 15

Intro: Vimos na primeira mensagem sobre este livro que após obter autorização do rei Artaxerxes para a reconstrução de Jerusalém, Neemias chega a cidade que estava destruída, durante a noite ele sai pelas ruas para avaliar a situação, quando retorna ele reune os homens de Jerusalém e declara seus planos, imediatamente seus planos são aceitos e a obra começa.

Porque era tão importante reconstruir os muros? Resposta: Sem os muros não se havia separação dos inimigos, com os muros rachados a cidade estava sem proteção, os inimigos entravam e saiam a hora que queriam, seu paganismo, sua idolatria continuavam dentro dos muros de Jerusalém, Neemias então diz: "edifiquemos os muros e deixemos de ser vergonha. 2:17".

Com os muros erguidos a cidade se fortalece e os inimigos ficam do lado de fora, em 6:15 lemos que a obra acabou em 52 dias.

Poderíamos parar por aqui, adorar a Deus pela vitória que foi dada ao seu povo, a história estaria terminada, porém, as coisas não são bem assim. A reconstrução foi feita, mais diante de muita oposição, poderemos nos separar do pecado e do mundo mas precisamos estar determinados.

Tema: Vejamos o que enfrentou Neemias para reconstruir os muros:

1. Para reconstruir os muros Neemias enfrentou o escárnio ( Neemias 4:1-3).

a. Uma das armadilhas mais usadas por Satanás é o descaso, e foi essa a primeira que ele usou contra Neemias. Vejam o que as pessoas diziam:

i. Fracos judeus (v.2).

- Vocês são fracos, desqualificados, não são especialistas em muros,. Vocês acham que vão mesmo terminar esta obra?

- Desistam vocês nunca irão terminar isso, seu Deus não liga para vocês, para que vão oferecer sacrifícios a esse Deus?

ii. Pedras queimadas (v.2).

- Quando as pedras calcarias são queimadas elas se tornam muito moles e perdem a durabilidade, então estavam dizendo este muro vai cair logo não vai durar, até um animal noturno derrubará seu muro, vocês estão perdendo seu tempo, desistam nós somos mais fortes do que vocês, vamos entrar a qualquer hora aí.

iii. Provocam a ira (v.5).

- Enquanto os homens estavam trabalhando para reconstruir seus muros o inimigo lá estava, provocando, tentando desviar suas atenções da obra, tentando iritá-los a tal ponto que desentissem de tudo.

- Muitas vezes em nossas vidas nós estamos querendo levantar os muros, talvez você está aqui hoje dizendo: Vou consertar os muros da minha vida como disse o filho pródigo "Levantarme-ei e irei ter com meu Pai", talvez você esteja aqui hoje dizendo: vou colocar o pecado do lado de fora como fez o filho pródigo "pequei contra o céu e diante de tí", pode ter certeza que Satanás vai tentá-lo a desistir, vai rir de você, vai dizer você é muito fraco para fazer isso, você não tem coragem, Deus não está se importando com você, você já caiu uma vez vai cair de novo.

- Quando alguém está querendo viver uma vida que agrada a Deus ele vai ser motivo de zombaria.

- muitas vezes quando um jovem declara que sente o chamado para o ministério os seus “amigos” vão rir dele.
- muitas vezes quando alguém está querendo voltar atrás colocar padrões morais em sua vida ele vai sofrer perseguição.
- sabe porque muitas vezes nós encontramos nas igrejas jovens que estão isolados pelos cantos com poucos amigos? É por que estão querendo levar sua vida espiritual a sério.

b. Fique firme!

i. Neemias não confiava em sí mesmo porém dizia "O Deus do céu é quem nos dará bom êxito" lembre-se das palavras de Paulo em (Fil. 4:13) "Posso todas as coisas naquele que me fortalece".

ii. A vontade de Deus é a nossa santificação, e de acordo com Pedro temos que adicionar à nossa fé a perseverança, não dê ouvidos ao inimigo mas prossiga em sua obra de restauração, e não desanime, pois assim fez Neemias e o povo, com ânimo fecharam os muros até a metade (Neemias 4:6).

Sentença Transitiva
Mas não foi somente escárnio que Neemias sofreu na reconstrução dos muros, mas...

2. Para reconstruir os muros Neemias sofreu ataques do inimigo (Neemias 4:7-8).

a. O inimigo uniu forças (v.8).

i. Os arábicos eram liderados por Gesém (Neemias 2:19).

ii. Os amonitas eram liderados por Tobias (Neemias 2:19).

iii. Os asdoditas (Filisteu) provavelmente foram insitados por Sambalá.

b. O inimigo agora quer o confronto (v.8).

i. O inimigo viu que o escárnio não havia funcionado.

ii. Os muros já estavam até a metade, não podiam esperar mais pelas raposas.

iii. Teriam que atacar e o ataque seria secreto (4:11).

c. Como reagiu Neemias aos ataques do inimigo?

i. Com oração (Neemias 4:9).

ii. Estando preparado para o ataque (Neemias 4:9).

- distribuiu o povo (4:13).
- armou o povo (4:13).
- elaborou um plano:

- metade trabalhava a outra metade vigiava (4:16).
- os carregadores, uma mão com espada e a outra com a carga (4:17).
- os edificadores traziam a espada na cinta (4:18).
- todos estavam prontos (4:23).

iii. Vigiando (Neemias 4:21).

iv. Não se descuidando (Neemias 4:22-23).

- Ao que tudo indica muitos judeus não passavam as noites na cidade , mas voltavam para suas aldeias, e essa atitude além de tomar tempo precioso também fazia com que a cidade ficasse desprotegida à noite, e desta feita exposta aos ataques inimigos.

- Neemias então orienta o povo a ficar na cidade e trabalhar o dia e servir de guarda durante a noite.

v. Sendo sábio (Neemias 6:1-4).

- O inimigo é muito astuto, usa de várias estratégias, muitos truques sujos, para nos afastar da obra do Senhor, precisamos de sabedoria vinda de Deus para podermos enfrentar o inimigo, precisamos estar preparados (I Pedro 5:8-9).

- O vale de Ono ficava a aproximadamente a uns 32 Km de Jerusalém, a intenção de Sambalá e seus amigos era a de afastar Neemias da obra, para que na sua ausência atacassem a cidade e até mesmo com a intenção de matá-lo no vale.

- De acordo com o relato quatro vezes o mesmo pedido quatro vezes a mesma resposta.

- Neemias considerava a sua obra mais importante que qualquer outra coisa, e ele não queria jogar seu precioso tempo fora.

- Satanás vai nos fazer convites para nos desviar da obra do Senhor, ele vai insistir, colocará em nossos caminhos a mulher adúltera, jovens vocês serão convidados aos prazeres da mocidade, se não considerarmos a obra de Deus como prioridade iremos aceitar o convite, Neemias disse: "Estou fazendo grande obra".

Sentença Transitiva
Não foi somente escárnio e ataques que Neemias sofreu, mas também...

3. Para reconstruir os muros Neemias foi caluniado (Neemias 6:5-9).

a. Mais uma investida para afastar Neemias da obra, dessa vez foi a calúnia, a carta foi lida em público com o objetivo de:

i. Talvez fazer com que ele fosse até Ono para esclarecer os fatos, e assim a obra seria interrompida.

ii. Minar sua autoridade, dizendo que ele havia comprado os profetas para falarem dele ao povo e proclamá-lo rei.

b. Quando estamos querendo arrumar nossas vidas diante de Deus, quando estamos querendo erguer novamente os muros da separação do mundo, do pecado e vivermos uma vida santa e que agrada a Deus Satanás vai tentar nos caluniar, usando pessoas para julgar nossos motivos e intenções. Não desanime pois "Deus fortalecerá suas mãos".

Sentença Transitiva
Neemias sofreu escárnio, ataques, calúnia e também...

4. Par reconstruir os muros Neemias foi traído (Neemias 6:10-13).

a. O profeta diz a Neemias: Deus me revelou que os inimigos vão tentar te matar ainda esta noite, vamos pois ao templo e nos escondamos lá.

b. Neemias conhecia seu Deus e sabia que Ele não iria dar uma profecia que contrariasse a lei de Moisés, que impedia que um leigo entrasse no templo.

c. Quando alguém está andando com Deus e conhecendo a sua palavra ele não vai dar ouvidos a falsos profetas e a falsas doutrinas (Heb. 4:12 & 5:14).

5. Conclusão

a. Assim em meio a zombaria, ataques, calúnia e traição a obra foi concluída em 52 dias.

b. Não se preocupe se ao tentar consertar sua vida você sofrer ataques.

c. Lembre-se esses ataques podem vir até de dentro da sua própria casa ou igreja.

d. Tenha sempre em mente esta grande verdade: “Deus dos céus é quem nos dará bom êxito.”

Fechando as Portas


Fechando as Portas

Igreja Batista Esperança

Neemias - 6 - 1 : 4

Intro:
Durante nossos estudos em Neemias já vimos o que significavam os muros na vida de uma cidade no passado, separação, proteção, diferenciação, também vimos como foi difícil para Neemias e para o povo a reconstrução, pois os inimigos não estavam satisfeitos em ver o estabelecimento da Nação de Israel, nem de ver que eles estavam novamente no controle da situação, vimos quantos ataques e dos mais variados possíveis eles receberam.

Fizemos aplicação para nossa vida, vendo que precisamos nos separar do mundo, dos costumes do mundo, do neo evangelismo, das doutrinas falsas, dos falsos líderes, também vimos a importância da separação no sentido de proteção do povo de Deus, e da diferenciação dos grupos que dizem estar servindo ao Senhor.

Falamos da importancia de erguer os muros para a cidade, e também vimos a importância de se estabelecer muros que cerquem nossa vida espiritual, hoje porém vamos ver que não foram somente os muros que foram estabelecidos.

Tema: Veremos que duas medidas importantes foram tomadas que possibilitaram a reconstrução dos muros.

Sent. Trans. A primeira medida foi...

1. Para poder erguer os muros foi preciso tirar os escombros, e encontrar os alicerces antigos (Ne. 4:10).

a. O que havia caído eram os muros não o alicerce, e como vimos então muitos entulhos ficaram pelo chão, o primeiro trabalho a se fazer era tirar o lixo que cobria o alicerce, isso não foi tarefa fácil, diz o nosso texto que os homens ficaram exautos, chegaram até a desanimar dizendo: "nunca iremos conseguir reconstruir os muros pois existe muito lixo pesado sobre o alicerce".

i. Quando Neemias chegou em Jerusalém a Bíblia diz que ele foi dar uma olhada para fazer uma avaliação da situação, montou num animal e começou a caminhar pela cidade porém ao chegar em um determinado local ele teve que parar (Ne. 2:14), não havia local para o animal passar tal era o volume de entulho.

ii. Remover lixo não é uma tarefa fácil nem gostosa de se fazer, mas para se rercontruir alguma coisa é preciso tirar o lixo, não se faz uma construção sobre um monte de entulhos.

b. Talvez você está aqui hoje dizendo puxa, um dia os muros da minha vida espiritual foram para baixo, os inimigos então entraram pois a vida espiritual estava sem proteção, o pecado teve liberdade e em sua vida muito lixo foi acumulado, talvéz você esteja pensando "acho que nem sou um crente", não se deixe levar pelas armadilhas de Satanás pois ele quer que você de sua vida por perdida, ele quer te desmotivar como fez com o povo de Israel, veja as palavras de Jesus em (João 13:10), se você sujou a sua vida com pecado você só precisa reconhecer que errou, pedir perdão a Deus e Ele está pronto a perdoar (I João 1:9).

c. Talvez você está aqui e tenha acumulado em sua vida lixo doutrinário que te impede de servir a Deus, talvez você esteja guardando em sua vida mágoa de alguém, e a mágoa não resolvida se torna em raiva ou até mesmo em ódio e isso tem prejudicado a edificação de sua vida espiritual.

d. Como é fácil guardar lixo. Quem tem porão em casa? Quem tem sótom? Quem tem um quartinho nos fundos?

i. Quando as mulheres vão mexer nestes lugares elas acham tanto lixo que os maridos guardam, cada tralha que não serve para nada.

ii. Às vezes as mulheres ajuntam todo aquele lixo colocam em uma caixa para jogar no lixo aí chega o marido a noite e quase morre do coração e começa a pegar aquelas coisas imprestáveis e dizer: "isso eu não posso jogar fora, é do carro", isso aqui é um "motor de geladeira, nunca se sabe quando vamos precisar", e quando menos se espera o danado já guardou tudo no quartinho de novo.

e. Como é dificil se desprender do lixo.

i. Outro dia eu estava mexendo na minha caixa de ferramentas e achei uma pecinha que era de um corcel 70 que eu tive muitos anos atrás, lá estava ela bem guardadinha (era um botãozinho que eu usei para adaptar uma buzina no painel por que não tinha buzina) e sabe de uma coisa ontem à noite eu fui procurar aquele botãozinho na minha caixa de ferramentas para trazer e mostrar pra vocês, mas eu não o achei mais. Sabe eu fiquei deprimido por não ter achado meu botãozinho, mas aí eu achei uma cebolinha do radiador (que não funciona mais) mas estava lá bem guardadinha! e trouxe aqui pra vocês verem.

ii. Quanta sujeira pode ter em nossas vidas neste exato momento, sujeira que pode estar impedindo que nós tenhamos maior comunhão com nosso Deus, impedindo que façamos a vontade de Deus, e talvez fazendo-nos dar um mal testemunho como cristão. Ser espiritual é ter a capacidade de reconhecer um lixo em nossas vidas e ter a coragem de descartá-lo de nossa vida.

Sent. Trans. Uma vez que o lixo foi tirado e os muros reconstruidos foi preciso tomar mais uma medida...

2. Para que os muros tivessem efeito era preciso restaurar as portas (Ne. 6:1).

a. As portas eram muito mais do que simples lugar de entrada e saída, era também um lugar de jurisdição, onde as autoridades se encontravam para tratar de negócios. tanto é que para mostrar a vitória da sua igreja Jesus declara: "as portas do inferno não prevalecerão contra ela".

b. É possivel existir portas sem muros, mais aí as portas perdem sua função.

c. Também por mais fortes que sejam os muros eles perderão sua função se não houverem as portas, e Neemias nos conta outro fato (Ne. 3:3; 6; 13; 14; 15), as portas deveriam ser trancadas.

i. As portas também deveriam ser guardadas (Ne. 7:1-3), é preciso colocar guardas leais, tementes a Deus para guardas as portas.

ii. As gigantescas muralhas da China foram por três vezes traspassadas pelos inimigos sabe por que? porque os guardas foram subornados.

3. Conclusão.

a. Lembre-se sempre que é impossível construir algo em cima de lixo entulhos (lixo), se você tem guardado pecado em seu coração (pecados de estimação), o Senhor não te ouvirá, pois não há comunhão entre Luz e trevas.

b. Encontre novamente o fundamento da sua fé. Jesus afirma em Apocalípse: Lembra-te de onde caíste arrepende-te e volta à prática ds primeiras coisas! (Ap. 2:5).

c. Tranque as portas da sua vida para que o inimigo não o tente a pecar e ofender a Deus, e seja uma toore de vigia.

d. Tanto nossa vida espiritual, como nossas famílias e também nossas igrejas, precisam de guardas fiéis a Deus, responsáveis que não permitam que o pecado o mundanismo a imoralidade entrem em nossas vidas.

Fechando as Arestas


Fechando as Arestas

Igreja Batista Esperança

Neemias - 2 - 11 : 17

Introdução:
Após conseguir a autorização do rei para a reconstrução da cidade Neemias partiu. Que tipo de homem seria preciso para executar tal tarefa? Que tipo de confiança teria que ter um homem para executar tal tarefa? Qual teria que ser a atitude de um homem que seria usado para erguer um povo da sua vergonha?

As vezes ao lermos certos trechos e histórias da Bíblia esquecemos de observar o preço que o personagem principal teve que pagar por sua participação na história, no caso de Neemias, ele trocou luxo e segurança por ruínas e perigo, também trocou honra e tranqüilidade por ridículo e trabalho. E lemos que em 52 dias ele concluiu a obra.

Será que ele era um tipo de super-homem? claro que não!, era um homem de caráter, um homem de uma integridade admirável.

O crente é alguém chamado para ser esse tipo de pessoa, somos chamados para sermos novas criaturas, somos chamados para executarmos grandes obras, mas para isso temos que ter o coração de Neemias, certamente que Neemias tinha uma confiança em Deus de forma a compreender que o poder vinha do Senhor, certamente que Neemias tinha um caráter tão bem firmado no Senhor e isso fez com que ele se fortalecesse em meio às dificuldades, em meio às pressões do mundo à sua volta, certamente que Neemias tinha um coração pronto para obedecer ao Senhor e aos seus mandamentos.

Sentença Transitiva: Veremos a obra que esse homem e seus companheiros realizaram pela graça de Deus, e que nós precisamos hoje realizar:

1. A RECONSTRUÇÃO DOS MUROS (Neemias 2:11-17)

a. Pelo pecado os muros de Jerusalém haviam caído, seus moradores haviam sido levados ao cativeiro, de volta a sua terra por aproximadamente 100 anos pouco haviam feito, apenas uma reforma insignificante no Templo, a cidade estava aberta seus muros estavam caídos suas portas estavam queimadas a cidade estava em vergonha pois seus inimigos estavam de posse da cidade, os moabitas, os amonitas, os asdoditas, os árabes, e ainda os mistos samaritanos estes impediam que as obras, as reformas, as mudanças fossem feitas, eles estavam dentro da cidade santa, com sua idolatria seus costumes o nome de Deus não era glorificado através daquele povo.

b. Podemos até imaginar ou questionar, que com tanta coisa para se fazer por que Neemias foi se preocupar justamente com muros?

c. Como vivemos e moramos em cidades modernas não avaliamos a importância dos muros na época de Neemias, (a prioridade dos nossos gorvernos hoje são construir viadutos, pontes, túneis pois nosso problema é o trânsito), mas na época bíblica a coisa mais importante para um governador era fortalecer sua cidade, era reforçar os muros ao redor de toda sua extensão, pois a primeira coisa que os inimigos iriam tentar fazer era derrubar os muros, e Davi ora no Salmo 51:18 “Edifica os muros de Jerusalém”.

d. Uma cidade murada possuia distinção, e era capaz de defender-se dos inimigos, os muros eram sinal de separação e segurança, os muros demarcavam os limites, e Neemias disse: (v.17), “edifiquemos os muros e deixemos de ser o opróbrio (vergonha).”

e. A cidade que deveria ser o testemunho para as nações perdeu esse privilégio por ter seus muros rachados.

2. APLICAÇÃO

a. A igreja de Jesus foi colocada no mundo para servir de testemunho, disse Jesus: “sereis minhas testemunhas até os confins da terra” (Atos 1:8), Jesus também disse: “vós sois o sal da terra e a luz do mundo” (Mateus 5:13).

b. Assim sendo a igreja precisa estar rodeada de um muro, um forte, alto e largo muro, o muro da separação do mundo, o muro da separação dos costumes do mundo, o muro da separação do espírito do mundo, o muro do não conformismo com o mundo, o muro que demarca os limites.

c. E por não entender o que significa separação a tendência atual é a de derrubar os muros e tornar a separação entre a igreja e o mudo apenas nominal, e quando a igreja no intuito de alcançar o mundo, se torna igual a ele, ela perde seu impacto sobre o mundo, (Jerusalém assolada já não era testemunho para o mundo), e o mais triste de tudo é que nós mesmos estamos cooperando com o inimigo “demolindo nossos próprios muros” , e dessa forma estamos perdendo nossa característica e destruindo nossas defesas.

d. Em (Provérbios 22:28) temos uma exortação e um mandamento “Não removas os marcos que puseram teus pais”.

e. Separação do mundo não quer dizer isolamento em (João 17:15)

i. Jesus diz: “não peço que os tires do mundo, e sim, que os guardes do mal”, separação é contato sem contaminação.

ii. Jesus teve contato com leprosos e não se contaminou com lepra, em (Hebreus 7:26) nós lemos que Jesus foi “santo, inculpável, sem mácula, separado dos pecadores”.

iii. Contudo em (Lucas 7:34) lemos que Jesus foi “amigo dos publicanos e pecadores”.

f. Quando os muros da separação vão abaixo e os princípios do mundo entram perdemos os marcos de Deus

i. O casamento se torna leviano, uma simples busca de interesses, sexo, prazeres pessoais, entramos em jugo desigual, casamentos são desfeitos da mesma forma como começaram, entra a solução do mundo (o divórcio) e os crentes passam a adotá-lo.

ii. O dia do Senhor passa a ser ignorado, a pregação se torna leve, suave para que o povo não se ofenda, o pecado deixa de ser encarado como uma afronta a Deus, o povo passa a rejeitar os padrões divinos, os jovens passam a fazer de seus corpos atrativos sexuais sem muro, abertos a todo tipo de vulgaridade, o padrão de decência passa a ser substituído pela moda. Certo escritor disse: “jamais derrube uma cerca sem saber por que ela foi construída”.

g. O crente tem que estar protegido pelo muro da santidade Paulo diz (Efésios 6:11) e aqui ele descreve os nossos inimigos principados, potestades, dominadores deste século, forças espirituais, nada mudou os inimigos estão ao nosso redor temos que estar seguros, protegidos dos inimigos.

h. Talvez em nossas vidas pessoais nossos muros estejam rachados, e por essas rachaduras já se infiltraram coisas que desagradam a Deus. O que vamos fazer então? cruzar os braços, nos conformar, nos acostumar, ser a vergonha do evangelho? Ou vamos nos reerguer e reedificar os muros?

i. Neemias declara ao povo a vontade de Deus, e apela a eles dizendo: (v.17) “reedifiquemos os muros de Jerusalém” os muros não precisavam ser construídos novamente já estavam só era preciso reforçá-los, quando um crente cai em pecado a primeira coisa que Satanás faz é colocar dúvidas sobre sua salvação você não tem um muro, nunca teve nunca foi um salvo e com essa estratégia ele consegue deixar muitos jogados no chão, sem ânimo de recomeçar o povo de Jerusalém estava assim, mas quando Neemias declara a vontade de Deus imediatamente o povo disse: (v.18), “levantemos e edifiquemos”.

3. CONCLUSÃO

a. Com os muros erguidos o inimigo fica do lado de fora (v.20).

b. Sua missão e o meu desafio é que você disponha o seu coração para ser um Neemias nas vida que o Senhor colocar em suas mãos.

Passos importantes na Batalha Espiritual


Passos importantes na Batalha Espiritual
Pr. José Antônio Corrêa
Êxodo - 17 - 9 : 10
Introdução:

1. Quer queiramos ou não estamos envolvidos numa batalha espiritual como servos de Deus e promotores de seu reino aqui na terra. Falando desta batalha na terra, Jesus advertiu a seus discípulos sobre todas as barreiras e dificuldades que seriam encontradas, "Eis que vos envio como ovelhas ao meio de lobos; portanto, sede prudentes como as serpentes e inofensivos como as pombas", Mt 10.16. Duas coisas podemos destacar aqui com incrementos desta batalha:

a. Somos enviados "como ovelhas para o meio dos lobos", o que mostra a desigualdade em termos humanos de nossa luta, e por esta razão precisamos depender exclusivamente de Deus e não de nossos esforços e capacidades.

b. Devemos agir com estrema sabedoria, pois fomos aconselhados a ser "prudentes como as serpentes" e "inofensivos ou simples como as pombas". Possuir a prudência da serpente é ter os olhos bem abertos diante das situações, com sagacidade e inteligência e simplicidade com as pombas, que significa possuirmos pureza de alma em nossa busca a Deus e em nosso relacionamento com nossos irmãos.

2. O texto que lemos no começo mostra o povo de Deus tendo que enfrentar uma grande batalha com os amalequitas, durante a sua caminhada em demanda à terra de Canaã. Os amalequitas se construíram aqui num grande empecilho na trajetória do povo de Deus rumo à terra prometida, a tal ponto de mais adiante Deus mandar que Saul os exterminasse de uma forma definitiva, I Sm 15.2-3, "2 Assim diz o Senhor dos Exércitos: Eu me recordei do que fez Amaleque a Israel; como se lhe opôs no caminho, quando subia do Egito. 3 Vai, pois, agora e fere a Amaleque; e destrói totalmente a tudo o que tiver, e não lhe perdoes; porém matarás desde o homem até à mulher, desde os meninos até aos de peito, desde os bois até às ovelhas, e desde os camelos até aos jumentos".

3. Diante da ameaça dos inimigos, Moisés ordena uma batalha, passando algumas recomendações importantes ao seu General de Exército, para que a vitória fosse certa. "VEJAMOS NESTA NOITE ALGUNS PASSOS IMPORTANTES QUE PRECISAMOS DAR PARA SER VITORIOSOS NUMA BATALHA ESPIRITUAL":

I - ESCOLHER COM SABEDORIA OS GUERREIROS, "Escolhe-nos homens...".

1. Torna-se claro que nesta batalha não pode ser alistado qualquer crente. Embora a princípio, muitos queiram engajar-se, na medida em que o tempo passa, acabam enfrentando problemas que os impedem de continuar. Alguns pontos precisamos destacar aqui quando estamos considerando pessoas desqualificadas:

a. Não devem ser arregimentados os medrosos. Soldado medroso se constitui um problema, pois além de possuir medo, acaba contagiando também os outros pelo mesmo sintoma:

Nm 13.31-33, "31 Porém, os homens que com ele subiram disseram: Não poderemos subir contra aquele povo, porque é mais forte do que nós. 32 E infamaram a terra que tinham espiado, dizendo aos filhos de Israel: A terra, pela qual passamos a espiá-la, é terra que consome os seus moradores; e todo o povo que vimos nela são homens de grande estatura. 33 Também vimos ali gigantes, filhos de Enaque, descendentes dos gigantes; e éramos aos nossos olhos como gafanhotos, e assim também éramos aos seus olhos".

b. Não devem ser arregimentados os embaraçados, 1 Tm 2.3-4, "3 Sofre, pois, comigo, as aflições, como bom soldado de Jesus Cristo. 4 Ninguém que milita se embaraça com negócios desta vida, a fim de agradar àquele que o alistou para a guerra".

2. Temos um exemplo de como devem ser escolhidos os soldados para uma batalha decisiva em Jz 7.3-6, "3 Agora, pois, apregoa aos ouvidos do povo, dizendo: Quem for medroso e tímido, volte, e retire-se apressadamente das montanhas de Gileade. Então voltaram do povo vinte e dois mil, e dez mil ficaram. 4 E disse o Senhor a Gideão: Ainda há muito povo; faze-os descer às águas, e ali os provarei; e será que, daquele de que eu te disser: Este irá contigo, esse contigo irá; porém de todo aquele, de que eu te disser: Este não irá contigo, esse não irá. 5 E fez descer o povo às águas. Então o Senhor disse a Gideão: Qualquer que lamber as águas com a sua língua, como as lambe o cão, esse porás à parte; como também a todo aquele que se abaixar de joelhos a beber. 6 E foi o número dos que lamberam, levando a mão à boca, trezentos homens; e todo o restante do povo se abaixou de joelhos a beber as águas". São destacados aqui como inconvenientes os soldados de uma batalha que são:

a. Medrosos,

b. Tímidos,

c. Os que gostam de "facilidades".

3. Para sermos vitoriosos numa batalha espiritual é necessário estabelecermos um processo de escolha entre aqueles que se propõem a batalhar.

II - NOS COLOCAMOS EM POSIÇÃO DE OFENSIVA, "...e sai contra Amaleque".

1. Uma verdadeira batalha se ganha, não quando o exército se coloca na defensiva, mas quando ele é treinado para fazer incursões ofensivas em território inimigo. Quem fica esperando o inimigo para apenas se defender não chegará a lugar algum numa guerra.

2. Um dos maiores generais que o mundo já conheceu foi Alexandre, o grande, pois com apenas trinta três anos de idade, já tinha conquistado praticamente o mundo de sua época, implantando a cultura grega, que até hoje influencia muitos povos. É difícil uma língua falada no mundo de hoje, que não tenha recebido influência grega, e isto graças a Alexandre, o grande que foi tremendamente ofensivo em suas batalhas e conquistas.

3. Como povo de Deus, devemos nos conscientizar que estamos inseridos numa batalha, onde as hostes satânicas procuram nos devorar, 1 Pe 5.8, "Sede sóbrios; vigiai; porque o diabo, vosso adversário, anda em derredor, bramando como leão, buscando a quem possa tragar". Se não tomarmos nossa posição, e conquistar mais espaço, certamente acabamos por perder até mesmo os espaços conquistados.

4. Vamos ver alguns textos na palavra de Deus nos quais podemos nos basear para sermos ofensivos numa batalha espiritual:

a. 1 Ts 2.2, "Mas, mesmo depois de termos antes padecido, e sido agravados em Filipos, como sabeis, tornamo-nos ousados em nosso Deus, para vos falar o evangelho de Deus com grande combate". Paulo nos informa que foi "ousado para pregar o Evangelho entre os tessalônicos, combatendo com grande combate". A ousadia é um dos aspectos de uma guerra agressiva, ofensiva. Devemos ser ofensivos, não para machucar nossos irmãos de fé mas para guerrearmos contra Satanás e seus demônios.

b. 1 Tm 4.10, "Porque para isto trabalhamos e lutamos, pois esperamos no Deus vivo, que é o Salvador de todos os homens, principalmente dos fiéis". Paulo fala aqui de "trabalho na obra" e "lutas", que somente podem nos fazer vitoriosos se agirmos com garra, com determinação.

5. Numa batalha espiritual, precisamos nos conscientizar de que nossa vitória só virá, guando nos dispomos a ser "agressivos", "ousados", "ofensivos", contra os poderes do diabo. Porém com os nossos irmãos e até mesmo com os nossos inimigos, devemos ser amáveis e estar dispostos a conceder o perdão.

III - ESTARMOS DEBAIXO DE AUTORIDADE, "E fez Josué como Moisés lhe dissera, pelejando contra Amaleque".

1. Devemos notar pelo texto da Palavra de Deus que Josué não saiu para a guerra utilizando seus próprios métodos, mas manteve sua submissão ao comando de Moisés, que era o líder do povo de Deus naquele tempo. Ele reconhecia a autoridade de Moisés, como homem de Deus e agiu de conformidade com suas palavras.

2. Um dos maiores problemas em muitos que se dizem crentes, é que são insubmissos à autoridade, querendo ganhar batalhas espirituais, sem estarem debaixo do comando de Deus, através dos servos levantados por ele. Este foi o grande problema de Saul,

1 Sm 13.8-14 "8 E esperou Saul sete dias, até ao tempo que Samuel determinara; não vindo, porém, Samuel a Gilgal, o povo se dispersava dele. 9 Então disse Saul: Trazei-me aqui um holocausto, e ofertas pacíficas. E ofereceu o holocausto. 10 E sucedeu que, acabando ele de oferecer o holocausto, eis que Samuel chegou; e Saul lhe saiu ao encontro, para o saudar. 11 Então disse Samuel: Que fizeste? Disse Saul: Porquanto via que o povo se espalhava de mim, e tu não vinhas nos dias aprazados, e os filisteus já se tinham ajuntado em Micmás, 12 Eu disse: Agora descerão os filisteus sobre mim a Gilgal, e ainda à face do Senhor não orei; e constrangi-me, e ofereci holocausto. 13 Então disse Samuel a Saul: Procedeste nesciamente, e não guardaste o mandamento que o Senhor teu Deus te ordenou; porque agora o Senhor teria confirmado o teu reino sobre Israel para sempre; 14 Porém agora não subsistirá o teu reino; já tem buscado o Senhor para si um homem segundo o seu coração, e já lhe tem ordenado o Senhor, que seja capitão sobre o seu povo, porquanto não guardaste o que o Senhor te ordenou".

2. Em Êx 24.13, temos algo que a Palavra de Deus descreve em relação a Josué: "E levantou-se Moisés com Josué seu servidor; e subiu Moisés ao monte de Deus". Note a frase que aparece neste versículo "Josué, seu servidor". Esta frase nos mostra o quanto Josué estava debaixo de autoridade. A palavra "servidor", nos traz a idéia de "um indivíduo que serve", "um criado", "Alguém se que coloca cortesmente à disposição de outro". Em outras palavras, José estava debaixo da autoridade de Moisés.

3. Olhando para a Palavra de Deus podemos ver em muitos textos o conceito de autoridade:

a. Êx 22.28, "A Deus não amaldiçoarás, e o príncipe dentre o teu povo não maldirás". Deus aqui está dizendo ao seu povo que respeite os líderes que são colocados sobre eles. A expressão "não maldirás", significa literalmente não "não falarás mal". Ao contrário de falar mal das autoridades instituídas por Deus, devemos orar por elas,1 Tm 2.1-3, "1 Admoesto-te, pois, antes de tudo, que se façam deprecações, orações, intercessões, e ações de graças, por todos os homens; 2 Pelos reis, e por todos os que estão em eminência, para que tenhamos uma vida quieta e sossegada, em toda a piedade e honestidade; 3 Porque isto é bom e agradável diante de Deus nosso Salvador".

b. At 23.1-5, "1 E, pondo Paulo os olhos no conselho, disse: Homens irmãos, até ao dia de hoje tenho andado diante de Deus com toda a boa consciência. 2 Mas o sumo sacerdote, Ananias, mandou aos que estavam junto dele que o ferissem na boca. 3 Então Paulo lhe disse: Deus te ferirá, parede branqueada; tu estás aqui assentado para julgar-me conforme a lei, e contra a lei me mandas ferir? 4 E os que ali estavam disseram: Injurias o sumo sacerdote de Deus? 5 E Paulo disse: Não sabia, irmãos, que era o sumo sacerdote; porque está escrito: Não dirás mal do príncipe do teu povo". Quando Paulo percebeu que tinha ofendido o sumo sacerdote, imediatamente pediu escusas, citando o texto bíblico que ordena o respeito e obediência as autoridades.

c. Tt 3.1, "Admoesta-os a que se sujeitem aos principados e potestades, que lhes obedeçam, e estejam preparados para toda a boa obra". Os termos "principados" e "potestades", em uma outra versão são traduzidos por "os que governam" e " autoridades". Paulo é claro em sua instrução a Tito: "Ensine aos filhos de Deus que se sujeitem aos governantes e autoridades, e lhes obedeçam". Somente assim estariam preparados para a "boa obra".

4. Como filhos de Deus, devemos aprender a prestar obediência e submissão àqueles que governam sobre nós.

IV - TER CONVICÇÃO DE QUE DEUS ESTÁ NESTA GUERRA E LUTA A NOSSO FAVOR, "...e a vara de Deus estará na minha mão".

1. Jamais Moisés ousaria enviar Josué para a guerra, se não estivesse convicto de que Deus estaria no comando da batalha. Esta condição é imprescindível para nós que somos servos de Deus. Em qualquer situação de luta, batalha, confronto, necessitamos da presença de Deus de uma forma real à nossa frente.

2. Quando Moisés disse: "...a vara de Deus estará na minha mão", estava automaticamente dizendo "Deus está conosco", e vencerá por nós os nossos inimigos.

a. A "vara" fora o instrumento dado por Deus para que Moisés, mostrasse a Faraó, e conseqüente ao seu povo, o poder de Deus e a certeza de sua presença com ele, quando fosse pedir a Faraó que deixasse o povo de Israel ir, Êx 4.1-5, "1 Então respondeu Moisés, e disse: Mas eis que não me crerão, nem ouvirão a minha voz, porque dirão: O Senhor não te apareceu. 2 E o Senhor disse-lhe: Que é isso na tua mão? E ele disse: Uma vara. 3 E ele disse: Lança-a na terra. Ele a lançou na terra, e tornou-se em cobra; e Moisés fugia dela. 4 Então disse o Senhor a Moisés: Estende a tua mão e pega-lhe pela cauda. E estendeu sua mão, e pegou-lhe pela cauda, e tornou-se em vara na sua mão; 5 Para que creiam que te apareceu o Senhor Deus de seus pais, o Deus de Abraão, o Deus de Isaque e o Deus de Jacó".

b. Esta vara fora usada em muitas ocasiões para mostrar esta presença e manifestação de Deus. Veja duas passagens:

- Êx 14.15-16, "15 Então disse o Senhor a Moisés: Por que clamas a mim? Dize aos filhos de Israel que marchem. 16 E tu, levanta a tua vara, e estende a tua mão sobre o mar, e fende-o, para que os filhos de Israel passem pelo meio do mar em seco".

- Nm 20.8-9, 11, "8 Toma a vara, e ajunta a congregação, tu e Arão, teu irmão, e falai à rocha, perante os seus olhos, e dará a sua água; assim lhes tirarás água da rocha, e darás a beber à congregação e aos seus animais. 9 Então Moisés tomou a vara de diante do Senhor, como lhe tinha ordenado. 11 Então Moisés levantou a sua mão, e feriu a rocha duas vezes com a sua vara, e saiu muita água; e bebeu a congregação e os seus animais".

3. Deus precisa estar presente em nossas batalhas espirituais, caso contrário o inimigo nos esmagará. Vejam o exemplo do apóstolo Paulo em duas passagens da Escritura:

a. 2 Tm 3.11, "Perseguições e aflições tais quais me aconteceram em Antioquia, em Icônio, e em Listra; quantas perseguições sofri, e o Senhor de todas me livrou". Aqui Paulo faz menção de uma tremenda batalha que travou com Satanás e seus aliados quando evangelizava nestas cidades, ao ponto de ser apedrejado em Listra. Porém afirmou com certeza de que o Senhor é quem o havia livrado de todas estas investidas do diabo e seus aliados.

b. 2 Tm 4.16-18, "16 Ninguém me assistiu na minha primeira defesa, antes todos me desampararam. Que isto lhes não seja imputado. 17 Mas o Senhor assistiu-me e fortaleceu-me, para que por mim fosse cumprida a pregação, e todos os gentios a ouvissem; e fiquei livre da boca do leão. 18 E o Senhor me livrará de toda a má obra, e guardar-me-á para o seu reino celestial; a quem seja glória para todo o sempre. Amém". Paulo estava preso e sendo julgado pelas autoridades romanas. Durante o seu julgamento reclama que esteve sozinho, desamparado pelos próprios irmãos de Igreja. Porém Alguém estava presente e o livrara da "boca do leão". Este alguém era Deus!

4. Deus sempre está presente em nossas batalhas espirituais. Aprendamos a vê-lo pela fé, e saiamos contra nossos inimigos que sucumbirão diante de nós! Esta era a certeza de Davi, Sl 20.7, "Uns confiam em carros e outros em cavalos, mas nós faremos menção do nome do Senhor nosso Deus".

Conclusão:

1. Qual é o tipo de batalha que você, como filho de Deus está enfrentando?

2. É preciso que você tenha convicção de que em qualquer batalha na vida espiritual, os nossos inimigos não são carnais, mas "hostes espirituais", comandadas pelo diabo. Por esta razão não devemos investir contra pessoas, mas contra o que está por detrás das pessoas.

3. Para sermos vitoriosos em nossas batalhas espirituais precisamos:

a. Nos colocar na ofensiva.

b. Estar debaixo de autoridade.

c. Estar cientes de que quem está à frente em nossas batalhas é o Senhor, e estas batalhas somente serão ganhas, quando confiarmos em seu comando

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

Confissões Ministeriais


Confissões Ministeriais

por

Horatius Bonar

Temos sido carnais e insensíveis espiritualmente. Por nos associarmos com muita freqüência e muita intimidade com o mundo, em grande medida acabamos nos acostumando com suas formas de agir. Como resultado, nossas percepções espirituais foram destruídas e nossas consciências calejadas. A tenra sensibilidade do nosso coração desapareceu e foi substituída por um grau de calosidade que antes nos achávamos incapazes de possuir.

Temos sido egoístas. Temos considerado preciosas nossas vidas e nosso conforto. Temos procurado agradar a nós mesmos. Tornamo-nos materialistas e cobiçosos. Não nos temos apresentado a Deus como "sacrifícios vivos", dispondo de nós mesmos, do nosso tempo, da nossa força, das nossas faculdades e do nosso tudo sobre seu altar... assim como Jesus, que não agradou a si mesmo.

Temos sido indolentes. Não temos procurado ajuntar os fragmentos do nosso tempo, a fim de que nenhum momento fosse desperdiçado inutilmente. Preciosas horas e dias foram gastos sem propósito em conversas e prazeres fúteis, quando poderiam ser usados na oração, no estudo ou na pregação! Indolência, auto-satisfaçã o e indulgência da carne estão corroendo nosso ministério qual tumor canceroso, impedindo a bênção e maculando nosso testemunho.

Temos sido apáticos. Mesmo na nossa diligência, quão pouco calor e brilho! Não derramamos toda nossa alma na nossa atividade, o que deixa tantas vezes a impressão de mera forma e rotina. Não falamos nem agimos como pessoas intensas. Nossas palavras são débeis, mesmo quando verdadeiras e fundamentadas. Nossas expressões são indiferentes, mesmo quando as palavras são carregadas de significado. Falta amor – amor que é forte como a morte; amor como aquele que fez Jeremias chorar em lugares secretos.

Temos sido tímidos. O temor nos tem levado muitas vezes a generalizar verdades, que se fossem declaradas especificamente, com certeza teriam trazido ódio e opróbrio sobre nós. Quantas vezes deixamos de declarar ao nosso povo todo o conselho de Deus. Temos nos retraído de reprovar, repreender e exortar com toda paciência e verdade. Tivemos medo de alienar amigos ou despertar a ira de inimigos.

Temos faltado em sobriedade. Como deveríamos nos sentir profundamente abatidos por causa da nossa leviandade, frivoleza, irreverência, alegria superficial, conversas vãs e brincadeiras, pelas quais sérios prejuízos foram causados a outros, o progresso dos santos retardado e a miserável inutilidade do mundo reforçada.

Temos pregado a nós mesmos e não a Cristo. Temos buscado aplausos, cortejado a honra, sido solícitos com a fama e enciumados por causa da reputação. Por muitas vezes, temos pregado visando atrair a atenção das pessoas para nós mesmos, ao invés de conduzi-las a Jesus e à sua cruz. Cristo não tem sido o Alfa e o Ômega, o princípio e o fim, de todos os nossos sermões.

Não temos estudado e honrado devidamente a Palavra de Deus. Temos dado proeminência maior aos escritos dos homens, às opiniões dos homens e aos sistemas humanos nos nossos estudos e meditações. Temos mantido mais comunhão com o homem do que com Deus. Precisamos estudar mais a Bíblia. Precisamos imergir nossas almas nela. Precisamos não só fazer um depósito dela dentro de nós, mas transfundi-la através de toda a textura do nosso interior. O estudo da verdade mais na forma acadêmica do que na devocional a tem roubado de seu vigor e da sua vida, gerando no seu lugar frieza e formalidade.

Não temos sido pessoas de oração. Temos permitido que negócios, estudos e atividades interfiram com nossas horas a sós com o Senhor. Uma atmosfera febril tem invadido nosso tempo devocional, perturbando a doce calma da bendita solitude. Sono, conversas fúteis, visitas sem propósito, brincadeiras, leituras sem conteúdo e ocupações inúteis preenchem tempo que poderia ser redimido e dedicado à oração. Por que há tanto palavrório e tão pouca oração? Por que tanta agitação e correria e tão pouca oração? Por que tantas reuniões com nossos próximos, e tão poucos encontros com Deus? É a falta destas horas solitárias que tornam nossas vidas impotentes, nosso trabalho improdutivo e nosso ministério débil e infrutífero.

Não temos honrado o Espírito Santo. Não temos procurado sua unção no estudo da Palavra nem na pregação. Temos entristecido- o, desvalorizando seu papel como Mestre, Consolador, Santificador e o único capaz de convencer do pecado ou da verdade. Por isso, por pouco ele tem se afastado de nós, deixando-nos colher o fruto da nossa própria perversidade e incredulidade.

Temos sido incrédulos. É a incredulidade que nos torna tão frios na pregação, tão indispostos para visitar e tão negligentes em todos os nossos deveres sagrados. É a incredulidade que congela nossa vida e endurece nosso coração. É a incredulidade que nos leva a lidar com realidades eternas com tanta irreverência. É a incredulidade que nos permite subir ao púlpito com passos tão leves, quando ali iremos tratar com seres imortais sobre assuntos referentes ao céu e ao inferno.

Precisamos de pessoas que se disponham e que se derramem; que se doem e que orem; que vigiem e chorem pelas vidas perdidas.

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

OS AMULETOS E A FÉ CRISTÃ


OS AMULETOS E A FÉ CRIST
Pr Airton Evangelista da Costa

Do Dicionário Aurélio: AMULETO é "pequeno objeto (figura, medalha, figa, etc.) que, desde a mais alta antiguidade, alguém traz consigo ou guarda por acreditar em seu poder mágico passivo de afastar desgraças ou malefícios"; FETICHE é "objeto animado ou inanimado, feito pelo homem ou produzido pela natureza, ao qual se atribui poder sobrenatural e se presta culto"; SUPERSTIÇÃO é "sentimento religioso baseado no temor ou na ignorância, e que induz ao conhecimento de falsos deveres, ao receio de coisas fantásticas e à confiança em coisas ineficazes". A Enciclopédia Britânica diz que AMULETO é "designação genérica de diferentes objetos aos quais se atribui a virtude mágica de guardar ou proteger quem o porta. Usados tradicionalmente para afastar o azar e trazer sorte". SUPERSTIÇÃO – "É uma atitude de espírito, crença ou prática mágico-religiosa para as quais não há explicação lógica e que se baseiam na convicção de que certos atos, palavras, números ou objetos trazem males, benefícios, azar ou sorte. As superstições, de modo geral, podem ser classificadas como religiosas, culturais e pessoais".


Dentre os diversos tipos de amuletos (olho de boto ou do peixe-boi; a ferradura, a meia-lua, a estrela-de-davi) a figa é o que alcançou maior popularidade. Usada para combater a esterilidade e o mau-olhado, é representada por uma mão humana fechada com o polegar entre os dedos indicador e médio. Enfim, amuleto é uma figura, medalha ou qualquer objeto portátil, qualquer coisa a que supersticiosamente se atribui virtude sobrenatural para livrar seu portador de males materiais e espirituais, e para propiciar benefícios nessas áreas.


Ao aceitarmos o senhorio de Jesus, recebemos o Espírito Santo (1Co 6.19 Ef 1.13); nossos pecados são perdoados (Atos 10.43; Rm 4.6-8); somos recebidos como filhos de Deus (Jo 1.12); se somos filhos, logo somos também herdeiros de Deus e co-herdeiros de Cristo (Rm 8.17); passamos da morte espiritual para a vida espiritual (1 Jo 3.14); somos novas criaturas (2 Co 5.17); o diabo se afasta e não nos toca (Tg 4.7; 1 Jo 5.18); não estamos mais sujeitos às maldições (Jo 8.32,36); podemos usar o nome de Jesus para curar enfermos e expulsar demônios (Mc 16.17-18); a salvação nos leva a um relacionamento pessoal com nosso Pai e com Jesus como Senhor e Salvador (Mt 6.9; Jo 14.18-23); estamos livres da ira vindoura (Rm 5.9; 1 Ts 1.10; 4.16-17; Ap 3.10), além de outras bênçãos.


Em razão disso, somente o retorno voluntário ao pecado poderá alterar a nossa situação diante de Deus (Jo 15.6). O uso de qualquer objeto, seja no corpo, seja em nossa casa, não melhora em nada a nossa condição de filho, de herdeiro, de abençoado, de isento das investidas do diabo. Objetos não expulsam demônios, não quebram maldições, não substituem o poderoso nome de Jesus.


O nome de Jesus não pode ser substituído por um objeto ou um produto industrializado. O uso de amuletos evidencia não uma atitude de fé, mas de falta de fé. Deus não opera por esse meio, sejam cordões, pulseiras, pirâmides, cristais, velas ou qualquer outro produto. A Bíblia não apóia tal prática. A atitude de fé é o esperarmos no Senhor e nEle confiarmos. Alegremo-nos no Senhor e Ele nos concederá os desejos do nosso coração (Salmos 23.1; 37.4-7).


A nossa confiança deve ser depositada no Senhor. "Bem-aventurado o homem que põe no Senhor a sua confiança" (Sl 40.4). Se dividirmos a nossa fé entre Deus e os amuletos, estaremos coxeando entre dois pensamentos. Não é esta uma manifestação de fé, mas de incredulidade, de dúvida nas promessas de Deus. E a dúvida é inimiga da fé (Mt 21.21). "Abraão não duvidou da promessa de Deus, deixando-se levar pela incredulidade, mas foi fortificado na fé, dando glória a Deus, estando certíssimo de que o que ele tinha prometido também era poderoso para cumprir" (Rm 4.20-21). Abraão creu na promessa de que seria pai de muitas nações. Aguardou confiantemente. Não apelou para objetos, amuletos, cordão, pulseiras, vassoura atrás da porta.


Os amuletos, longe de serem veículos de bênçãos, podem trazer maldições, porque a fé não está centralizada exclusivamente em Deus. Podemos ler Isaías 31.1 assim: "Ai dos que confiam no poder místico dos amuletos, mas não atentam para o Santo de Israel, nem buscam ao Senhor". O uso de amuletos pelo povo de Deus equivale a tomar o caminho de volta para o Egito. As nossas superstições foram deixadas no esquecimento. Não precisamos limpar nossos olhos com óleo ungido para não vermos as coisas do mundo. Pela ação do Espírito em nossas vidas, já morremos para essas coisas, para o sistema mundano, para o pecado. O Espírito que em nós opera não nos permite colocar coisas impuras diante de nossos olhos (Salmos 101.3).


Os objetos, ou qualquer tipo de material seja sólido ou líquido, do reino mineral ou do reino vegetal, não servem para aumentar a fé dos cristãos. O que transmite fé, o que proporciona fé, o que dá origem à fé, é a palavra de Deus (Rm 10.17). Jesus não distribuiu qualquer tipo de objeto para melhorar a fé de seus ouvintes. Nos primeiros passos da Igreja, vemos Pedro e demais apóstolos anunciando insistentemente o Cristo vivo, e falando com paciência dos mistérios de Deus e das palavras de Jesus. E todos se enchiam de alegria, e milhares aceitavam o Evangelho. "Disse-lhes Pedro: arrependei-vos, e cada um seja batizado em nome de Jesus Cristo, para perdão dos pecados. E os que com grado receberam a sua palavra foram batizados, e naquele dia agregaram-se quase três mil almas" (Atos 2.38-41).


O uso de amuletos é incompatível com a vida cristã e não proporciona prosperidade material ou espiritual a ninguém. Quem deseja viver uma vida de paz e de abundância deve buscar "primeiro o reino de Deus e a Sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas" (Sl 37.25; Mt 6.33; Mc 10.29-30; Lc 12.31; Jo 10.10). Para viver a sua fé o cristão não precisa de figas, de cordão de ouro, varinha mágica, porque as maldições não prevalecem contra nossas vidas. "Como o pássaro no seu vaguear, como a andorinha no seu vôo, assim a maldição sem causa não encontra repouso" (Pv 26.2). A maldição nos alcança se não estivermos sob a proteção de Deus, se não confiarmos nEle, se estivermos em pecado.


A fé cristã rejeita o uso de qualquer objeto com o propósito de obter favores espirituais ou evitar a influência demoníaca. Do Egito já viemos. Das superstições já nos libertamos. Do jugo do opressor já estamos livres. Da Babilônia espiritual já saímos. Cristo quebrou na cruz todas as amarras, grilhões, embaraços; quebrou os fortes laços que nos prendiam ao mundo das trevas (Gl 3.13). Um irmão escreveu num fórum de debate: "Deus nos fez livres, livres de contatos físicos para O sentir, livres de pontos de apoio, para crer, livres de toda e qualquer espécie de superstição e amuletos, livres para crer num Deus que tudo supre, tudo faz, tudo opera naqueles que o amam".


Quando estávamos na ignorância espiritual, fazíamos uso de incensos e defumadores para afastar os maus espíritos. A Bíblia nos dá a receita: "Submetei-vos, pois a Deus. Resisti ao diabo, e ele fugirá de vós" (Tg 4.7).


"Cristo nos libertou para que sejamos de fato livres. Estai, pois, firmes e não torneis a colocar-vos debaixo do jugo da escravidão" (Gl 5.1).


Do autor: www.secrel.com. br/usuarios/ aecosta

Namorar ou Ficar?


Namorar ou Ficar?
Por Pr. Wagner Antonio de Araújo


A sociedade atual está em profundo estado de mutação constante. Termos novos são criados, termos antigos são reinterpretados. Não há verdades absolutas e sim opiniões e verdades particulares. "Cada ser é um universo", dizem, e todos devem criar para si os seus próprios padrões e verdades.

Jovens e adolescentes estão sendo formados nesta sociedade mutante. Os conceitos aprendidos em família, por serem frágeis e apenas nominais, não sobrevivem à avalanche de deseducação encabeçada pela mídia e pelos formadores de opinião. Isto é igualmente válido para o lado afetivo do jovem.

O dicionário Aurélio define NAMORAR como: 1) Procurar inspirar amor; 2) Andar de namoro com; 3) Enamorar-se (que por sua vez significa deixar-se possuir de amor, apaixonar-se) . FLERTAR significa namoro rápido, namorico.

Até bem pouco tempo o namoro era algo pré-nupcial, com regras bem definidas e padrão comumente aceito. Alguém, ao sentir-se atraido por outrem de sexo oposto, procurava-o, propondo-lhe namoro. Este consistia de encontros constantes, com diálogos sobre os dois, momentos de romance, abraços e beijos limitados, com consideravel reserva e planos para o futuro. Os encontros eram feitos na casa da moça, com a presença de familiares, na sala, ou no portão, até às 22 horas no máximo. Também constavam passeios, atividades mútuas e correspondência.

Com o advento da era pós "Beatles"(conjunto de rock-and-roll inglês, que revolucionou a cultura ocidental após a década de 60) e o desenrolar do movimento "Hippie"(jovens americanos que lutavam pela liberação das drogas, extinção da família e amor livre), o namoro sofreu grandes mutações. Seus limites foram ampliados. Os encontros passaram a ser em cinemas, pizzarias, clubes, etc, sem a presença de familiares. No seu bojo as carícias íntimas e os atos pré-sexuais encontraram espaço livre. Como conseqüência, o número de jovens que se casaram grávidas ou ficaram sós aumentou vertiginosamente. Namoro passou a ser a "sala vip" do casamento, faltando apenas o chamado "papel passado". Por serem mal formadas, muitas famílias tornaram-se desestruturadas, terminando em divórcios. Filhos cresceram deficientes psicologicamente, sem modelos paternos e maternos consistentes.

Na década de 80 a chamada "AMIZADE COLORIDA" entrou em ação. Tratava-se de algo diferente do namoro. Rapazes e moças mantinham encontros libidinosos, com o compromisso de não terem quaisquer compromissos!

Com o passar dos anos o namoro continuou em processo de mutação. O império da AIDS (doença fatal sexualmente transmissível) , trouxe uma transformação na aceleração da libertinagem juvenil. Os preservativos entraram na lista de materiais comuns da lista de compras dos adolescentes, como a pílula na década de 70. Parte desta população resolveu "dar um tempo", "se cuidar". Nos Estados Unidos da América, uma igreja batista iniciou, junto aos seus adolescentes, uma campanha intitulada "QUEM AMA, ESPERA". Grande parte daquela região aderiu.

Porém, uma nova modalidade de namoro surgiu. Como a adolescência é uma idade instável, o desejo de independência provocou um novo tipo de relação: FICAR.

Pesquisando entre adolescentes, cheguei a 6 conclusões sobre o que significa para eles o FICAR:


1) FICAR É NAMORAR DE BRINCADEIRA

2) FICAR É PRATICAR PARA VER SE VAI DAR CERTO

3) FICAR É SUPRIR PROVISORIAMENTE A CARÊNCIA AFETIVA E SEXUAL

4) FICAR É CURTIR TODO MUNDO NUMA BOA, SEM COMPROMISSO

5) FICAR É NAMORO AVANÇADO, ONDE VALE TUDO

6) FICAR É A MODA ENTRE JOVENS E ADOLESCENTES


Quero discutir estes conceitos com vocês, apontando o que a bíblia diz sobre os princípios envolvidos no assunto. Espero que com isto, possa haver um esclarecimento considerável e um sólido desejo de praticar o ensino das Escrituras Sagradas.



1) FICAR É NAMORAR DE BRINCADEIRA

Você gosta de brincar com ratoeiras, cobras, bombas, botijões de gás ou facas? Não, não é mesmo? São brincadeiras perigosas e de mau gosto.

Brincar com os sentimentos dos outros, ou mesmo arriscar os seus, também é errado. A Bíblia diz: "Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e desesperadamente corrupto; quem o conhecerá?" (Jr 17.9). Sentimentos são preciosidades. Não se gosta ou se deixa de gostar de brincadeira. Ademais, sempre se sai ferido de uma relação fingida.

Tudo quanto o cristão faz, pensa ou intenciona é para a glória do Senhor, devendo ser feito com responsabilidade e dedicação. Diz a Bíblia: "Portanto, vede prudentemente como andais, não como néscios e sim como sábios"(Ef 5.15). "Tudo quanto fizerdes, fazei-o de todo o coração, como para o Senhor e não para homens."(Cl 3.23).

2) FICAR É PRATICAR PARA VER SE VAI DAR CERTO

Deus não criou a família pelo sistema empírico (experimental) . Pelo contrário, o Seu desejo sempre foi agir em prol do homem, dando-lhe uma pessoa adequada para sua felicidade. Veja o exemplo de Adão (Gn 2.22) ou de Isaque (Gn 24.51).

Deus tem um plano para a união de dois corações, e pode conceder bênçãos maravilhosas! "Pedi, e dar-se-vos-á; buscai, e achareis; batei, e abrir-se-vos-á . Pois todo o que pede, recebe; o que busca, encontra; e, a quem bate, abrir-se-lhe-á"(Mt 7.7,8). Cabe ao adolescente e ao jovem estar atento às pessoas ao seu redor, consultando o seu coração e a Palavra de Deus. "Esperei confiantemente pelo Senhor; ele se inclinou para mim."(Sl 40.1a). O jovem cristão deve escolher alguém debaixo da orientação de Deus e que seja também uma pessoa cristã. Do contrário, está pecando: "Não vos ponhais em jugo desigual com os incrédulos; porquanto que sociedade pode haver entre a justiça e a iniqüidade? Ou que comunhão, da luz com as trevas? Que harmonia, entre Cristo e o Maligno? Ou que união, do crente com o incrédulo? (II Co 6.14-16).

Namorar é conhecer alguém no sentido básico da palavra: gostos, temperamento, procedimentos, personalidade, reações, etc. O restante está reservado para o casamento.

Rapazes: como escolher uma namorada? Procure com sabedoria, lembrando que o que a garota é hoje com os pais dela ou em relação a Deus, ela o será amanhã com você também. Leia Provérbios 31.10-31 e repare nos sábios conselhos de uma mãe ao seu filho solteiro, para que se casasse com alguém digna. Procure uma moça cujos princípios sejam semelhantes a estes.

Garotas: Como escolher um rapaz: O Salmo 1.1-3 aponta o comportamento do homem bem-aventurado. As bem-aventuranç as trazem um perfil ideal para o esposo preparado por Deus: humilde de espírito, manso, parecido com Jesus, limpo de coração, pacificador (Mt 5.3-9). Peça ao Senhor, abra seus olhos e esteja atenta. Deus lhe mostrará e dará uma rica oportunidade de encontro. "Ora, àquele que é poderoso para fazer infinitamente mais do que tudo quanto pedimos ou pensamos, conforme o seu poder que opera em nós, a ele seja a glória"(Ef 3.20,21a)

3) FICAR É SUPRIR PROVISORIAMENTE A CARÊNCIA AFETIVA E SEXUAL

Este argumento é falho. O ser humano sempre foi carente de afeto, seja pela falta sentida na infância, seja pela solidão circunstancial, e nunca houve necessidade de existir um relacionamento do tipo FICAR.

Há um amor maior que nos conforta e supre a carência: O AMOR DE DEUS. Diz a Bíblia: Nós amamos porque Ele nos amou primeiro"(I Jo 4.19). Nosso amor por Deus deve ser maior que qualquer outro amor humano, mesmo por alguém que é objeto de nossos sentimentos: "Quem ama seu pai ou sua mãe mais do que a mim, não é digno de mim; quem ama seu filho ou sua filha mais do que a mim não é digno de mim."(Mt 10.37). Martinho Lutero, o mais importante líder da Reforma Protestante, declarou, em seu hino CASTELO FORTE: "Se temos de perder os filhos, bens, mulher, embora a vida vá, por nós Jesus está, e dar-nos-á Seu reino!" . Para gozarmos constantemente deste abundante amor, devemos estar em comunhão constante com Ele, por meio da leitura bíblica, da oração e do testemunho diante de todos. Tenha certeza de que Ele é provedor: "E o meu Deus, segundo a sua riqueza em glória, há de suprir, em Cristo Jesus, cada uma de vossas necessidades" . (Fp 4.19).

Muito cuidado! Abraços e beijos podem se tornar uma armadilha do inimigo. Cumprimentar outrem com um ósculo santo, um beijo na face, é uma coisa. Exceder-se na saudação, dando lugar à licenciosidade e sensualidade, é outra. Cuidado! Fuja do pecado e da aparência do mal: "Abstende-vos de toda a forma do mal"(I Ts 5.22)

4) FICAR É CURTIR TODO MUNDO NUMA BOA, SEM COMPROMISSO

Este pensamento é anti-cristão. É uma afirmação, no mínimo, irresponsável. É fruto da carência de normas no ambiente familiar. A palavra CURTIR tem diversos significados, mas aqui é utilizada no sentido de namorar, "transar".

Sinceramente, você se casaria com alguém que já FICOU com todo mundo e que, na realidade, nunca "ficou" comprometida com ninguém? Você aceitaria que sua irmã ou sua mãe se comportassem deste jeito? Ora, se isto é escabroso quando imaginado em alguém que nos é preciosa, que nos é querida, por que faz e acha interessante com as pessoas de outras famílias? Lembre-se do sábio Salomão, que, em sua velhice, exclamou com veemência: "Lembra-te do teu Criador nos dias da tua mocidade, antes que venham os maus dias, e cheguem os anos dos quais dirás: Não tenho neles prazer."(Ec 12.1). Igualmente o apóstolo Paulo lembra algo muito importante a Timóteo, o seu filho na fé: "Ninguém despreze a tua mocidade; pelo contrário, torna-te padrão dos fiéis, na palavra, no procedimento, no amor, na fé, na pureza."(I Tm 4.12)

O cristão é um ser comprometido com Deus e com o ser humano. É alguém que "veste a camisa", que "lança mão do arado e não olha para traz.". Não ter compromisso efetivo com a pessoa querida é pecado, falta de caráter, fruto de uma educação distorcida e de um coração sem sentimentos. O que deve unir alguém à outro é o amor, e este é poderoso e permanente: "O amor tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta; o amor jamais acaba"(I Co 13.8,9a).


5) FICAR É NAMORO AVANÇADO, ONDE VALE TUDO

Sendo um relacionamento mundano, fruto de uma sociedade sem Deus, FICAR não serve para nós. Simular um comportamento afetivo com quem não se ama? Ter comportamento de pessoas casadas estando solteiro? Fazê-lo com pessoas estranhas? Isto é perversão, hipocrisia e mentira. Tolo é aquele que crê nas mentiras, crê no carinho do estranho, no amor de quem não está nem aí com os sentimentos alheios. Tal pessoa está caindo na armadilha de Dalila, que trocou afetos, carinhos e atos conjugais pela destruição do infeliz Sansão (veja Juízes, capítulo 16). Quem age assim não merece você. Deus tem alguém especial, alguém que não lhe tenha como "estepe", como "quebra-galho" , mas sim como alguém de fundamental importância.

Se você já se comportou mal assim, Deus tem um remédio para seu erro: arrependimento! "Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça"(I Jo 1.9)

6) FICAR É A MODA ENTRE JOVENS E ADOLESCENTES

Pode estar na moda, mas está errado. Aliás, este mundo está debaixo da orientação do Diabo, e nada tem de Jesus. Nós, os cristãos, não somos mais deste mundo, por isso devemos sempre pedir ao Senhor para nos livrar do mal. Resta saber de que lado você está. Se você é um cristão nominal, que não se converteu, então a moda é sua. Mas, se você tem ao Senhor Jesus Cristo como seu Senhor e Mestre, então o pecado não pode exercer domínio sobre você, e a moda não o obrigará a agir como todos agem.

Sabe o que muita moda é? Um disfarce do inimigo, de sua influência sobre o povo do mundo. Já percebeu que as modas geralmente trazem um ideal errado? Primeiro de abril traz a mentira. Verão forte traz top less e naturismo (nudismo). Carnaval traz rebelião contra autoridades, homossexualismo, drogas, adultério, etc. Já ouviu falar de uma moda que trouxesse arrependimento, paz entre os povos, alimento aos famintos, distribuição de renda, perdão aos magoados? Claro que não. Portanto, fuja da moda! Seja esperto, seja jovem, seja atual, mas somente no que concerne à linguagem e socialização gerais; nunca às práticas nocivas. "...Não sabeis que a amizade do mundo é inimiga de Deus? Aquele, pois, que quiser ser amigo do mundo, constitui-se inimigo de Deus.. (Tiago 4.4); "Não ameis o mundo, nem as coisas que há no mundo. Se alguém amar o mundo, o amor do Pai não está nele."(I Jo 2.15). Deus tem outra moda. A moda dele é melhor. Se ligue em Seus caminhos.

CONCLUSÃO - FICAR É FRIA. FICAR É COISA PASSAGEIRA. BUSQUE A ORIENTAÇÃO DE DEUS EM SUAS RELAÇÕES. QUE SEJAM RETAS, ADEQUADAS, PURAS E DURADOURAS.

Recomendamos os livros do Pr. Jaime Kemp e as demais publicações da Editora Sepal sobre o assunto NAMORO, NOIVADO, CASAMENTO, SEXO, LAR CRISTÃO, DISCIPULADO.

Que Deus o abençoe.



Pr. Wagner Antonio de Araújo
Igreja Batista Boas Novas de Osasco, SP

terça-feira, 7 de outubro de 2008

Salvação Infantil


Salvação Infantil

"Vai bem com teu filho? E ela disse: Vai bem." – II Reis 4.26

O assunto do sermão de hoje de manhã será "Salvação Infantil". Talvez não ele seja interessante para todos presentes, mas eu não me lembro de ter pregado sobre este assunto para esta congregação e, além disso, eu estou ansioso para que as séries impressas [dos sermões pregados nesta Metropolitan Baptist Chruch] contenham sermões abrangendo o inteiro escopo da Teologia. Eu não creio que haja um ponto sequer [da Teologia Sistemática] que deveria ser deixado para trás no nosso ministério, mesmo que ele conceda conforto para apenas uma classe [de ouvintes e leitores]. Talvez uma Grande proporção desta platéia, em algum tempo ou outro, tenha derramado lágrimas sobre o caixão de criancinhas; -- e talvez, através desta pregação, consolação seja dada a else.

[Primeiramente] Geazi perguntou a essa boa Sunamita se estava bem quanto a ela. Ela estava lamentando o filho que havia morrido, e mesmo assim ela disse "Vai bem;" ela sentia que sua provação seria certamente abençoada [no final das contas]. [Geazi também perguntou:] "Vai bem com teu marido?" Este era velho e avançado em dias, e estava já no processo de amadurecimento final para a morte, mas ainda assim ela disse "Sim, vai bem". Então veio a pergunta sobre o filho que estava morto em Casa, e a pergunta renovaria as suas dores: "Está tudo bem com a criança?" Ela ainda disse: "Vai bem", talvez respondendo assim porque tinha uma fé que ele logo deveria ser restaurado para ela, e que a ausência temporária estava bem; ou, eu acho, ela respondeu assim porque estava persuadida de que, fosse o que fosse que tivesse acontecido com o espírito do seu filho, ele estava seguro debaixo do cuidado de Deus, ele estava feliz à sombra das Suas asas. Portanto, não temendo que ele estava perdido, não tendo qualquer suspeita de que seu filho foi lançado para longe do lugar de gozo — porque tal suspeita teria impedido ela de Dar tal resposta — ela disse "Sim, o meu filho está morto, mas 'vai bem'".

Agora, que toda mãe e todo pai, aqui presentes, saibam com segurança que tudo está bem com o seu filho, se Deus o tirou de vocês nos dias da infância. Vocês nunca ouviram a sua declaração de fé (pois ele não era capaz de tal coisa); ele não foi batizado no Senhor Jesus Cristo, não foi sepultado com Ele em batismo; não foi capaz de Dar aquela "resposta de uma boa consciência para com Deus;" todavia, vocês podem descansar seguros de que tudo vai bem com a criança, bem em um sentido mais alto e melhor do que está bem com vocês mesmos; bem sem limitação, bem sem exceção, bem infinitamente, "bem" eternamente. Talvez vocês irão dizer "Quais razões temos para crer que tudo vai bem com o nosso filhinho [já morto]?"

Antes que eu entre nisso eu faria uma observação. Tem sido maliciosamente, enganosamente e caluniosamente dito a respeito dos Calvinistas, que nós cremos que algumas crianças [mortas] perecem. Aqueles que fazem esta acusação sabem que tal denúncia é falsa. Eu não ouso mesmo esperar, embora desejasse assim poder fazer, que é com ignorância que tais acusadores nos deturpam. Else impiamente repetem [e nos atribuem] o que [por nós] tem sido negado mil vezes, o que else sabem não é a verdade. No conselho de Calvino para Omit, ele toma [a promessa- justificativa em] Exo 20:6 "E faço misericórdia a milhares dos que me amam e aos que guardam os meus mandamentos" [dada por Deus para] o segundo mandamento ["4 Não farás para it imagem de escultura, nem alguma semelhança do que há em cima nos céus, nem em baixo na terra, nem nas águas debaixo da terra. 5 Não te encurvarás a elas nem as servirás; porque eu, o SENHOR teu Deus, sou Deus zeloso, que visito a iniqüidade dos pais nos filhos, até a terceira e quarta geração daqueles que me odeiam." (Êx 20:4-5 ACF)] e a interpreta como referindo-se a gerações, e então ele parece ensinar que crianças que têm ancestrais piedosos [isto é, verdadeiros salvos], não obstante quão remotamente [na árvore genealógica], morrendo como crianças são salvas. Isso certamente incluirá [as crianças mortas] de toda a raça [humana]. Dos Calvinistas modernos, não conheço nenhuma exceção, mas todos nós esperamos e cremos que todos que morrem quando crianças são eleitos. Dr. Gill, que tem sido recentemente visto como sendo o padrão de Calvinismo, e talvez do ultra-Calvinismo, nunca dá a mínima dica em nenhum momento, nem afirma que qualquer criança tem perecido, mas afirma que isto é um assunto misterioso e nebuloso, mas que é a sua posição, e ele crê que tem as Escrituras para justificar, que os natimortos não pereceram, mas foram contados com os escolhidos de Deus e, portanto, entraram no descanso eterno. Nunca temos ensinado contrariamente, e quando somos taxados assim eu o rejeito e digo: "Você pode ter dito assim, mas nós nunca dissemos assim, e você sabe que nunca dissemos tal. Se você ousar repetir tal difamação de novo, então que a mentira marque na sua face em escarlata, se você ainda tiver a capacidade de sentir vergonha". Nós nunca nem sequer sonhamos com tais coisas. Com poucas e raras exceções, tão raras que eu nunca ouvi delas a não ser da boca de difamadores, nunca imaginamos que as crianças que morreram em tenra idade têm perecido, e temos crido que entrem no paraíso de Deus.

Então, nesta manhã, primeiramente procurarei explicar como cremos que as criancinhas são salvas; em segundo lugar darei as razões para tal crença; e depois, em terceiro lugar, buscarei uma aplicação prática do assunto.



I. Primeiramente ... COMO CREMOS QUE AS CRIANÇAS SÃO SALVAS.

Alguns apóiam a idéia do gozo eternal da criancinha na sua inocência. Não fazemos tal; cremos que a criancinha caiu [em pecado] dentro do primeiro Adão, "Assim como todos morrem em Adão". A posteridade inteira de Adão, infante ou adulta, era representada por ele – ele representou todos; e, quando ele caiu, caiu em lugar de toda ela [todos caíram dentro dele]. Não houve nenhuma exceção na aliança das obras feito com Adão [e no alcance das conseqüências de sua queda] a respeito das criancinhas morrendo; e estes que estavam incluídos em Adão, mesmo que não tinham pecado à semelhança da transgressão de Adão, têm a sua culpa original. Estes são "nascidos no pecado e inteiramente em iniqüidade; em pecado são concebidos pelas suas mães", assim diz Davi de si mesmo, e (por inferência) de toda a raça humana. Se são salvas não cremos que seja por inocência natural. Entram no céu pelo mesmo caminho que entramos; são recebidas no nome de Cristo. "Ninguém pode pôr outro fundamento além do que já está posto", e não penso nem sonho que haja um fundamento diferente para a criancinha além do que aquele posto para o adulto. Igualmente, é tão distante das nossas mentes crer que criancinhas vão ao céu através do batismo — afirmando, em primeiro lugar, que cremos que aspersão infantil é uma invenção humana e carnal, um acréscimo à Palavra de Deus, e portanto, ímpia e danosa. Quando refletimos que [o batismo infantil] é algo pior do que superstição (uma vez que é introduzido com deliberada intenção de falsificar e enganar), quando refletimos como as crianças são ensinadas que através de seu batismo tornam-se filhos de Deus e herdeiros do reino de Deus (o que é a pior mentira criado no inferno ou expressa em baixo dos céus), nossos ânimos afundam-se por causa dos aterrorizantes erros que têm sutilmente se introduzido na Igreja pela portinhola da aspersão infantil. Não! As crianças não são salvas por serem batizadas, pois, se o fossem, então os seguidores de Edward Bouverie Pusey teriam razão em se negarem a enterrar as nossas criancinhas se estas morrerem não batizadas. Sim, o bárbaro tem razão em, como faz até o dia de hoje, mandar os pais para fora do cemitério de propriedade da sua própria igreja nacional, dizendo que o filho deles pode decompor-se a céu aberto e que [depois] não será enterrado a não ser à meia-noite, porque as supersticiosas gotas de água nunca foram aspergidas sobre a face da criança. Ele tem razão se o batismo torna a criancinha cristã, e se aquela criança não puder ser salva fora dele. Tão revoltante insulto [a Deus, Sua Graça, Seu evangelho] deve ser imediatamente evitado pelos cristãos. Se for arrebatada pela morte, a criancinha estará salva do mesmo modo pelo qual nós fomos salvos, estará [salva] por razões outras que as de rituais e cerimônias, e a vontade do homem.

Por qual razão, então, cremos que as criancinhas [mortas] são salvas? Cremos que uma criancinha [viva] está tão perdida como toda a humanidade, e [totalmente] condenada pela sentença que disse "no dia em que dela comeres, certamente morrerás". Ela é salva por ser eleita. No escopo da eleição, no livro da vida do Cordeiro, cremos que serão achadas milhões de almas que só [brevemente] apareceram sobre a terra e depois voaram para o céu. Todas elas são salvas por terem sido também, como nós, redimidas pelo precioso sangue de Jesus Cristo. Aquele que derramou Seu sangue para todo Seu povo, comprou-os com o mesmo preço com o qual redimiu os pais delas e, portanto, elas são salvas porque Cristo representou- as e sofreu por elas no seu lugar. São salvas não sem regeneração, pois "aquele que não nascer de novo" — o texto não designa um homem adulto mas uma pessoa, qualquer um ser da raça humana — "aquele que não nascer de novo não pode ver o reino de Deus". Sem dúvida, numa maneira misteriosa o Espírito de Deus regenera a alma da criancinha e ela entra na glória e é feita adequada para ser participante da herança dos santos da luz. Que isto é possível é comprovado das Escrituras. João, o Batista, foi cheio do Espírito Santo desde a ventre da sua mãe. Lemos de Jeremias, também, que a mesma coisa ocorreu a ele; e de Samuel encontramos que ainda criança o Senhor o chamou. Cremos, portanto, que antes que o intelecto possa funcionar [plenamente] , Deus, o Qual não opera segunda a vontade do homem, nem do sangue, mas pela agência misteriosa do Seu Espírito Santo, cria na alma da criancinha uma nova criatura em Cristo Jesus, e então ela entra naquele "repouso para o povo de Deus". Pela eleição, pela redenção, pela regeneração, e em nenhuma outra maneira, a criança entra na glória pela mesmíssima porta pela qual cada crente em Cristo espera entrar. Se não pudéssemos crer que crianças podiam ser salvas como os adultos, se fosse necessário propor que a justiça de Deus tem que ser infringida, ou que o Seu plano da salvação deveria ser ajustado para responder em particular ao caso [das criancinhas] , então estaríamos em dúvida; mas podemos perceber que é com os mesmos meios, pelo mesmo plano, apoiados no mesmo fundamento, e através das mesmas agências, que a alma da criancinha [morta] pode contemplar a face do Salvador na eterna glória, e portanto somos consolados nesse assunto.



II. Agora tudo isto me leva a notar AS RAZÕES PORQUE CREMOS QUE CRIANCINHAS SÃO SALVAS.

Primeiramente, temos que deixar bem claro que a nossa convicção [sobre salvação de crianças] está fundamentada sobre a bondade da natureza de Deus. Dizemos que a doutrina oposta, que diz que algumas criancinhas perecem e estão perdidas, é inteiramente repugnante ao entendimento que temos sobre Aquele cujo nome é Amor. Se tivéssemos um Deus cujo nome era Moloque, se Deus fosse um tirano arbitrário, sem benevolência ou graça, poderíamos supor algumas criancinhas sendo lançadas no inferno; mas nosso Deus, que dá sustento aos filhos dos corvos quando clamam, certamente não achará nenhum regozijo no clamor e gritos das criancinhas lançadas para longe da Sua presença. Lemos dEle que Ele é tão bondoso que cuida dos bois, que não teria atada a boca do boi que trilha o cereal. Sim, Ele cuida do passarinho no seu ninho e não deixaria morrer a mãe deles enquanto está aninhando os seus pequenos. Ele deu mandamentos e ordenanças até para as criaturas irracionais. Ele providencia comida para o animal mais bruto, e também não negligencia nenhuma minhoca mais do que um anjo, e podemos nós crer que, com tal bondade universal quanto essa, que Ele lançaria a alma da criancinha, digo eu, seria contrário a tudo que temos lido e crido dEle, que a nossa fé enfraqueceria diante de uma revelação que afirmaria um fato tão singularmente excepcional ao grau usual de Seus outros feitos. Temos aprendido humildemente a submeter-nos à Sua vontade e não nos atreveremos a criticar ou acusar o SENHOR de tudo; nós confiamos que Ele é justo em tudo que Ele quer fazer! Portanto, qualquer coisa que é revelada por Ele, aceitaremos; mas Ele nunca pediu, e eu acho que Ele nunca pedirá de nós, tão desesperada fé quanto imaginar bondade [de Deus] na miséria eterna de uma criancinha lançada no inferno. Lembremos que, quando Jonas — o petulante e espontâneo Jonas — desejou a perdição de Nínive, Deus disse a razão pela qual Nínive não deveria ser destruída, ou seja, que continha mais de 120 mil criancinhas, --pessoas, Ele disse, que não sabiam discernir entre a sua mão direita e a sua mão esquerda. Se [Deus] poupou a Nínive, cuja vida mortal seria poupada, pensaria você que as almas imortais delas [das criancinhas mortas) seriam descartadas desnecessariamente? Eu deixo tudo ao seu raciocínio. Não é um caso que devemos ter muitos argumentos. O seu Deus lançaria fora uma criancinha? Se o seu Deus faria isto, então eu estou feliz em dizer que Ele não é o Deus que eu adoro.

Novamente, cremos que [lançar no inferno a criancinha que morre] seria grosseiramente inconsistente com o caráter revelado do nosso Senhor Jesus Cristo. Quando os Seus discípulos impediram os meninos cujos mães ansiosas Lhe trouxeram, Jesus disse: "Deixai vir os meninos a Mim e não os impeçais; porque dos tais é o Reino de Deus." Assim Ele nos ensinou, como John Newton corretamente afirma, que tais como estes meninos constituem grande parte do Reino de Deus. E, quando consideramos, usando as melhores estatísticas, que é calculado que mais de um terço da raça humana morre ainda criança, e quando consideramos aquelas vastas regiões onde prevalece o infanticídio [e os abortos, naturais ou por assassinato] , como nos países pagãos tais como a China e outros assim, [de modo que] talvez metade da população mundial morra antes de chegar à idade da razão — [então] a instrução do Salvador carrega grande força de fato, "dos tais é o reino de Deus". Se alguns me relembram que o Reino de Deus significa a dispensação da Sua graça sobre a terra, eu respondo: Sim, é verdade, mas também significa a mesma dispensação no céu, pois enquanto parte do Reino de Deus está sobre a terra na igreja, então, desde que a igreja é sempre uma, aquela outra parte da igreja que já está no alto [céu] também é o reino de Deus. Sabemos que este texto é usado constantemente como uma [pseudo] prova [da permissão e ordem] de Batismo [infantil], mas em primeiro lugar, Cristo não batizou estas crianças, pois "Jesus mesmo não batizava", e também Seus discípulos não os batizaram, pois eles os impediam de vir e os queriam expulsar para longe. Então, se Jesus não os batizou, e nem os seus discípulos, quem os batizou? Este texto não tem mais a ver com batismo do que tem com circuncisão. Não há a mínima alusão ao batismo no texto ou no contexto. Posso provar a circuncisão de criancinhas deste texto com a mesma lógica que outros procurem usá-lo para provar batismo infantil. Contudo, o texto prova isto: que criancinhas compõem uma grande parte da família de Cristo e que Jesus Cristo tem amor e amabilidade para com os pequeninos. Quando os meninos clamavam no templo: Hosana! Ele os reprovou? Não, mas regozijou-se nas infantis exclamações. "Pela boca dos meninos e das criancinhas de peito tiraste o perfeito louvor". Este texto também parece afirmar que no céu haverá "perfeito louvor" dado a Deus pela multidão dos querubins [as criancinhas mortas] que estavam aqui na terra — aqueles pequeninos acariciados no seio dos pais — e subitamente [e prematuramente] levados ao céu. Não posso crer que Jesus diria às criancinhas "Apartai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno, preparado para o diabo e seus anjos"! Eu não posso pensar que seja possível que Aquele que é amoroso e terno, quando Ele se assentar a julgar as nações, coloque as criancinhas na Sua esquerda e as bana para sempre da Sua presença. Como imaginar que Ele poderia dizer às criancinhas "Tive fome e não me destes de comer; tive sede, e não me destes de beber; estando nu, não me vestistes, e enfermo, e na prisão, não me visitastes"? Como poderiam as criancinhas ter feito isto? Se a maior razão de condenação está nos pecados de [consciente e deliberada] omissão, então como iria Cristo condenar os infantes e lançá-los na perdição (por um pecado que as criancinhas não tinham a possibilidade de cometer, por não terem o poder de fazerem o dever)?

Ademais, pensamos que a natureza da graça [de Deus], se a consideramos, faz com que seja muito improvável, para não dizer impossível, que uma alma de uma criancinha [morta] devia ser destruída. O que diz as Escrituras? "Onde abundou o pecado, superabundou a graça." Tal verdade não pode ser dita a respeito de uma criancinha lançada na perdição. Sabemos que Deus é abundantemente gracioso, que tais expressões como "as riquezas incompreensíveis de Cristo", "Deus, que é riquíssimo em misericórdia", "grande em benignidade", "abundantes riquezas da Sua graça", e outras tais, são verdadeiras sem exageração e sem hipérbole. Sabemos que Deus é bom para com todos, e que as Suas misericórdias são sobre todas as Suas obras, e que, na Sua graça, Ele pode fazer tudo muito mais abundantemente além daquilo que pedimos ou pensamos. A graça de Deus buscou no mundo o pior dos pecadores. Não se desviou do mais vil de todos os vis. Aquele que se auto-intitulou o maior dos pecadores tornou-se participante do [banquete do] amor de Cristo. Todo tipo de pecado e blasfêmia tem sido perdoado ao homem. Ele já salvou perfeitamente os que por Cristo se chegaram a Ele e, pergunto, será consistente com tal graça que ela deve ignorar os multidões de multidões de pequeninos que têm a imagem do Adão terrestre, e não coloque sobre eles a imagem do [Adão] celestial? Eu não posso conceber tal coisa. Todo aquele que tem provado, experimentado e tocado da graça de Deus, penso eu, vai instintivamente sentir repugnância e se afastar de qualquer outra doutrina senão esta: que, muito seguramente, aqueles que morrem como criancinhas estão salvos.

E, ainda, um dos mais fortes argumentos de sã inferência se acha no fato que as Escrituras positivamente afirmam que o número das almas salvas, no final das contas, será muito grande. No livro de Apocalipse, lemos a respeito de uma multidão a qual ninguém podia contar. O salmista fala dos tais como sendo tão numerosos com as gotículas de orvalho no ventre da manhã. Muitas passagens Bíblicas profetizam para Abraão, como o pai dos crentes, uma semente tão numerosa quanto as estrelas do céu, ou quanto a areia nas praias. Cristo verá o trabalho da Sua alma e será satisfeito; asseguradamente, não é um pouco que O satisfará. O poder e a beleza da preciosa redenção incluem a redenção de uma grande multidão. Em todo lugar nas Escrituras aparece o ensino de que o céu não será um mundo pequeno, e que a sua população não será como um punhado rabiscado nos campos de uma grande fazenda, mas que Cristo será glorificado por dez milhares de dez milhares que foram redimidos pelo Seu sangue. De onde virão estes? Considerando o mundo geográfico, somente uma pequena parte dele é usualmente chamada de cristandade! Observe num mapa. Daqueles países que são considerados como sendo de crentes em Cristo, quão poucos de seus cidadãos [sequer cogitam em] carregar o nome de crente [verdadeiro] ! De quão poucos poderia ser dito que têm pelo menos uma ligação nominal com a igreja de Cristo? Entre aqueles membros [ativos] de alguma das [poucas] igrejas [verdadeiras e fiéis], muitos são hipócritas e não conhecem a verdade! Eu não vejo como possível (a não ser que o milênio venha muito em breve e que se estenda muito além de mil anos [e seja muito grandes a taxa de natalidade e a percentagem dos salvos], eu não entendo como pode ser possível que um número tão grande deve entrar nos céus a não ser a possibilidade de que as almas das criancinhas [mortas] constituem sua grande maioria. É uma doce crença para a minha mente que serão mais os salvos do que os perdidos, pois em todas as coisas a preeminência será dada a Cristo, portanto por que não nisso também [isto é, no aspecto quantitativo] ? Foi um pensamento de um grande teólogo que talvez naquele dia o número dos perdidos não será em proporção maior em relação ao número dos salvos do que, hoje, o número dos criminosos nas penitenciárias não é em maior proporção em relação a aqueles que estão livres. A minha esperança é que seja assim. De qualquer modo, não é o meu dever perguntar: "Senhor, são poucos os que serão salvos?" A porta é estreita, mas o Senhor sabe trazer milhares por ela sem fazê-la mais larga, e nós não devemos tentar esbarrar qualquer pessoa por a estreitarmos ainda mais. Sim! Eu sei que Cristo terá a vitória e que Ele é seguido por hostes inumeráveis, sei que o vil príncipe do inferno nunca terá tantos seguidores quanto Cristo no Seu triunfo resplandecente. E, se isto é assim, então as [almas dos que que morrem como] criancinhas têm que estar salvas, porque, se não estiverem, nós [de algum modo] temos que fazê-las [crer e] ser salvas [antes de morrerem], porque, de algum modo, sentimos que elas têm que vir a ser numeradas com os abençoados, e [irão] morar com Cristo no porvir.

Agora abordemos um ou dois casos incidentais que ocorrem na Escritura, os quais podem esclarecer este assunto. Você não tem esquecido o caso de Davi. Seu filho por Bate-Seba teria que morrer como castigo pelo ofensa do pai. Davi orou, jejuou, e afligiu sua alma, e, no fim, informaram-no de que a criança morrera. Então ele não jejuou mais, mas disse "Eu irei a ela, porém ela não voltará para mim." E agora, para onde Davi esperava ir? Para o céu, dizemo-lo com toda segurança. Então o seu filhinho tem que estar lá, pois ele disse, "Eu irei a ela." Eu não escuto-o dizendo a mesma coisa a respeito de Absalão. Ele não se pôs de pé junto ao cadáver de Absalão e pronunciou "Eu irei a ele", pois não tinha esperança para aquele filho rebelde. No caso da criancinha, Davi não chorou "quem me dera que eu morrera por ti." [como fez com Absalão]. Não, ele pode deixar a alma desta criancinha partir, tendo ele perfeita confiança, pois ele pode dizer, "Eu irei a ele." "Eu sei," ele poderia ter dito, "que Ele estabeleceu comigo uma aliança eterna, a qual em tudo é bem ordenada e guardada, e quando ando pelo vale da sombra da morte não temerei mal algum porque Tu estás comigo. Irei a meu filho e no Céu seremos reunidos uns com os outros". Você relembra também aqueles casos que já tenho citado que dizem que as crianças antes que saíram da madre foram santificadas. Estes casos nos sugerem que não é impossível que uma criancinha possa ser um participante da graça [de Deus] ainda sendo um bebê. Também existe a passagem "Pela boca dos meninos e das criancinhas de peito tiraste o perfeito louvor?" A saída de Egito foi um símbolo da redenção da semente escolhida, e você sabe que neste caso os pequeninos foram juntos [com os adultos que creram e obedeceram e foram tirados da escravidão para a liberdade]. Sim, nem mesmo uma unha foi deixada para trás. Na maior redenção, por que as crianças não poderiam ajuntar-se no cântico de Moisés e do Cordeiro? Também existe a passagem em Ezequiel onde quem tem só pouco, devemos apanhar até mesmo as migalhas e fazer como o nosso Mestre fez, "Recolhei os pedaços que sobejaram, para que nada se perca." Há uma passagem em Ezequiel 16.21 onde Deus censura o Seu povo por dar as suas crianças a Moloque, fazendo-lhes passar pelo fogo, e Ele diz em referência a estes pequeninos, "E mataste a meus filhos, e os entregaste a elas para os fazerem passar pelo fogo." Então, esses pequeninos, que morreram nos braços ardentes de Moloque como criancinhas, eram filhos de Deus. Podemos, portanto, crer concernente a todos os que dormem nestes primeiros dias de vida, que Jesus disse deles: "Estas são as minhas crianças." E que Ele, ainda hoje, enquanto leva as Suas ovelhas às fontes de água viva, ainda não esquece de cumprir a Sua própria ordem: "Apascenta os meus cordeiros." Sim, ainda hoje Ele carrega os "Seus cordeirinhos no Seu regaço" e, mesmo diante do trono eterno, Ele não se vergonha de dizer: "Eis-me aqui, com os filhos que me deu o SENHOR." Há uma outra passagem nas Escrituras que penso que pode ser usada. No primeiro capítulo de Deuteronômio, houve uma ameaça pronunciada sobre os filhos de Israel no deserto, que, com a exceção de Calebe e Josué, eles nunca veriam a terra prometida; contudo, é dito: "E vossos meninos, de quem dissestes: Por presa serão; e vossos filhos, que hoje não conhecem nem o bem nem o mal, eles ali entrarão, e a eles a darei, e eles a possuirão." A vocês, pais e mães que não temem a Deus, que vivem e morrem sem Cristo, eu ousaria dizer, a incredulidade de vocês não pode barrar seus filhinhos [mortos de entrarem] no Céu, e eu louvo a Deus por isso. Sim, vocês não podem usar este texto que diz: "A promessa vos diz respeito a vós, a vossos filhos...a tantos quantos Deus nosso Senhor chamar", mas, do mesmo modo como o pecado da geração no deserto não impediu a próxima geração de entrar na Canaã, assim o pecado de pais incrédulos não necessariamente será a ruína dos seus filhinhos [mortos], mas estes serão, pela graça soberana de Deus e pela Sua superabundante misericórdia, participantes do descanso que Ele tem reservado para Seu povo. Nesta manhã, entendam que eu não tenho feito distinção entre os filhos de pais piedosos e os de pais ímpios. Se os filhos morrem na infância, eu não me importo sobre quem é o pai ou a mãe deles, tais filhos estão salvos. Eu não endosso a teoria de um líder presbiteriano que supõe que os filhos de pais piedosos terão um lugar melhor no Céu do que aqueles que por força das circunstâncias vêm de pais ímpios. Eu não creio em nada disso. Eu não tenho certeza de que há graus nos céus; e, mesmo se houvesse, eu não tenho certeza de que isso provaria que nossos filhos têm mais direitos do que os outros. Todas as criancinhas [mortas], sem exceção, seja lá de quais lombos vieram, alcançarão, não pelo batismo, não pela fé dos pais, mas simplesmente como todos nós somos salvos pela eleição de Deus, através do sangue precioso de Cristo, pela influência regeneradora do Espírito Santo, digo, alcançarão glória e imortalidade, e terão a imagem do [Adão] celestial , tanto quanto eles têm tido a imagem do [Adão] terrestre.



III. Agora quero aplicar O USO PRÁTICO DESTA DOUTRINA.

Primeiramente, que seja [esta doutrina] um conforto aos pais enlutados. Você diz que [seu filho] é uma cruz pesada para carregar. Lembre-se, é mais fácil carregar uma cruz morta do que uma cruz vivente. Carregar uma cruz vivente é uma verdadeira tribulação, -- ter um filho que é rebelde na sua infância, violento na sua juventude e depravado na sua maioridade! Ah, quem dera que tivesse morrido no ventre! Que Deus tivesse impedido que ele visse a luz! Muitos corações de pais têm sido trazidos à sepultura através das dores [ou mesmo assassinatos] causadas pelos seus filhos viventes, mas eu penso que nenhum tem sido trazido através dos seus filhos natimortos, com certeza se os pais fossem cristãos poderiam ser confortados pelas palavras do apóstolo: "que não vos entristeçais". Você gostaria que o seu filhinho [morto] vivesse [até bem mais tarde]? Ah, se você pudesse ver além do véu do futuro e ter percebido a vida que ele teria tido! Desejaria que ele vivesse numa penitenciária? Desejaria que ele amaldiçoasse o Deus do seu pai? Desejaria que ele tornasse o seu lar desestruturado, e fizesse você molhar o seu travesseiro com lágrimas, e mandasse você para o seu trabalho diário com suas mãos pesadas por causa de tristeza? Este poderia ser o caso; mas não é assim, pois agora seu filho canta diante do trono de Deus. Você sabe de quais desastres o seu pequeno se livrou? De certo, você já tem tido o suficiente e demasiado [de dores, desastres, pecados, remorsos]. Este foi nascido de mulher, teria sido de poucos dias e cheio de problemas, assim como você. Ele escapou destes sofrimentos, você se lamenta disto? Lembre-se também dos seus próprios pecados e da profunda tristeza do arrependimento. Se este filho não tivesse morrido, teria sido um pecador e deveria ter conhecido a amargura da convicção do pecado. Disso ele escapou; ele regozija-se agora na glória de Deus. Entendendo isso, desejaria você tê-lo de volta? Pais enlutados, se vocês pudessem por um momento só ver a sua posteridade lá no Céu, penso que com determinação enxugariam as suas lágrimas. Lá, entre as vozes doces que cantam o cântico perpétuo, pode ser ouvido a voz do seu próprio filho – agora um anjo e você a mãe de um cantor que está diante do trono de Deus. Você não teria resmungado se você tivesse recebido a promessa de que seu filho seria elevado à posição [e palácio] de um par dos homens mais ilustres [do país], saiba que ele tem sido elevado [infinitamente] mais alto do que tudo isso – à elevada posição [entre os filhos do Rei], no céu. Ele tem recebido a dignidade dos imortais, tem sido vestido em vestimentas melhores do que as dos reis, e é mais rico e mais abençoado do que se ele tivesse todas as coroas da terra. Do que então você reclamaria? Um poeta do passado escreveu uns versos propícios para um epitáfio de criança:

Curta foi minha vida, o meu descanso é maior,
Deus leva mais cedo aqueles que mais ama.
Quem nasce hoje e morre amanhã,
Perde umas horas de gozo, mas anos de tristeza.
Outras mazelas sempre vêm nos torturar,
A morte vem uma vez, e isto para nos aliviar.

De uma vez por todas a morte visitou seu filho e, por isso, ele foi aliviado de todas estas mazelas, e você pode concluir: disso sabemos, ele é abençoado supremamente, tem escapado do pecado e dos cuidados e das dores, e com o Salvador descansa.
"Feliz o nenê" diz Hervey, "que,

Privilegiado pela fé, um labor encurtado e um peso menor,
Recebeu, senão ontem, a dádiva da vida,
E foi ordenado para amanhã ser ceifado pela morte."

Enquanto um outro diz, olhando para cima, em direção ao céu,

"Que viagem abençoada, que sorte cobiçada,
Sem nenhum conflito, coroado,
Sem dor ter conhecido, só gozo experimentado
Sem [conquistar] fama, renomado."

Assim é. É louvável estar guerreando e receber [o gozo] no futuro, mas também é bom receber [o gozo] sem ter que guerrear! É bom cantar o cântico da vitória depois de ter atravessado o Mar Vermelho com todos os seus terrores, mas cantar o cântico sem [sofrer] o mar é ainda glorioso! Eu não sei se eu mesmo preferia a condição de uma criança no céu. Eu creio que é mais nobre ter suportado a tempestade e ter lutado contra o vento e a chuva. Creio que será objeto de congratulações por toda a eternidade, para você e para mim, o fato de que não chegamos ao céu de uma maneira tão fácil, pois esta vida mortal é transitória como a furada de um alfinete, mas, depois, há a excedentemente grande glória no porvir. No entanto, mesmo assim, creio que podemos agradecer a Deus por aqueles pequeninos que não experimentaram os nossos pecados ou as nossas enfermidades e nem nossas dores, e já entraram no seu descanso eterno. Assim, o Senhor diz a você, ó "Raquel chorando os seus filhos, E não querendo ser consolada, porque já não existem." Assim diz o SENHOR: "Reprime a tua voz de choro, e as lágrimas de teus olhos; porque há galardão para o teu trabalho, diz o SENHOR, pois eles voltarão da terra do inimigo."

A próxima conclusão, e talvez a mais útil e proveitosa que pode vir deste texto, é esta: muitos de vocês são pais que têm filhos no céu. Não é uma coisa desejável que você possa ir para lá também? Será que tenho neste auditório alguns talvez que não têm nenhuma esperança no porvir? Você tem deixado aquilo que é além do túmulo para ser tratado num outro dia, você tem dado todo o seu tempo e preocupações aos cuidados curtos e transitórios desta vida mortal. Mãe, mãe não convertida, das margens do céu o seu filho acena para você vir ao paraíso. Pai, pai sem arrependimento, o olhar daquele que antes você olhou com gozo vê você agora, e os lábios que fracamente te chamaram "pai" mas foram fechados em silêncio pela morte, podem ser ouvidos como se fossem uma voz mansa, ainda essa manhã, "Pai, devemos ser para sempre divididos por esse grande abismo que nenhum homem pode passar?" Não coloca a própria natureza um desejo na sua alma de poder vir a ser ligado com a vida dos seus próprios filhos? Então pare e pense! No estado em que você está agora, você não tem esperança para aquilo, pois seu caminho é pecaminoso, você tem esquecido de Cristo, não se arrependeu do seu pecado, tem amado mais o salário da iniqüidade [do que a Deus]. Eu rogo-lhe que você vá ao seu aposento esta manhã e pense da sua [presente] condição que [se não for mudada] o levará a permanecer separado dos seus pequeninos, banido para sempre da presença de Deus, lançado "Onde o seu bicho não morre, e o fogo nunca se apaga." Se pensar nestes assuntos, talvez o seu coração começará a se mover, e os olhos podem começar a lacrimejar, e talvez assim o Espírito Santo colocará diante dos seus olhos a cruz do Salvador, o abençoado Jesus! E, lembre-se, se você voltar o seu olhar para Ele, viverá; se você [agora] crer nEle de todo o seu coração, você estará com Ele aonde Ele está, e estará com todos aqueles que já partiram e a quem o Pai os deu a Ele. Não é necessário que você seja banido de lá. Assinará você a sua própria maldição e escreverá a sua própria condenação? Não despreze e jogue fora essa grande salvação, mas [ao contrário,] que a graça de Deus opere em você para que você a procure, pois assim a achará – que a graça de Deus faça você bater, porque assim a porta abrirá – que a graça de Deus faça você pedir, pois aquele que pede, receberá! Ó, que eu possa tomar a você pela mão – talvez você veio de um sepulcro novinho ou tem deixado o filho em casa já morto e Deus me fez um mensageiro para você, essa manhã; Ó, que eu possa tomar a você pela mão e dizer-lhe: "Não podemos trazê-lo de volta, o espírito partiu e não há retorno para ele, mas você pode segui-lo!" Observe a escada de luz diante de você! O primeiro grau nessa escada é arrependimento, o próximo é a sua fé em Cristo, e, quando você ali estiver, já estará bem encaminhado, e não demorará muito para você ser recebido no portal do Céu por aqueles pequeninos que partiram antes e que podem saudar-te quando chegares no sublime e eterno lar.

Mais uma lição de instrução e eu não o deterei mais. Que devemos nós dizer aos pais que têm filhos ainda vivos? Já falamos a respeito daquelas [crianças] que já partiram. O que diremos a respeito das [crianças] ainda vivas? Talvez eu devo dizer, "Guardem as suas lágrimas, pais enlutados, para os filhos que vivem. Vocês pode ir ao pequeno sepulcro, e podem olhar e dizer: 'Este meu filhinho é salvo; ele descansa eternamente além de qualquer risco de perigo.' Você volta a estes que estão ao redor da sua mesa e você olha de um a um: 'Estes meus filhos, muitos dos quais não são convertidos, nada têm de Deus nem de Cristo. Alguns estão amadurecendo e é claro que os corações deles são como o coração do homem natural, demasiadamente ímpio." Aí há razão para chorar. Eu oro que vocês [ó pais] nunca cessem de chorar por eles até que eles cessem de pecar; que nunca cessem de ter esperança por eles até que cessem de viver; nunca cessem de orar por eles até que vocês mesmo cessem de respirar. Levem-nos para diante de Deus nos braços da fé, e não fiquem desapontados porque não são o que você deseja que eles sejam. Eles serão ganhos ainda, se você apenas tiver fé em Deus. Não pense que não há esperança. Aquele que salvou a ti pode salvar a eles. Levem cada um deles, constantemente, ao propiciatório de Deus, e lutem com Ele dizendo: "Não te deixarei ir, se não me abençoares." A promessa é para você e para os seus filho, a tantos quanto o Senhor teu Deus chamar. Orem, lutem, se esforcem e possa a sorte de vocês ser bendita em verem salvo o seu lar. Esta foi a palavra que o apóstolo deu ao carcereiro: "Crê no Senhor Jesus Cristo e será salvo, tu e a tua casa." Temos tido muitas provas disso, pois neste batistério tenho batizado não só o pai e a mãe, mas, em muitos casos, todos os seus filhos também, um após outro têm sido trazido pela graça [de Deus], pondo sua confiança em Jesus. Deve ser o desejo do coração de cada pai ver todos seus filhos pertencerem a Cristo, e ver todos aqueles oriundos dos seus lombos no número das hostes que cantarão ao redor do trono de Deus. Podemos orar pela fé, pois temos a promessa disso; podemos orar pela fé, pois há muitos exemplos na Escritura. O Deus de Abraão é o Deus de Isaque e o Deus de Jacó, "Ainda por isso serei solicitado pela casa de Israel, que lho faça". Solicite dEle, suplique junto a Ele, vá diante dEle com o poder da fé e sinceridade e verdadeiramente Ele te ouvirá.

Uma palavra a todos da congregação. Uma criança estava falando, outro dia – e crianças, às vezes, dizem coisas estranhas – "Papai, eu não posso voltar atrás [para o que era antes]." Quando foi perguntado o que quis dizer, ele explicou que ele estava aqui, que já começou a sua vida, e ele percebeu que ele não poderia cessar de ser – ele não poderia voltar atrás [para o que era antes]. Você e eu podemos dizer o mesmo; aqui estamos; temos crescido, não podemos voltar a ser crianças como éramos antes; não temos, portanto, aquela porta de escape. O saudoso John Bunyan, antigamente, desejava ter morrido quando criancinha. Ele esperava que fosse um descendente de um judeu, pois ele tinha a idéia de que todos os hebreus seriam salvos.

Aquela porta Deus fechou. Toda porta está fechada para você e para mim, exceto aquela em nossa frente, e ela tem sobre si o sinal da cruz. Existe aí a campainha de oração. Escolheremos nós nos desviar daquela para achar uma outra – um portão de cerimônias, ou de sangue, ou de linhagem? Nunca entraremos por nenhum outro caminho. Mas há aquela maçaneta [de bater chamando, e de abrir a porta] de ouro! Pela fé, ó Todo-Poderoso, eu a acionarei agora. "Eu sou o pior dos pecadores. Tenha misericórdia de mim!" Jesus está aí. "Entre," diz Ele, "Entre, bendito do SENHOR; por que estás fora?" Ele me recebe nos Seus braços, me lava, me veste e me glorifica quando vou a Ele. Serei tão tolo que não entre? Sim, eu sou assim por natureza – e que tolo sou! Ó Espírito de Deus! Faze-me sábio para saber o meu perigo e meu refúgio! E agora, pecador, em nome dAquele que vive, e que foi morto, e que vive para todo o sempre, procure entrar por aquela porta e faça a sua oração, antes de sair deste santuário: "Ó Deus, tem misericórdia de mim, pecador!" Que o Senhor ouça e abençoe, por amor do Seu nome!

29 de Setembro de 1861

Sermão pregado por C.H. Spurgeon (1834-1892)

Qual é o Problema em Gostar um Pouco de Pornografia?


Qual é o Problema em Gostar um Pouco de Pornografia?

Augustus Nicodemus Lopes

Afinal, o que é pornografia mesmo?

Alguém já disse que é mais fácil reconhecer a pornografia do que defini-la. Os dicionários nos dizem que pornografia é o caráter imoral ou obsceno de uma publicação. Material pornográfico é aquele que descreve ou retrata atos ou episódios obscenos ou imorais. Essas definições não ajudam muito pois conceitos como "obscenos" e "imorais" são bastante subjetivos no mundo de hoje. Classificar material pornográfico em "soft" (nudez e sexo implícito) e "hardcore" (sexo explícito contendo cenas de degradação, violência e aberrações) só ajuda didaticamente. Para muitos, Playboy é uma revista pornográfica. Para outros, não. Entretanto, da perspectiva da ética bíblica, definição acima é mais que suficiente.

A popularidade da pornografia é exatamente pela complexidade do assunto, agravado pela omissão de boa parte das igrejas no Brasil, que muitos evangélicos estão confusos quanto ao mesmo, e não poucos são viciados em alguma forma de pornografia. Aqui estão as minhas razões para essa constatação:

1) A tremenda popularidade da pornografia no mundo de hoje.

Uma estatística de 1995 revelou que os americanos gastam mais em pornografia do que em Coca-Cola. Não é difícil de imaginar que a situação no Brasil não seria muito diferente. Até países antigamente fechados, como a China, em 1993 assistiu a uma enxurrada de material pornográfico em seus limites, após ter aberto, mesmo que um pouco, as suas fronteiras para receber ajuda estrangeira. Mensalmente, cerca de 8 milhões de cópias de revistas pornográficas circulam no Brasil. Em 1994 a venda de vídeos pornôs chegou perto de 500 milhões de dólares. Não é de se admirar que as locadoras reservam cada vez mais espaço nas prateleiras para vídeos pornôs. Segundo uma pesquisa, em 1992, 1 a cada 4 brasileiros assistiu a um filme de sexo explícito. O mesmo fizeram 13% das mulheres entrevistadas. Em 1995 esse número dobrou para os homens e aumentou um pouco em relação às mulheres.

2) A imensa facilidade para se conseguir material pornográfico no mundo de hoje.

Como na maioria dos demais países "civilizados" (uma conhecida exceção é o Irã) material pornográfico pode ser encontrado e consumido facilmente no Brasil em diversas formas: cinema, canais abertos de televisão, televisão a cabo e no sistema "pay-per-view", Internet, fitas de vídeo, CD-ROMs com material pornográfico, gravuras, exposições de arte erótica, livros, revistas e vídeogames, entre outros. Parece não haver fim à criatividade do homem em utilizar-se dos avanços tecnológicos para a difusão da pornografia. Como disse o escritor francês Restif de la Bretone no século 18, "La dépravation suit Le progrès Des lumières" ("A depravação segue o Progresso das luzes").


O que tem de mais em ver pornografia?

Muito embora os evangélicos em geral sejam contra a pornografia (alguns apenas instintivamente) nem todos estão conscientes do perigo que ela representa. Menciono alguns deles em seguida:


1) Consumir deliberadamente material pornográfico é violar todos os princípios bíblicos estabelecidos por Deus para proteger a família, a pureza e os valores morais.

A própria palavra "pornografia" nos aponta esse realidade. Ela vem da palavra grega pornéia, que juntamente com mais outras 3 palavras (pornos, pornê e pornéuo) são usadas no Novo Testamento para a prática de relações sexuais ilícitas, imoralidade ou impureza sexual em geral. Freqüentemente essas palavras de raiz porn- aparecem em contextos ou associadas com outras palavras que especificam mais exatamente o tipo de impureza a que se referem: adultério, incesto, prostituição, fornicação, homossexualismo e lesbianismo.

O Novo Testamento claramente condena a pornéia: ela é fruto da carne, procede do coração corrupto do homem, é uma ameaça à pureza sexual e devemos fugir dela, pois os que a praticam não herdarão o reino de Deus. A pornografia explora exatamente essas coisas — adultério, prostituição, homossexualismo, sadomasoquismo, masturbação, sexo oral, penetrações com objetos e — pior de tudo — pornografia infantil, envolvendo crianças de até 4 anos de idade.

2) Consumir deliberadamente material pornográfico é contribuir para uma das indústrias mais florescentes do mundo e que, não poucas vezes, é controlada pelo crime organizado.

Segundo um relatório oficial em 1986, a indústria pornográfica nos Estados Unidos é a terceira maior fonte de renda para o crime organizado, depois do jogo e das drogas, movimentando de 8 a 10 bilhões de dólares por ano. Acredito que o quadro é ainda pior hoje. A indústria da pornografia apoia e promove a indústria da prostituição e da exploração infantil. O dinheiro que pais de família gastam com pornografia deveria ir para o sustento de sua família. Alguns podem alegar que consomem apenas material soft contendo somente cenas de nudez — esquecendo que esse material é produzido pela mesma indústria ilegal que produz e distribui a pornografia infantil.

Pornografia e a escalada da violência

Não são poucos os relatórios feitos por comissões de pesquisadores que denunciam a estreita relação entre a pornografia e a crescente onda de estupros, assédio sexual e exploração infantil nos países "civilizados". Vários dos temas mais comuns em pornografia do tipo hardcore incluem cenas de seqüestro e estupro de mulheres, geralmente com espancamento e tortura, além de outras formas obscenas de degradação.

A mensagem que a pornografia passa aos consumidores é que quando a mulher diz "não" na verdade está dizendo "sim", e que se o estuprador insistir, ela não somente aceitará como também passará a gostar. Assim, a violência contra a mulher é exposta como algo válido e normal. A mulher é vista como objeto sexual a ser usado ao bel-prazer dos homens.

Uma outra forma de hardcore é a pornografia infantil. Esse material exibe cenas de sexo envolvendo crianças e adolescentes. Em alguns casos, crianças aparecem assistindo a cenas de sexo oral por adultos, Noutras, são violentadas e estupradas por adultos. Noutras, fazem sexo entre si. Esse material ilegal, mórbido, desumano e obsceno está disponível pela Internet até mesmo em servidores estacionados em universidades federais, conforme denúncias de jornais em dias recentes. Grandes provedores têm seções onde usuários podem bater papo sobre sexo e trocar imagens de sexo explícito com crianças, algumas delas tão degradantes, segundo uma denúncia feito pelo Instituto Gutemberg em Julho de 1997, que faz da revista "Penetrações Profundas" uma publicação para freiras.

Associado com a pornografia hardcore está o surto de violência sexual contra as mulheres e crianças nas sociedades modernas onde esse material pode ser obtido facilmente. Estudos por especialistas americanos mostram que existe uma estreita relação entre pornografia e a prática de crimes sexuais. Eles afirmam que 82% dos encarcerados por crimes sexuais contra crianças e adolescentes admitiram que eram consumidores regulares de material pornográfico. O relatório oficial do chefe de polícia americano em 1991 diz: "Claramente a pornografia, quer com adultos ou crianças, é uma ferramenta insidiosa nas mãos dos pedofílicos [viciados em sexo com crianças]".

A pornografia está estreitamente associada ao crescente número de estupros nos países civilizados. Só nos Estados Unidos, o número conhecido pela polícia cresceu 500% em menos de 30 anos, que corresponde ao aumento da popularidade e facilidade em se encontrar material pornográfico. Cerca de 86% dos condenados por estupro admitiram imitação direta das cenas pornográficas que assistiam regularmente.

Crentes "voyeurs"?

Há boas razões para acreditarmos que o número de evangélicos no Brasil que são viciados em pornografia é preocupante. Pesquisadores estimam que nos Estados Unidos cerca de 10% dos evangélicos estão afetados. Considerando que no Brasil a facilidade de se obter material pornográfico é a mesma — ou até maior — que nos Estados Unidos, considerando que a igreja evangélica brasileira não tem a mesma formação protestante histórica da sua irmã americana, considerando a falta de posição aberta e ativa das igrejas evangélicas brasileiras contra a pornografia, como acontece nos Estados Unidos, não é exagerado dizer que provavelmente mais que 10% dos evangélicos no Brasil são consumidores de pornografia.

Talvez esse número seja ainda conservador diante do fato conhecido que os evangélicos no Brasil assistem mais horas de televisão por dia que muitos países de primeiro mundo, enchendo suas mentes com programas que promovem a violência e o erotismo, e assim abrindo brechas por onde a pornografia penetre e se enraize.

Mais preocupante ainda é a probabilidade de que grande parte desse percentual é de jovens evangélicos adolescentes. Uma pesquisa feita por Josh McDowell em 22 mil igrejas americanas revelou que 10% dos adolescentes havia aprendido o que sabiam sobre sexo em revistas pornográficas. 42% deles disse que nunca aprendeu qualquer coisa sobre o assunto da parte de seus pais. E outros 10% confessaram ter assistido a um filme de sexo explícito nos últimos 6 meses. Uma extrapolação, ainda que conservadora, para a realidade das igrejas brasileiras é de deixar pastores e pais em estado de alarma.

O escândalo envolvendo o pastor Jimmy Swaggart em 1988 revelou abertamente uma outra face do problema, que há pastores evangélicos que também são viciados em pornografia. Uma pesquisa feita em 1994 entre pastores evangélicos americanos revelou uma relação estreita entre o consumo de pornografia e a infidelidade conjugal. Por causa do receio de serem apanhados e de estragarem seus ministérios, muitos pastores optam por consumir pornografia como voyeurs a praticar o adultério de fato, embora alguns acabem eventualmente caindo na infidelidade prática. Quando eu me preparava para escrever esse ensaio, li diversos artigos sobre pornografia publicados em revistas americanas e européias de aconselhamento pastoral. Muitos deles são abertamente dirigidos para ajudar pastores viciados em pornografia.

Falta de decência

Infelizmente parece que estamos nos acostumando à falta de decência. Tornamo-nos como os pagãos. Temos a mesma atitude que eles têm para com a nudez e a exposição dos órgãos sexuais. A arqueologia revelou que em muitas das paredes dos templos pagãos cananitas, que foram destruídos pelos israelitas quando conquistaram a terra (Lv 26.1; Nm 33.52), havia desenhos de órgãos sexuais masculinos e femininos. Essas são as formas mais antigas de pornografia que conhecemos. Os cananitas aparentemente representavam os órgãos genitais nas paredes para excitar os adoradores e estimulá-los à prática da prostituição sagrada.

Os israelitas, em contraste, tinham uma atitude totalmente diferente quanto à exposição dos órgãos sexuais. Em suas Escrituras Sagradas estava escrito que Deus cuidou em cobrir a nudez do primeiro casal após a queda (Gn 2:25; 3:7-10). Havia uma preocupação em que as vestimentas cobrissem os órgãos genitais, ao ponto de que havia uma determinação na lei de Moisés de que o sacerdote deveria ter cuidado para não subir as escadas do altar de forma a deixar que seus órgãos genitais ficassem expostos (Dt 20:26). Cão, o filho de Noé, foi condenado por ter visto a nudez de seu pai. A própria Bíblia se refere à genitália de forma reservada, usando às vezes eufemismos como "nudez" (Lv 18), "pele nua" (Ex 28.42), "membro viril" (Dt 23.1), "entre os pés" (Dt 28.57) e "parte indecorosa" (1 Co 12.23), só para citar alguns exemplos.

Podemos fazer alguma coisa, sim!

Acredito que os pastores e as igrejas evangélicas no Brasil podem fazer algumas coisas: ler os estudos e relatórios sobre os efeitos da pornografia feitos por comissões especializadas; pregar sobre o assunto e especialmente dar estudos para grupos de homens; desenvolver uma estratégia pastoral para ajudar os membros das igrejas que são adictos à pornografia; não esquecer que muitos pastores podem precisar de ajuda eles mesmos; criar comissões que se mobilizem ativamente contra a pornografia, utilizando-se dos dispositivos legais que o permitam (uma possibilidade é encorajar os políticos evangélicos a tomar posições bem definidas contra a pornografia); desenvolver uma abordagem que trate da sexualidade de forma bíblica, positiva e criativa; tratar desses temas desde cedo com os adolescentes da Igreja expondo o ensino bíblico de forma positiva; orar especificamente pelo problema.

Não estou pregando uma cruzada de moralização, embora evidentemente a igreja evangélica brasileira poderia tirar bastante proveito de uma. A pornografia é um mal de graves conseqüências espirituais e sociais embora não acredite que devamos fazer dela o inimigo público número 1, como algumas organizações moralistas e fundamentalistas dos Estados Unidos. Afinal das contas, a raiz desse problema — e de outros — é o coração depravado e corrompido do homem, que só pode ser mudado pelo Evangelho de Cristo. Hitler conseguiu em 4 anos banir da Alemanha todas as formas de pornografia e perversão e incutir na geração jovem de sua época a aspiração por altos valores morais e pela pureza da raça ariana. Os motivos eram errados e o projeto de Hitler acabou no desastre que conhecemos.

Não acabaremos com a depravação moral somente com leis e discursos políticos. Jack Eckerd, um empresário milionário dono de um negócio que rendia mais de 2,5 milhões de dólares por ano, ao se converter a Cristo em 1986, determinou que todas as publicações pornográficas vendidas em suas 1.700 lojas fossem retiradas, mesmo que isso significasse a perda de alguns milhões de dólares anuais. Quando o coração é mudado as mudanças morais seguem atreladas.

sábado, 4 de outubro de 2008

VOCÊ FICARIA EM PÉ?


VOCÊ
FICARIA EM PÉ?
Esta é uma história verdadeira que
aconteceu há alguns anos, na Universidade da Carolina do Sul, nos Estados
Unidos.
Havia um professor de filosofia que
era um ateu convicto.
Sempre sua meta principal era tomar
um semestre inteiro para provar que DEUS não existe.
Os estudantes sempre tinham medo de
argüi-lo por causa da sua lógica impecável.
Por 20 anos ensinou e mostrou que
jamais haveria alguém que ousasse contrariá-lo, embora, às vezes surgisse
alguém que o tentasse, nunca o venciam.
No final de todo semestre, no último
dia, fazia a mesma pergunta à sua classe de 300 alunos:
- Se há alguém aqui que ainda
acredita em Jesus, que fique de pé!
Em 20 anos ninguém ousou levantar-se.

Sabiam o que o professor faria em
seguida. Diria:
- Porque qualquer um que acredita em
Deus é um tolo! Se Deus existe impediria que este giz caísse ao chão e se
quebrasse.
Esta simples questão provaria que Ele
existe, mas, não pode fazer isso!
E todos os anos soltava o giz, que
caia ao chão partindo-se em pedaços.
E todos os estudantes apenas ficavam
quietos, vendo a DEMONSTRAÃO.
A maioria dos alunos pensavam que
Deus poderia não existir. Certamente, havia alguns cristãos mas, todos
tiveram muito medo de ficar de pé.
Bem... há alguns anos chegou a vez de
um jovem cristão que tinha ouvido sobre a fama daquele professor.
O jovem estava com medo, mas, por 3
meses daquele semestre orou todas as manhãs,
pedindo que tivesse coragem de se
levantar, não importando o que o professor dissesse ou o que a classe
pensasse.
Nada do que dissessem abalaria sua
fé... ao menos era seu desejo.
Finalmente o dia chegou. O professor
disse:
- Se há alguém aqui que ainda
acredita em Jesus, que fique de pé!
O professor e os 300 alunos viram,
atônitos, o rapaz levantar-se no fundo da sala.
O professor gritou:
- Você é um TOLO!!! Se Deus existe
impedirá que este giz caia ao chão e se quebre!
E começou a erguer o braço, quando o
giz escorregou entre seus dedos, deslizou pela camisa, por uma das pernas da
calça, correu sobre o sapato e ao tocar no chão simplesmente rolou, sem se
quebrar.
O queixo do professor caiu enquanto
seu olhar, assustado, seguia o giz.
Quando o giz parou de rolar levantou
a cabeça... encarou o jovem e.... saiu apressadamente da sala. O rapaz
caminhou firmemente para a frente de seus colegas e, por meia hora,
compartilhou sua fé em Jesus. Os 300 estudantes ouviram, silenciosamente,
sobre o amor de Deus por todos
e sobre Seu poder através de Jesus.

Você tem duas opões:
1 - Apagar esta mensagem e esquecer a
história ou,
2 - Passar a seus amigos, cristãos e
não cristãos, dando-lhes a coragem que precisamos todos os dias ao nos
levantarmos.
EU ESTOU EM PÉ!!!
Alguém me
acompanha?

quinta-feira, 2 de outubro de 2008


FAMÍLIA - FÁBRICA DE GENTE
Por: Psic. Elizabete Bifano

"Família é fábrica de gente" define Gilda Franco Montoro, uma das escritoras do livro "Um olhar sobre a família".

Esta é uma definição simples, porém interessante e muito verdadeira. As famílias fabricam pessoas, fabricam cidadãos, fabricam futuros esposos e esposas, pais e mães. As famílias fabricam gente com todos os tipos de estrutura – física, moral, espiritual, emocional e psicológica.

É na família que tudo começa. Aprende-se a ser honesto, trabalhador; aprende-se a ser esposo e pai, a ser esposa e mãe, a ser cidadão e cidadã.

A partir dos exemplos que se vê é que o caráter das pessoas vão se formando. Na criança, essa formação ocorre, principalmente, até os sete anos. Dos sete aos onze, alguma coisa mais apenas se acrescenta. Após os 12 anos, é preciso que Deus comece a fazer milagre.

Quando era menina, conheci, no bairro em que morava, uma fábrica que não produziu boa gente. Eram cinco filhos – dois homens e três mulheres. A mãe, além de espancar os filhos, os mordia, chutava e xingava. O pai era completamente ausente e alheio ao que acontecia ali durante o dia; não se importava. Os dois meninos cresceram e se tornaram marginais. Um foi assassinado precocemente e o outro foi preso. Uma das filhas se casou com um homem 40 anos mais velho e mantinha casos extra conjugais. A outra tratava os três filhos tal qual a mãe e a mais nova engravidou aos 13 anos, depois desapareceu, abandonando o filho.

Já conheci fábrica de gente com mãe que se fingia de morta, com mãe que entregava os filhos para as babás criarem (incluindo noites, fins de semana e feriados), com pai ausente na criação dos filhos, com pai que abandonou a família. E já conheci "sobreviventes" – termo usado na psicologia para definir as pessoas que dão certo, apesar da "fábrica" de onde vieram.

A Bíblia também traz exemplos, como o do sacerdote Eli e do rei Davi. De cujas "fábricas" saíram filhos extremamente insubmissos.

Estes são fatos tristes sobre fábricas de gente que, infelizmente, existe em grande número.

Toda família comete erros, todos os pais e mães cometem erros. Entretanto, há erros imperdoáveis. Há erros que deixam marcas indeléveis, que para sempre deixarão seqüelas.

Causarão tantos danos que os produtos sairão das fábricas com defeito de fabricação irreparável.

Para exemplificar, podemos citar todo e qualquer tipo de abuso (inclui-se, é claro, o abuso sexual) e agressão física e psicológica, depreciação e menosprezo constantes, total ausência de pai e/ou mãe, entre outros.

Mas graças a Deus existem fábricas de gente muito melhores, com bons e excelentes resultados de produção.

Como este, a Bíblia também traz exemplos. Um dos melhores é o de Eunice, que mesmo casada com um descrente, "produziu" o pastor Timóteo.

Há algum tempo ouvi uma narrativa sobre um pai, porteiro de um prédio, sobre sua "fábrica".

Dois filhos e duas filhas foram criados numa das favelas do Rio de Janeiro. Apesar das dificuldades para criar os filhos naquele meio, todos cresceram e se tornaram bons cidadãos, que também construíram suas "fábricas". Quando indagado, revelou o segredo: muita conversa, limites e sua presença constante e amiga de pai.

Diante dos fatos torna-se necessário refletir. Que tipo de fábrica é a nossa? Que tipo de gente ela fabrica?

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

O Declínio da Pregação contemporânea


Você já percebeu como diversos comerciais de televisão não falam especificamente sobre os produtos que anunciam? Um anúncio de jeans apresenta um comovente drama a respeito da infelicidade dos adolescentes, mas não se refere ao jeans. Um comercial de perfumes mostra uma coletânea de imagens sensuais sem qualquer referência ao produto anunciado. As propagandas de cerveja são algumas das mais criativas da televisão, mas falam muito pouco sobre a própria cerveja. Esses comerciais são produzidos com o objetivo de entreter, criar disposição e apelar às nossas emoções, mas não para transmitir informações.

Com freqüência, eles são os mais eficientes, visto serem os que fazem melhor proveito da televisão. São produtos naturais de um veículo de comunicação que promove uma visão surrealista do mundo. A televisão mescla sutilmente a vida real com a ilusão. A verdade é irrelevante. O que realmente importa é se estamos sendo entretidos. A essência não significa nada; o estilo de vida é o que mais interessa. Nas palavras de Marshall McLuhan, o instrumento é a mensagem.

Amusing Ouselves to Death (Divertindo- nos até à morte) é um livro perceptivo mas inquietante escrito por Neil Postman, professor da Universidade de Nova Iorque. Ele argumenta que a televisão nos tem mutilado a capacidade de pensar e reduzido nossa aptidão para a verdadeira comunicação. Postman assegura que, ao invés de nos tornar a mais informada e erudita de todas as gerações da História, a televisão tem inundado nossas mentes com informações irrelevantes, sem significado. Ela nos tem condicionado apenas ao entretenimento, tornando obsoletas outras formas de interação humana.

Postman ressalta que até os noticiários são uma apresentação teatral. Jornalistas simpáticos relatam calmamente breves notícias sobre guerras, assassinatos, crimes e desastres naturais. Essas histórias catastróficas são intercaladas por comerciais que banalizam suas informações, isolando-as de seu contexto. Em seu livro, Postman registra um noticiário em que um almirante declarou que uma guerra nuclear mundial seria inevitável. No próximo segmento da programação, houve um comercial do Rei dos Hamburgers. Não se espera que nossa reação seja racional. Nas palavras de Postman, "os espectadores não reagirão com um senso da realidade, assim como a audiência no teatro não sairá correndo para casa, porque alguém no palco disse que um assassino estava solto na vizinhança".

A televisão não pode exigir uma resposta sensata. As pessoas ligam-na para se divertir, não para serem desafiadas a pensar. Se um programa exige que pensemos ou demanda muito de nossas faculdades intelectuais, ninguém o assiste. A televisão tem diminuído o alcance de nossa atenção. Por exemplo, alguma pessoa de nossa sociedade ficaria de pé, entre uma sufocante multidão, durante sete horas para ouvir os debates dos candidatos a presidente da República? Sinceramente, é muito difícil imaginar que nossos antepassados possuíam esse tipo de paciência. Temos permitido a televisão nos fazer pensar que sabemos mais agora, enquanto na verdade estamos perdendo nossa tolerância na área de pensar e aprender.

Sem dúvida, a mensagem mais vigorosa do livro de Postman está em um capítulo sobre religião. Esse homem não-crente escreve com profundo discernimento a respeito do declínio da pregação. Ele contrasta a pregação contemporânea com o ministério de homens como Jonathan Edwards, George Whitefield e outros. Estes homens contavam com um profundo conteúdo, lógica e conhecimento das Escrituras. Em contraste, a pregação de nossos dias é superficial, com ênfase no estilo e nas emoções.

Na definição moderna, a "boa" pregação tem de ser, antes de tudo, breve e estimulante. Consiste em entretenimento, não em ensino, repreensão, correção ou educação na justiça (2 Tm 3.16). O modelo da pregação moderna é o evangelista esperto que exagera as emoções, traz consigo um microfone, enquanto anda pomposamente ao redor do púlpito, levando os ouvintes a baterem palmas, movimentarem- se e fazerem aclamações em voz bem alta, ao tempo em que ele os incita a um frenesi.

Não existe alimento espiritual na mensagem, mas quem se importa, visto que a resposta é entusiástica? É lógico que a pregação em muitas das igrejas conservadoras não se realiza de maneira tão exagerada assim. Mas, infelizmente, até algumas das melhores pregações de nossos dias contêm mais entretenimento do que ensino. Muitas igrejas têm um sermão característico de meia hora, repleto de histórias engraçadas e pouco ensino. Na verdade, muitos pregadores consideram o ensino de doutrinas como algo indesejável e sem utilidade prática.

Uma grande revista evangélica recentemente publicou um artigo escrito por um famoso pregador carismático. Ele utilizou uma página inteira para falar sobre a futilidade tanto de pregar quanto de ouvir sermões que vão além de mero entretenimento. Qual foi a sua conclusão? As pessoas não recordam aquilo que você pregou; por isso, a maior parte da pregação é perda de tempo. "Procurarei fazer melhor no próximo ano", ele escreveu, "isto significa desperdiçar menos tempo ouvindo sermões demorados e gastando mais tempo preparando sermões curtos. As pessoas, eu descobri, perdoarão uma teologia pobre, se o culto matinal terminar antes do meio-dia".

Isto resume com perfeição a atitude que predomina na igreja moderna. Existe uma semelhança entre esse tipo de pregação e os comerciais de jeans, perfume e cerveja na televisão. Assim como os comerciais, a pregação moderna tem o objetivo de criar uma disposição íntima, evocar uma resposta emocional e entreter, mas não o de comunicar necessariamente algo da essência das Escrituras. Esse tipo de pregação é uma completa acomodação a uma sociedade educada pela televisão. Segue o que é agradável, porém revela pouca preocupação com a verdade. Não é o tipo de pregação ordenada nas Escrituras. Temos de pregar a Palavra (2 Tm 4.2); falar "o que convém à sã doutrina" (Tt 2.1); ensinar e recomendar "o ensino segundo a piedade" (1 Tm 6.3).

É impossível fazer estas coisas se nosso alvo é entreter as pessoas. O futuro da pregação expositiva é incerto. O que um pastor sincero tem de fazer para alcançar pessoas que se mostram indispostas e incapazes de ouvir com atenção e raciocínio exposições da verdade divina? Este é o grande desafio para os líderes da igreja contemporânea. Não devemos nos render à pressão para sermos superficiais. Temos de encontrar maneiras de fazer conhecida a Palavra de Deus a uma geração que não apenas recusa-se a ouvir, mas também não sabe como ouvir.

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